Publicação: A arte de (res)significar experiências de si na velhice
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Área do conhecimento
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::LINGUISTICA APLICADA
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Falar sobre a velhice na contemporaneidade ainda é um incômodo para muitas pessoas, pois de
acordo com Sibilia (2011) ser velho na sociedade ocidental parece, na maior parte das vezes,
um direito negado. A morte social das pessoas 60+ na sociedade intensificou-se ainda mais com
a chegada da pandemia de COVID-19 no Brasil em 2020. Diante desse cenário, em 2020 foi
criado o projeto de extensão “Desabroche: a arte de (res)significar a velhice” com o objetivo de
proporcionar um espaço de palavra online para idosos acima de 60 anos. Nesse espaço eram
levantadas discussões a partir de produções artístico-culturais sobre temas relacionados ao
envelhecimento. As produções artísticas eram expostas, analisadas e comentadas pelos
participantes 60+, como um convite a resgatar memórias e investi-las subjetivamente, de modo
a ensejar uma (res)significação dos significantes que aprisionam o sujeito na representação de
velhice. A partir de minha participação como mediadora, inquietações foram emergindo e as
seguintes questões que norteiam esta pesquisa foram sendo construídas: em que medida a arte
é capaz de contribuir para uma (res)significação da velhice para esses sujeitos? Como as
narrativas de si podem promover um deslocamento na posição discursiva do idoso? Quais os
efeitos dos possíveis deslocamentos das redes de identificação do idoso participante do
Desabroche? Pensando nisso, esta pesquisa tem como objetivo investigar o processo de
(res)significação da representação de velhice para esse público que se diz e/ou é dito velho,
idoso, da terceira idade, entre outros nomes que lhes são atribuídos, por meio de oficinas de arte
e práticas de narrativização de si, de modo a oportunizar alterações na constituição identitária
desses sujeitos que, consequentemente, podem ocupar novas posições discursivas. O material
de análise é constituído por um diário de bordo, bem como os frutos produzidos pelos
participantes. A partir disso, o corpus desta pesquisa é construído a partir da elaboração dos
Relatos de Experiência (RE) acerca dos acontecimentos experenciados no espaço Desabroche.
Trata-se de uma pesquisa-intervenção de orientação psicanalítica (Pereira, 2016), cuja
constituição do corpus e metodologia de análise são baseadas em pressupostos psicanalíticos
tais como: a associação livre, a constituição identitária e a transferência. Além disso, os
pressupostos teórico-metodológicos da Análise Psicanalítica de Discurso (Dunker; Paulon;
Milán-Ramos, 2016), são base para analisar os dizeres dos participantes e os efeitos de sentido
das representações de velhice. A partir dos gestos interpretativos sobre o corpus, foi possível
observar que a experiência com a arte e a possibilidade de narrativização de si, podem incidir
na representação que o sujeito faz de si, podendo promover um giro em suas posições
discursivas, desencadeando um deslocamento das posições às quais as participantes
encontravam-se alienados. Consequentemente, é possível que esses participantes se enlacem
com o saber pela via de uma nova lógica discursiva, o que possibilitaria a construção de um
novo saber sobre si diante da velhice.
Abstract
Discussing old age in contemporary society remains a discomfort for many, as, according to
Sibilia (2011), being old in Western society often seems to be a denied right. The social death
of people aged 60+ intensified with the onset of the COVID-19 pandemic in Brazil in 2020. In
response to this situation, the extension project “Desabroche: The Art of (Re)signifying Old
Age” was created in 2020, aiming to provide an online space for individuals over 60 years old
to express themselves. In this space, discussions were initiated from artistic and cultural
productions on themes related to aging. These artistic productions were presented, analyzed,
and commented on by the participants aged 60+, inviting them to reclaim memories and
subjectively invest in them, thus enabling a (re)signification of the signifiers that confine the
subject within the representation of old age. As a mediator in this project, several concerns
emerged, leading to the following guiding questions for this research: To what extent can art
contribute to a (re)signification of old age for these individuals? How can self-narratives
promote a shift in the elderly’s discursive position? What are the effects of potential shifts in the
identification networks of elderly participants in the Desabroche project? Thus, this research
aims to investigate the process of (re)signifying the representation of old age for this group that
identifies or is identified as old, elderly, or part of the third age, among other labels attributed
to them, through art workshops and self-narrative practices, in order to facilitate changes in
their identity constitution, potentially allowing them to occupy new discursive positions. The
analysis material consists of a field diary, as well as the works produced by the participants.
Consequently, the corpus of this research is constructed from the Experience Reports (ER)
related to the events experienced in the Desabroche space. This is an intervention research with
a psychoanalytic orientation (Pereira, 2016), where the methodology for analysis and corpus
construction is based on psychoanalytic principles such as free association, identity
constitution, and transference. Additionally, the theoretical-methodological assumptions of
Psychoanalytic Discourse Analysis (Dunker; Paulon; Milán-Ramos, 2016) serve as a
foundation for analyzing the participants’ statements and the meaning effects of representations
of old age. From the interpretative gestures regarding the corpus, it was possible to observe
that the experience with art and the possibility of self-narrativization can influence the subject’s
representation of themselves, potentially promoting a shift in their discursive positions, leading
to a displacement from the positions to which the participants were previously alienated.
Consequently, it is possible that these participants engage with knowledge through a new
discursive logic, enabling the construction of new knowledge about themselves in the face of
old age.
Palavras-chave
Velhice, Old age, Escuta, Listening, (Res)siginificar, (Res)signification
Citação
MENEZES, Stella Ferreira. A arte de (res)significar experiências de si na velhice. 2024. 184 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2024.671.
Coleções
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto
