Publicação: A auto-ajuda como interdiscursividade em O alquimista de
Paulo Coelho
Carregando...
Arquivos
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Área do conhecimento
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Esta pesquisa, intitulada A Autoajuda como Interdiscursividade em O Alquimista de
Paulo Coelho , tem por objetivo estabelecer de que forma o discurso de autoajuda
atravessa interdiscursivamente o corpus em análise, caracterizando-se como valor
estético de construção do discurso literário. Para desenvolver tal análise, balizamos
nossas leituras nos conceitos desenvolvidos pela Análise do discurso de linha francesa,
doravante AD, no que concerne a noções como Interdiscurso, Memória Discursiva e
Discurso Constituinte. Além disso, buscamos apoio na filosofia da linguagem
bakhtiniana para entender a noção de Dialogismo. A análise discursiva do romance O
Alquimista busca identificar de que forma o discurso de autoajuda atravessa
interdiscursivamente a obra e os efeitos estéticos que esse discurso constrói. Podemos
dizer que o discurso de autoajuda baliza os acontecimentos narrativos, pois sempre que
Santiago, um jovem pastor que teve um sonho repetido, esmorece na busca pelo tesouro
que viu em seu sonho, enunciados que constituem o discurso de autoajuda são
retomados na voz de outras personagens que, por sua experiência de vida e
conhecimentos adquiridos, são detentoras dos saberes de que Santiago necessita para
empreender sua jornada em busca da realização pessoal. O discurso de autoajuda se vale
de discursos constituintes, inclusive do próprio discurso literário, para sua construção.
Percebemos, então, que o discurso literário em análise é atravessado por diversos outros
discursos, como o discurso religioso e o discurso econômico-capitalista. Ao criar
histórias que retratam heróis que enfrentam as mesmas dificuldades que os seres
humanos, Paulo Coelho afasta-se do que os formalistas russos entendem por boa
literatura . Isso faz com que Paulo Coelho não seja bem visto pelos críticos de
literatura. No entanto, ao criar heróis que vivem as mesmas mazelas do homem
contemporâneo, Paulo Coelho capta a atenção do leitor, pois este se identifica com o herói, ao ver que os problemas enfrentados por ambos são os mesmos: insegurança,
falta de confiança em si mesmo, marasmo, vontade de realização pessoal, tudo isso
gerado por diversos acontecimentos históricos, sociais e econômicos que caracterizam o
mundo contemporâneo. Paulo Coelho vale-se do discurso de autoajuda, que é o discurso
que auxilia o homem contemporâneo na busca de sua identidade, para balizar as ações
de seu herói.
Abstract
This work, entitled The Self-Help as Interdiscursivity in The Alchemist by Paulo
Coelho , has as a goal to establish how the self-help speech crosses interdiscoursively
the corpus in analyses as an aesthetical asset/value to the construction of the literary
discourse. To develop this study, the readings were based on concepts of the Discourse
Analysis theory of the French school such as Interdiscourse, Discoursive Memory and
Constitutive Discourse. Furthermore, support was found in the bakhtinian philosophy of
language to understand Dialogism. The discoursive analysis of The Alchemist tries to
detect how the self-help discourse crosses interdiscoursively the novel and the
aesthetical effects built by this same discourse. It can be seen that the self-help
discourse grounds the narrative events. Every time Santiago the young pastor
weakens in the pursuit of the treasure seen in his recurrent dream, self-help statements
are re-stated through the voices of other characters. Those characters are embodied with
wisdom and the knowledge Santiago needs to start his journey towards personal
fulfillment. Here, the self-help discourse uses constitutive discourses, including its own
literary discourse, to be built. Therefore, the literary discourse being analyzed in this
work is crossed for several other discourses, such as religious and economical-capitalist
ones. When making up stories that create heroes who face same problems as regular
human beings, Paulo Coelho stays away from what Russian formalists understand as
being good literature . And that is what causes literary critics to consider the Brazilian
author as a poor writer/novelist. However, by making his heroes suffer the same males
as the ones suffered by the contemporary man, Paulo Coelho attracts the attention of the
reader. He or she identifies with the hero feeling insecure, lacking self-confidence,
boredom, long for self-fulfillment generated by historic, social and economical events that describe the contemporary world. Paulo Coelho uses the self-help discourse to build
his hero because this is what helps the modern man in the search for identity.
Palavras-chave
Interdiscurso, Literatura, Autoajuda, Paulo Coelho, Interdiscourse, Literature, Self-help, Literatura brasileira - História e crítica, O alquimista - Crítica e interpretação, Análise do discurso
Citação
RIBEIRO, Ivi Furloni. A auto-ajuda como interdiscursividade em O alquimista de
Paulo Coelho. 2009. 202 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Letras e Artes) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009.