Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/48566
Tipo do documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Título: Epistemologias do axé: corpo, memória e de(s)colonialidade na dança afro-brasileira
Título(s) alternativo(s): Epistemologies of Axé: Body, Memory, and De(s)coloniality in Afro-Brazilian Dance
Autor(es): Silva, Carlos Henrique Vidal Da
Primeiro orientador: Meira, Renata Bittencourt
Primeiro membro da banca: Costa, Daniel Santos
Segundo membro da banca: Nascimento, Edna Maria do
Resumo: “Exú matou um pássaro ontem com a pedra que só jogará amanhã.” A máxima iorubana anuncia uma concepção de tempo que desloca a linearidade e a causalidade, devolvendo à experiência o poder de produzir sentidos. É nessa dobra do tempo espiralar que esta pesquisa se inscreve. A dissertação investiga a dança de Orixá como linguagem de resistência, escrita de si e campo legítimo de produção de conhecimento, compreendendo o corpo afro-diaspórico como território de memória, criação e travessia, sustentado pelo axé e por cosmopercepções ancestrais que antecedem a lógica moderna ocidental. Ancorada na autoetnografia e na escrita performativa, a pesquisa articula rito, autobiografia, ficção e reflexão crítica, assumindo o corpo como arquivo vivo e operador epistemológico. A escrita constrói-se como experiência em espiral, rompendo com a linearidade temporal e metodológica para afirmar a encruzilhada como procedimento de criação e pensamento. As narrativas ficcionais, as vivências no terreiro e os processos artísticos desenvolvidos no projeto “Um Quê de Negritude” e no Coletivo Boca 07 constituem o corpus empírico, articulando cena, ritual e memória como campos indissociáveis de produção de saber. Em diálogo com autores como Martins (2021), Rufino (2019; 2023), Santos (2002; 2023), Silva (2016; 2021), Moura (2019), Prandi (2001), Bento (2022), Césaire (2021), Schucman (2014), Nogueira (2020), Lima (2023), Côrtes, Santos e Andraus (2020), Ferreira (2008; 2011) e Fernandes (2013), o estudo tensiona as estruturas da colonialidade e da branquitude que regulam os modos de legitimação nas artes cênicas brasileiras. A dança de Orixá é afirmada não como repertório técnico ou expressão folclórica, mas como prática contracolonial de invenção, pensamento e existência. Reconhecer as danças afro-brasileiras como sistemas complexos de conhecimento permite reposicionar a dança como linguagem viva de ancestralidade, em que o corpo é arquivo, encruzilhada e gesto de reconfiguração do tempo.
Abstract: “Exú killed a bird yesterday with the stone he will only throw tomorrow.” This Yoruba maxim announces a conception of time that disrupts linearity and causality, returning to experience the power to produce meaning. It is within this fold of spiral time that this research is situated. This dissertation investigates Orixá dance as a language of resistance, self-writing, and a legitimate field of knowledge production, understanding the Afro-diasporic body as a territory of memory, creation, and crossing, sustained by axé and ancestral cosmoperceptions that precede Western modern logic. Grounded in autoethnography and performative writing, the research articulates ritual, autobiography, fiction, and critical reflection, assuming the body as a living archive and an epistemological operator. The writing unfolds as a spiral experience, breaking with temporal and methodological linearity in order to affirm the crossroads as a procedure for creation and thought. The fictional narratives, experiences in the terreiro, and the artistic processes developed within the project “Um Quê de Negritude” and the Collective Boca 07 constitute the empirical corpus, articulating scene, ritual, and memory as inseparable fields of knowledge production. In dialogue with authors such as Martins (2021), Rufino (2019; 2023), Santos (2002; 2023), Silva (2016; 2021), Moura (2019), Prandi (2001), Bento (2022), Césaire (2021), Schucman (2014), Nogueira (2020), Lima (2023), Côrtes, Santos and Andraus (2020), Ferreira (2008; 2011), and Fernandes (2013), the study challenges the structures of coloniality and whiteness that continue to regulate modes of aesthetic, pedagogical, and epistemological legitimation in Brazilian performing arts. Orixá dance is affirmed not as a technical repertoire or folkloric expression, but as a contracolonial practice of invention, thought, and existence. Recognizing Afro-Brazilian dances as complex systems of knowledge allows dance to be repositioned as a living language of ancestry, in which the body becomes archive, crossroads, and a gesture of temporal reconfiguration.
Palavras-chave: Axé
Dança de Orixá
Corpo-memória
De(s)colonialidade
Tempo espiralar
Saberes ancestrais
Dance
Body–memory
De(s)coloniality
Spiral time
Ancestral knowledges
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::ARTES::DANCA
Assunto: Teatro
Dança - Orixás
Idioma: por
País: Brasil
Editora: Universidade Federal de Uberlândia
Programa: Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas
Referência: SILVA, Carlos Henrique Vidal da. Epistemologias do axé: corpo, memória e de(s)colonialidade na dança afro-brasileira. 2026. 560 f. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI: https://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.269.
Identificador do documento: http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.269
URI: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/48566
Data de defesa: 23-Fev-2026
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): ODS::ODS 4. Educação de qualidade - Assegurar a educação inclusiva, e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Aparece nas coleções:DISSERTAÇÃO - Artes Cênicas

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