Publicação: A escrita na era da inteligência artificial: uma revisão bibliográfica sobre novos desafios para agência à luz da Linguística Aplicada
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CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
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Resumo
Esta dissertação investiga como a agência pode ser interpretada em processos de escrita mediados por Inteligência Artificial, com foco em estudos recentes da Linguística Aplicada. Partindo da concepção de escrita como prática social, conforme proposto por Street (1984) e Kleiman (1995), e articulando-a à noção de escrita como trabalho (Fiad, 1991) e à concepção de agência como capacidade de agir de forma intencional e situada (Bazerman, 2006), o estudo busca compreender se a agência é exclusivamente humana, indispensável ao uso da IA ou construída de forma compartilhada entre humano e máquina. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e interpretativista, baseada na revisão e análise de artigos acadêmicos publicados após a popularização de modelos de linguagem generativa, como o ChatGPT. A partir do corpus analisado, foram identificadas três categorias: (i) a agência humana potencializada pela IA como ferramenta, com mediação do professor; (ii) a agência humana indispensável para o uso da IA e (iii) a agência humana comprometida pelo uso da IA. Essas categorias permitiram mapear diferentes posicionamentos teóricos sobre o papel da IA na escrita e suas implicações para a construção de sentido. Os resultados indicam que, embora haja reconhecimento das potencialidades da IA como suporte à escrita, predomina, nos estudos analisados, uma perspectiva crítica, que aponta riscos de padronização e enfraquecimento da agência humana, conforme discutido por Buzato (2023). Ainda assim, os trabalhos não defendem a rejeição da tecnologia, mas enfatizam a necessidade de seu uso consciente, crítico e eticamente orientado. Nesse cenário, a Linguística Aplicada assume papel central na problematização dessas práticas, ao propor uma abordagem que considere não apenas os aspectos técnicos da escrita, mas também suas dimensões sociais, ideológicas e formativas.
Abstract
This dissertation investigates how agency can be interpreted in writing processes mediated by Artificial Intelligence, focusing on recent studies in Applied Linguistics. Drawing on the conception of writing as a social practice, as proposed by Street (1984) and Kleiman (1995), and articulating it with the notion of writing as work (Fiad, 1991) and the conception of agency as the capacity to act intentionally and in situated ways (Bazerman, 2006), the study seeks to understand whether agency is exclusively human, indispensable to the use of AI, or constructed collaboratively between humans and machines. Methodologically, this is a qualitative and interpretivist study based on the review and analysis of academic articles published following the popularization of generative language models, such as ChatGPT. Based on the corpus analyzed, three categories were identified: (i) human agency enhanced by AI as a tool, with teacher mediation; (ii) indispensable human agency for the use of AI; and (iii) human agency compromised by the use of AI. These categories made it possible to map different theoretical positions regarding the role of AI in writing and its implications for meaning-making. The results indicate that, although the potential of AI as a support for writing is recognized, a critical perspective predominates in the studies analyzed, pointing to risks of standardization and the weakening of human agency, as discussed by Buzato (2023). Nevertheless, the studies do not advocate rejecting the technology; rather, they emphasize the need for its conscious, critical, and ethically informed use. In this context, Applied Linguistics plays a central role in problematizing these practices by proposing an approach that considers not only the technical aspects of writing but also its social, ideological, and formative dimensions.
Palavras-chave
Inteligência Artificial, Escrita, Agência, Linguística Aplicada, Artificial Intelligence, Writing, Agency, Applied Linguistics
Citação
BRITO, Rosiely Caroline Gonçalves. A escrita na era da inteligência artificial: uma revisão bibliográfica sobre novos desafios para agência à luz da linguística aplicada. 2026. 104 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOIhttps://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.656.