Publicação: Constituir-se jovem: tensões e potências a partir de uma prática grupal
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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Os olhares sobre a(s) juventudes(s) compõem um cenário com diversos discursos e
concepções acerca do ser jovem em nossa sociedade, que vão desde compreensões
naturalizantes, bem como concepções que entendem a pluralidade das juventudes. Partindo
destas discussões, este estudo buscou compreender o processo de constituição de jovens a
partir de uma prática grupal. Para isso, propusemos a experiência de uma prática grupal que
aconteceu na clínica-escola de uma universidade no interior de Minas Gerais. A partir da lista
de espera, foram organizados dez encontros semanais ao longo do segundo semestre de 2018
com sete jovens. Buscamos inspirações na Psicologia Histórico-Cultural, em diálogo com os
marcadores sociais e a teoria da interseccionalidade para construirmos uma prática grupal em
um contexto de cuidado. A prática grupal foi compreendida como espaço que viabilizou a
escuta dos discursos dos sujeitos, bem como produziu afetações, tensões e potências,
transformando o campo do vivido em possibilidades outras de existência. Através de recortes
de cenas dos discursos das/os jovens que foram transcritas dos encontros, as análises foram
guiadas pela análise dos sentidos dos discursos. A partir dos encontros percebeu-se, que tanto
a normatividade, quanto a tendências dominantes de condições de gênero, étnico-raciais,
estética corporal e poder aquisitivo transversalizavam os discursos das/os jovens, produzindo
desigualdades, provocando a diminuição da potência de existir, levando-as/os a
reconhecerem-se como problema ou como produtores do próprio sofrimento, reduzindo
questões sociais (gênero, étnico-raciais, estética corporal e poder aquisitivo) ao âmbito do
individual, como se atender ou não a uma normativa fosse falta de esforço ou competência do
sujeito. Também ficou evidente que ao conseguirem denunciar como as desigualdades sociais
os afetam e ao encontrar nos encontros acolhimento, espaço de partilha do comum, elas/eles
passaram a ser e agir de modos outros, como: questionar e problematizar experiências que
viveram, abrir espaços para diálogos dentro de casa e com amigos, buscar por experiências
novas e fortalecer vínculos entre elas/eles próprios. Logo, nos é possível afirmar a prática
grupal como potente espaço para promoção de saúde ético-política e, portanto, de potência de
ação.
Abstract
The views over the youths compose a scenario with different discourses and conceptions
about being young in our society, ranging from naturalizing comprehensions, as well as
conceptions that understand the plurality of youths. Based on these discussions, this study
sought to understand the constitution process of young people from a practice group. For this,
we proposed the experience of a group practice that took place in the school clinic within an
university in the interior of Minas Gerais. From the waiting list, ten weekly meetings were
organized throughout the second half of 2018 with seven young people. We looked for
inspirations in Historical-Cultural Psychology, in dialogue with markers of social and the
theory of intersectionality to build a group practice in a care context. The group practice was
understood as a space that made it possible to listen to the subjects' speeches, as well as
produced affects, tensions and powers, transforming the field of the experiences lived into
others possibilities of existence. Through clippings of scenes from the speeches of the young
people that were transcribed from the meetings, the analyzes were guided by the analysis of
from the senses of the speeches. From the meetings, it was noticed that both the normativity,
as well as the dominant tendencies from conditions of gender, ethnic-racial, body aesthetics
and purchasing power transversalized the speeches of the young people, producing
inequalities, causing a decrease in the power of existing, leading them to recognize
themselves as a problem or as producers of their own suffering, reducing social issues
(gender, ethnic-racial, body aesthetics and purchasing power) to the individual, as if meeting
or not a standard was a lack of effort or competence of the subject. It was also evident that
when they were able to denounce how social inequalities affect them and when they found
welcoming, a space for sharing the common, they became and act in other ways, such as:
questioning and problematizing experiences they had lived, opening spaces for dialogues at
home and with friends, seeking new experiences and strengthening bonds between
themselves. Therefore, it is possible for us to affirm group practice as a potent space for
promoting ethical-political health and, therefore, of potency of action.
Palavras-chave
Prática Grupal, Jovens, Processo de produção de sentidos, Marcadores Sociais, Group Practice, Young, Process of producing senses, Social Marks
Citação
SEVERINO, Larissa Franco. Constituir-se jovem: tensões e potências a partir de uma prática grupal. 2020. 169 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2020.351
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