Publicação: Cursos do idiomas sem fronteiras inglês UFU: tecnologias digitais,
investimento e complexidade
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CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
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Resumo
Vivemos em tempos em que tecnologias digitais e o processo de aprendizagem de línguas
estão cada vez mais imbricados. A aprendizagem de inglês como língua adicional tem se
solidificado e este crescimento se deve à necessidade de aprendizagem de uma língua
franca. O ensino de inglês, foco deste trabalho, propicia um contexto de várias ações ou
políticas públicas ao se considerar a sala de aula como um espaço social que dialoga com
o mundo. Nesse contexto, foram criados programas como o Idiomas sem Fronteiras
(ISF), que demanda que os estudantes tenham um conhecimento mínimo sobre
tecnologias digitais durante o desenvolvimento de suas atividades. É desse contexto que
surge a inquietação para realizar esta pesquisa. Assim, busco compreender o papel das
tecnologias digitais para os aprendizes de inglês como língua adicional, bem como
pretendo investigar o investimento no processo de aprendizagem realizado pelos
aprendizes do IsF. Para tanto, contemplarei: a) a investigação sobre o investimento dos
participantes em sua aprendizagem de língua adicional; e, b) a análise da opinião do
aprendiz frente ao uso de tecnologias como ferramentas de aprendizagem. Deste modo,
irei responder às seguintes perguntas de investigação: 1) Qual o investimento dos alunos
do IsF-inglês UFU, participantes dessa pesquisa, sobre seus investimentos para a
aprendizagem de inglês? e 2) Qual é o papel das tecnologias digitais nesse processo de
investimento? Para que as questões que direcionam esta pesquisa sejam respondidas
adotei as premissas da Teoria do Investimento, que considera a relação sóciohistoricamente
construída dos aprendizes com uma língua adicional e seus desejos de
aprendê-la e praticá-la, e do Paradigma da Complexidade na aquisição de uma língua
adicional, que concebe esse processo como dinâmico, não-linear, caótico, imprevisível,
sensível às condições iniciais e ao feedback, aberto, auto-organizável e adaptativo. Tratase
de uma pesquisa de natureza qualitativa, cuja abordagem metodológica é o estudo de
caso, tendo como instrumentos de coleta, prioritariamente, questionários e autobiografias,
e de análise algumas ferramentas da Linguística de Corpus. Os resultados demonstram
que os participantes apresentam comportamentos diversos diante dos diferentes
momentos de aprendizagem e prática e essa diversidade demanda investimento e
adaptação. O investimento ou não depende da escolha do aprendiz de se se superar e
investir em sua prática ou se retrair e não evoluir como o desejado para alcançar seus
objetivos. Isto provoca influência direta na identidade do aprendiz que é (re)construída
na interação entre indivíduo, ambiente e elementos culturais. Os dados revelam que
alguns participantes demonstram ter necessidade e investem para aprender, apesar de não
existir o desejo de estudar a língua alvo; outros demonstram desejar aprender, mas não
investem na prática para o aprimoramento. Adicionalmente, para os aprendizes, as
tecnologias digitais são uma ferramenta que incrementa e facilita a aprendizagem, mas
não as consideram o meio principal nesse processo, apenas complementar. Diante deste
contexto, o entendimento do processo de aprendizagem de línguas deve ser pautado na
diversidade e não em modelos padronizados e homogeneizados. Concluo que o programa
é um sistema complexo e as ações dos seus elementos produzem reflexos nos
investimentos dos aprendizes e contribuem para o equilíbrio e o desequilíbrio do sistema.
Abstract
Digital technologies and the process of learning languages are deeply connected at present
times. Concurrently, learning English as an additional language has solidified over time
and this growth is due to the necessity of learning English as a global language. Both
teaching and learning English, the focus of this research, provide a context for multiple
actions or policies by considering the classroom a social space. In this context, programs
such as English without Borders (ISF) were created in Brazil. The program requires that
students have a minimum knowledge about digital technologies for the classes and
development of activities. From this context, my concern for this research emerges: I
intend to understand the role of digital technologies for learning English as an additional
language and I investigate the investment made by learners from ISF. In this proposal, I
include: a) a research about the participants investment in additional language and b) the
analysis of each learner\'s opinion towards the use of technology as a learning tool. As a
result, I try to answer these questions: 1) What is the investment of the students of ISFEnglish
UFU, participants in this research, when it comes to learning English? 2) What
is the role of digital technologies in this investment process? For the questions that guide
this research to be answered, I have adopted the premises of the Investment Theory, which
considers the socio-historically constructed relationship of apprentices with an additional
language and their desire to learn it and practice it, and the Complexity Paradigm in the
acquisition of an additional language, which sees this process as: dynamic, non-linear,
chaotic, unpredictable, sensitive to initial conditions and feedback, open, self-organizing
and adaptive. This is a qualitative research, whose methodological approach is the case
study, having as main collection instruments questionnaires and autobiographies, and
core analysis tools those of Corpus Linguistics. The results demonstrate that participants
have different behaviors on the different moments in the learning process and this
diversity demands adaptation and investment. The investment or not depends on the
choice of the learners to invest in their practice or withdraw and not evolve as desired to
achieve their goals. This causes direct influence on the learners identity which is
(re)constructed in the interaction between individual, environment and cultural elements.
The data reveal that some participants demonstrate the need and they make investments
tolearn, although there isn t a desire to study the target language; others demonstrate
desire but they don t make investments to learn.Aditionally, for learners, digital
technologies are a tool which helps and facilitates learning, but may not be considered
the main way to learn, just a complementary tool. Given this context, the understanding
of the language learning process should be based on diversity and not on standardized
and homogenized models. I conclude that the program is a complex system and the
actions of its members produce reflections on investments of apprentices and contribute
to the balance and the imbalance of the system.
Palavras-chave
Língua inglesa, Investimento, Complexidade, Tecnologias
digitais, English language, Investment, Complexity, Digital technologies, Língua inglesa, Aprendizagem, Professores e alunos
Citação
ROSA, Gisele da Cruz. Cursos do idiomas sem fronteiras inglês UFU: tecnologias digitais,
investimento e complexidade. 2015. 238 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Letras e Artes) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2015.517