Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/15385
metadata.dc.type: Dissertação
metadata.dc.rights: Acesso Aberto
Title: O sujeito e suas confissões em O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst
metadata.dc.creator: Ferreira, Jaciane Martins
metadata.dc.contributor.advisor1: Fernandes, Cleudemar Alves
metadata.dc.contributor.referee1: Gama-khalil, Marisa Martins
metadata.dc.contributor.referee2: Sousa, Kátia Menezes de
metadata.dc.description.resumo: O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst, livro do qual retiramos o material eleito para constituir o corpus de nossa pesquisa de mestrado, traz a história de uma garota de oito anos que relata, em um diário, O caderno rosa, suas possíveis experiências sexuais com homens mais velhos. Ao laçarmos nosso olhar para a obra em foco, percebemos que se trata de uma escrita confessional. De acordo com Foucault (1998), no século XVII, a confissão foi imposta, pela Igreja Católica, como um meio de controle tornando-se, assim, uma maneira de a instituição saber o que se passava com as pessoas, inclusive no que diz respeito aos prazeres. A partir desse momento, o sexo começou a ser discursivizado. Nesse sentido, poderemos verificar a construção da sexualidade como objeto histórico e como produção de saber, analisando os procedimentos de controle e resistência na obra, pensando sobre a maneira como a memória pode ser recuperada, por meio de imagens evocadas a partir da justaposição de discursos. Buscaremos suporte nas reflexões de Courtine (1999), que rearticula, na direção apontada por Michel Foucault, os cruzamentos linguísticos com a história. Para nossa análise, partiremos da identificação dos enunciados nos extratos a serem analisados, usando os postulados de Foucault sobre enunciado. Para que se considere um conjunto de signos como enunciado, é preciso que a posição do sujeito-enunciador seja assinalada. Dessa forma, uma palavra ou frase pode ser usada da mesma maneira em momentos diferentes, podendo ser determinada como diferentes enunciados. Assim, ao deparar-se com um enunciado, o qual aponta para uma posição do sujeito sóciohistoricamente marcada, não se trabalha com a relação entre autor e obra, mas, de acordo com Foucault, procura-se determinar a posição que pode e deve ocupar cada indivíduo para ser sujeito. Posto isso, refletiremos sobre a memória a partir do que tais enunciados trazem à tona. Para tanto, basear-nos-emos no conceito de memória discursiva, proposto por Courtine (1999), como o que se estabelece devido a uma existência histórica do enunciado no interior de práticas discursivas e possibilita-nos alcançar uma maior interpretação do enunciado a ser lido. Objetivamos, também, à problematização d O Caderno Rosa e sua forma de confissão como escrita de si, investigando, assim, a maneira pela qual o sujeito de nossa pesquisa torna-se sujeito de seu próprio desejo e como essa relação se construiu de forma exterior para o interior e, depois, de uma forma interior para seu próprio interior, em um movimento de si para si. Ao olhar para a sua própria sexualidade, como nos coloca Foucault (1995), confessando-a, o indivíduo está em um momento de sujeição à sua própria sexualidade, constituindo-se como sujeito. Sob esse prisma, observar a si, de acordo com o referido autor, faz com que o indivíduo descubra, a partir de seu desejo, a verdade de si numa relação de si para consigo, fazendo-se sujeito de sua própria moral.
Abstract: In O Caderno Rosa de Lori Lamby (The Pink Book of Lori Lamby), by Hilda Hilst, book taken as corpus for our search, we listen to an eight-year-old girl s voice who writes about her sexual experience with an older man, on her diary. We consider the book as a confessional writing. By the 17th century, the Catholic Church started a job: transforming the sex in discourse via confession. The individual was incited to talk about sex, pleasure and the deepest desires to achieve the salvation. Thus, the sexuality was not denied but incited, organized, building a connection between the individuality and subjectivity. Furthermore, the sexuality is not deleted from the individual. From this perspective, we can verify the sexuality construction as a historical object and production of knowledge. Besides, analyzing the procedures of power and resistance from the book, we want to think about the ways that memory can be recalled through the images which come with the discourses produced, supported by Courtine (1999) who articulates, from the direction shown by Michel Foucault, the linguistics intersection with the History. Considering this theory position, we will identify the statements from the extracts taken for analysis. Thus, we will consider Foucault s postulates about the discursive formations. In accordance to Foucault s postulate, a group of formulations can be considered as a statement if the position of the subject is shown. Certainly a word or a phrase can appear in different times but at each moment it signifies a new meaning and can be understood as different statements. It is considered that when those formulations are reported as a statement, one does not analyze the relation between an author and its writings but, according to Foucault (2008), it determines what position can and must be occupied by any individual to be the subject of a statement. Starting from the selected statements and based on Courtine s theory, we will reflect about the memories which are established as an historical existence through the discursive practices. These memories, however, help us better understand the statement to be read. Afterwards, we aim to investigate O caderno rosa (The Pink Book ) and its form of confession as a kind of self writing, the way the subject of our search becomes subject of its desire and how this relationship happens from the exterior to the interior and, then, from its interior to his own inner. It has been considered by Foucault (1995) that when one looks to its own sexuality, confessing it, one constitutes as a subject. Looking to itself, the individual discovers, from its desire, its self truth in a relationship from self to self and makes itself subject of its own moral.
Keywords: Sujeito
Confissão
Memória
Escrita de si
Sexualidade
Subject
Confession
Memory
Self writing
Sexuality
Hilst, Hilda, 1930-2004 - Crítica e interpretação
Análise do discurso
metadata.dc.subject.cnpq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
metadata.dc.language: por
metadata.dc.publisher.country: BR
Publisher: Universidade Federal de Uberlândia
metadata.dc.publisher.initials: UFU
metadata.dc.publisher.department: Linguística Letras e Artes
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos
Citation: FERREIRA, Jaciane Martins. O sujeito e suas confissões em O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst. 2010. 89 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Letras e Artes) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010.
URI: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/15385
Issue Date: 30-Jun-2010
Appears in Collections:DISSERTAÇÃO - Estudos Linguísticos

Files in This Item:
File Description SizeFormat 
Diss Jaciane.pdf498.94 kBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.