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ORCID:  http://orcid.org/0000-0002-1037-903X
Tipo de documento: Tese
Tipo de acceso: Acesso Aberto
Título: Da encruzilhada, a palavra-pensante: a poética epistêmica de Miriam Alves
Título (s) alternativo (s): Desde la encrucijada, la palabra-pensante: la poética epistémica de Miriam Alves
Autor: Costa, Juliana Cristina
Primer orientador: Camargo, Fábio Figueiredo
Primer coorientador: Santos, Daiana Nascimento dos
Primer miembro de la banca: Passos, Leandro
Segundo miembro de la banca: Silva, Assunção de Maria Sousa e
Tercer miembro de la banca: Araújo, Joana Luiza Muylaert de
Resumen: Esta pesquisa analisa o que denomino poética epistêmica na obra da escritora brasileira Miriam Alves, a partir dos romances Bará na trilha do vento (2015) e Maréia (2019). O objetivo é compreender de que modo a literatura pode operar simultaneamente como forma de enfrentamento ao epistemicídio e como espaço de fabulação crítica da história da nação. Parte-se do pressuposto de que a representação literária, especialmente quando produzida por vozes negras femininas, possui a capacidade de tensionar saberes cristalizados no imaginário social, propondo novas narrativas sobre a participação da população negra na formação nacional e sobre as dinâmicas das relações raciais no Brasil. O conceito de poética epistêmica, desenvolvido durante a pesquisa de mestrado, refere-se à compreensão da estética literária como um campo capaz de produzir conhecimento, questionando e contra-argumentando epistemologias hegemônicas. Nos romances de Miriam Alves, observa-se a mobilização de saberes oriundos das tradições religiosas afro-brasileiras, especialmente aqueles ligados ao culto aos orixás, que atravessam a estrutura narrativa e a composição simbólica das obras, como indicam os próprios títulos, associados a divindades como Exu Bará, Iansã e Iemanjá. A partir dessas articulações, compreendo a estética da encruzilhada como um dispositivo literário e simbólico que articula múltiplos saberes, tradições e formas de expressão. A encruzilhada configura-se, assim, como espaço de confluência, mas também de confronto simbólico, no qual diferentes temporalidades, vozes e cosmologias entram em relação. Nesse contexto, proponho também os conceitos de estética das profundezas, poética das confluências e tessitura encruzilhástica, entendidas como modos discursivos que organizam o texto literário a partir de cruzamentos múltiplos de vozes, memórias e temporalidades, produzindo sentidos tanto pelo que é explicitado quanto pela esfera do não dito. Metodologicamente, a pesquisa realiza uma análise comparativa entre os dois romances, examinando aspectos estruturais da narrativa, como os repertórios de saber mobilizados, em diálogo com a produção da intelectualidade negra na América Latina, especialmente no Brasil. Além disso, a própria escrita da tese assume um gesto performativo, tensionando o estatuto historicamente elitizado da linguagem acadêmica e incorporando estratégias discursivas que dialogam com movimentos epistêmicos desenvolvidos por pesquisadoras e pesquisadores negros em diferentes áreas, bem como com a inserção de meus poemas como parte dessa linguagem. Dessa forma, busca-se evidenciar como a literatura pode constituir-se como espaço de insurgência epistêmica, contribuindo para a elaboração crítica da história e para a ampliação dos horizontes interpretativos da crítica literária.
Abstract: Esta investigación analiza lo que denomino poética epistémica en la obra de la escritora brasileña Miriam Alves, a partir de las novelas Bará na trilha do vento (2015) y Maréia (2019). El objetivo es comprender de qué manera la literatura puede operar simultáneamente como forma de enfrentamiento al epistemicidio y como espacio de fabulación crítica de la historia de la nación. Se parte del supuesto de que la representación literaria, especialmente cuando es producida por voces negras femeninas, posee la capacidad de tensionar saberes cristalizados en el imaginario social, proponiendo nuevas narrativas sobre la participación de la población negra en la formación nacional y sobre las dinámicas de las relaciones raciales en Brasil.El concepto de poética epistémica, desarrollado durante la investigación de maestría, se refiere a la comprensión de la estética literaria como un campo capaz de producir conocimiento, cuestionando y contraargumentando epistemologías hegemónicas. En las novelas de Miriam Alves se observa la movilización de saberes provenientes de las tradiciones religiosas afrobrasileñas, especialmente aquellos vinculados al culto a los orixás, que atraviesan la estructura narrativa y la composición simbólica de las obras, como lo indican los propios títulos, asociados a divinidades como Exu Bará, Iansã y Iemanjá.A partir de estas articulaciones, comprendo la estética de la encrucijada como un dispositivo literario y simbólico que articula múltiples saberes, tradiciones y formas de expresión. La encrucijada se configura, así, como un espacio de confluencia, pero también de confrontación simbólica, en el cual diferentes temporalidades, voces y cosmologías entran en relación. En este contexto, propongo también los conceptos de estética de las profundidades, poética de las confluencias y tesitura encrucijástica, entendida como un modo discursivo que organiza el texto literario a partir de múltiples cruces de voces, memorias y temporalidades, produciendo sentidos tanto por lo que se explicita como por la esfera de lo no dicho. Metodológicamente, la investigación realiza un análisis comparativo entre las dos novelas, examinando aspectos estructurales de la narrativa, como los repertorios de saber movilizados, en diálogo con la producción de la intelectualidad negra en América Latina, especialmente en Brasil. Además, la propia escritura de la tesis asume un gesto performativo, tensionando el estatuto históricamente elitizado del lenguaje académico e incorporando estrategias discursivas que dialogan con movimientos epistémicos desarrollados por investigadoras e investigadores negros en diferentes áreas, así como con la inserción de mis poemas como parte de ese lenguaje. De este modo, se busca evidenciar cómo la literatura puede constituirse como un espacio de insurgencia epistémica, contribuyendo a la elaboración crítica de la historia y a la ampliación de los horizontes interpretativos de la crítica literaria.
Palabras clave: Literatura afrodiaspórica brasileira
Améfrica
Intelectualidade negra
Teoria literária
Miriam Alves
Literatura afrodiásporica brasileña
Intelectualidad negra
Teoria literaria
Área (s) del CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Tema: Literatura
País: Brasil
Editora: Universidade Federal de Uberlândia
Programa: Programa de Pós-graduação em Estudos Literários
Cita: COSTA, Juliana Cristina. Da encruzilhada, a palavra-pensante: a poética epistêmica de Miriam Alves. 2026. 196 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.698.
Identificador del documento: https://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.698
URI: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/50311
Fecha de defensa: 14-jul-2026
Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS): ODS::ODS 10. Redução das desigualdades - Reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.
Aparece en las colecciones:TESE - Estudos Literários

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