Publicação: Padrões de germinação dos diásporos e emergência das plântulas de
espécies arbóreas do cerrado, do Vale do Rio Araguari, MG
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ECOLOGIA
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Resumo
Diásporos de espécies arbóreas apresentam características peculiares que, em conjunto com as
condições do ambiente, os faz responder de maneira distinta para a germinação e emergência.
Em função disso, objetivou-se estudar a germinação dos diásporos e a emergência das
plântulas de 19 espécies arbóreas do Cerrado ocorrentes do Vale do Rio Araguari, MG, em
condições controladas e de campo, na tentativa de encontrar padrões que permitam agrupálas.
Os diásporos foram submetidos aos testes de germinação ou de emergência, sob
condições controladas ou em condições de campo. As medidas de germinação e de
emergência analisadas nos experimentos sob condições controladas permitiram reunir as
espécies em dois grupos, um com as espécies rápidas e o outro com as lentas. De maneira
geral, as espécies foram heterogêneas em relação ao tempo para a ocorrência dos processos e
assíncronas, apresentando também variabilidade entre os indivíduos. Anadenanthera
colubrina, Astronium fraxinifolium, Ceiba speciosa, Dipteryx alata, Myracrodruon
urundeuva e Tapirira guianensis foram as mais rápidas e apresentaram porcentagem de
germinação entre 68 e 100% e de emergência entre 26 e 100%. Na germinação, A.
fraxilifolium e T. guianensis tiveram o menor tempo e a maior velocidade (to = 3 e 2; tf = 15 e
5; t = 4 e 3 dias e v = 0,415 e 0,492 dia-1, respectivamente) e na emergência, A. colubrina e
C. speciosa tiveram menores valores para essas medidas (t0 = 5 e 6; tf = 19 e 16; t = 8 e 9
dias e v = 0,179 e 0,362 dia-1, respectivamente). Aspidosperma cylindrocarpon, Cariniana
estrellensis, Cedrela fissilis, Enterolobium contortisiliquum, Genipa americana, Hymenaea
courbaril, Lithraea molleoides, Luehea divaricata, Machaerium acutifolium, Ormosia
arborea, Plathymenia reticulata, Pouteria torta e Sterculia striata se mostram lentas para
ambos os processos, com valores de porcentagem de germinação entre 4,0 e 87,5% e de
emergência entre 2,8 e 100%. Dentre essas espécies, L. molleoides e P. reticulata foram as
mais lentas para a germinação (tf = 210 e 330; t = 119 e 100 dias e v = 0,008 e 0,010 dia-1,
respectivamente), enquanto H. courbaril e O. arborea foram as mais lentas para a emergência
(t0 = 129 e 202; tf = 284 e 221; t = 225 e 212 dias e v = 0,004 e 0,005 dia-1, respectivamente).
As espécies e os indivíduos se agruparam no dendrograma e no PCA, em dois grupos
principais conforme a rapidez ou espalhamento da germinação e emergência. Em condições
de campo o comportamento dos diásporos para a emergência foi semelhante ao registrado em
ambiente controlado, sendo C. speciosa e M. urundeuva as mais rápidas (t0 = 14 e 14; tf = 24 e
18 e t = 16 e 16 dias, respectivamente); G. americana e S. striata as mais lentas (t0 = 39 e 32;
tf = 85 e 53 e t = 52 e 37 dias). C. speciosa, M. urundeuva, P. reticulata e S. striata tiveram
maior porcentagem de sobrevivência no entorno da mata semidecídua, enquanto para as
plântulas de G. americana, a sobrevivência foi maior no interior da mata. O espalhamento da
germinação dos diásporos ou a emergência das plântulas das espécies do Vale do Rio
Araguari esteve associado à dormência das unidades de dispersão.
Abstract
Diaspores of tree species have peculiar characteristics, which coupled with environmental
conditions, respond differently to germination and emergence. Therefore, the aim of this work
is to study germination of diaspores and seedling emergence of tree species occuring in the
Vale do Rio Uberlandia, MG, under controlled conditions and field conditions in an attempt
to find patterns that would allow to group them. The diaspores were tested for germination or
emergence under controlled conditions or under field conditions. The measures of the
analyzed germination and emergence in the experiments under controlled conditions allowed
a formation of two groups: one with fast species and the other with slow species. In general,
the species were heterogeneous regarding the time necessary for the processes to occur and
asynchronous, which also showed variability among individuals. Anadenanthera colubrina,
Astronium fraxinifolium, Ceiba speciosa; Dipteryx alata, Myracrodruon urundeuva and
Tapirira guianensis were the fastest and had percentage of germination between 68 and 100%
and emergency between 26 and 100%. Regarding germination, A. fraxilifolium and T.
guianensis took less time and were the fastest (t0 = 3 and 2; tf = 15 and 5; t = 4 and 3 days
and v = 0,415 and 0,492 day-1, respectively). Regarding the emergence, A. colubrina and C.
speciosa recorded the lowest values for these measures (t0 = 5 and 6; tf = 19 and 16; t = 8 and
9 days and v = 0,179 and 0,362 day-1, respectively). Aspidosperma cylindrocarpon;
Cariniana estrellensis, Cedrela fissilis, Enterolobium contortisiliquum, Genipa americana,
Hymenaea courbaril, Lithraea molleoides, Luehea divaricata, Machaerium acutifolium,
Ormosia arborea, Plathymenia reticulata; Pouteria torta and Sterculia striata proved to be
slow for both processes, with germination percentage values from 4,0 to 87,5% and
emergency from 2,8 to 100%. Among these species L. molleoides and P. reticulata were the
slowest to germinate (tf = 210 and 330; t = 119 and 100 days and v = 0,008 and 0,010 day-1,
respectively), while H. courbaril and O. arborea were the slowest to emerge (t0 = 129 and
202; tf = 284 and 221; t = 225 and 212 days and v = 0,004 and 0,005 day-1, respectively).
The species and the individuals were grouped in the dendrogram and the PCA, in two main
groups according to speed and spread of germination and emergence. In field conditions, the
behavior of the diasporess regarding the emergence was similar to the registered behavior in
the controlled environment, where C. speciosa and M. urundeuva were the fastest (t0 = 14 and
14; tf = 24 and 18 and t = 16 and 16 days, respectively) and G. americana and S. striata the
slowest (t0 = 39 and 32; tf = 85 and 53 and t = 52 and 37 days). C. speciosa, M. urundeuva,
P. reticulata and S. striata had the highest percentage of plant survival in the surroundings of
the semi-deciduous forest, while for the seedlings of G. americana, the survival was higher
inside the forest. The spread of germination of the diaspores or seedling emergence of species
in Vale do Rio Araguari was associated to dormancy in the dispersal units.
Palavras-chave
Espalhamento da germinação e emergência, Dormência, Agrupamento, Spread of germination, Dormancy, Grouping, Germinação, Flora dos cerrados - Araguari, Rio, Vale
(MG), Ecologia do cerrado
Citação
DORNELES, Marieta Caixeta. Padrões de germinação dos diásporos e emergência das plântulas de
espécies arbóreas do cerrado, do Vale do Rio Araguari, MG. 2010. 148 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010.