Publicação: A dialética do medo: representação cinematográfica, blues e contestação histórica no filme Pecadores (Sinners)
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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O presente trabalho analisa de que modo o filme Pecadores (Sinners, 2025), dirigido por Ryan Coogler, mobiliza códigos da cultura afro-diaspórica para tensionar as estruturas históricas do racismo e da segregação no Sul dos Estados Unidos. Para tanto, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa e descritiva, fundamentada no método dialético, examinando a narrativa a partir de três eixos de tensão: Lei Escrita versus Palavra Cantada, Sagrado versus Profano e Memória versus Esquecimento. A análise demonstra que a obra subverte os tropos do Black Horror, utilizando o blues, a figura do griot e a oralidade não como elementos folclóricos, mas como tecnologias de sobrevivência e arquivos de memória. Os resultados indicam que o espaço do juke joint e a performance musical operam como territórios de resistência à violência das leis Jim Crow, enquanto a recusa da imortalidade vampírica pelos protagonistas simboliza a afirmação da humanidade e a rejeição à cooptação pelo sistema colonial. Conclui-se que o cinema, ao articular a memória ancestral e a oralitura, transcende a função de entretenimento para se consolidar como um arquivo vivo e uma ferramenta de emancipação política, permitindo a elaboração narrativa do trauma e a continuidade da identidade negra para além da morte física.
Abstract
This study analyzes how the film Sinners (2025), directed by Ryan Coogler, mobilizes codes of Afro-diasporic culture to tension the historical structures of racism and segregation in the Southern United States. To this end, the research adopts a qualitative and descriptive approach, grounded in Dialectical Method, examining the narrative through three axes of tension: Written Law versus Sung Word, Sacred versus Profane, and Memory versus Forgetting. The analysis demonstrates that the work subverts Black Horror tropes, utilizing blues, the figure of the griot, and orality not as folkloric elements, but as technologies of survival and archives of memory. The results indicate that the space of the juke joint and musical performance operate as territories of resistance against the violence of Jim Crow laws, while the protagonists' refusal of vampiric immortality symbolizes the affirmation of humanity and the rejection of co-optation by the colonial system. It is concluded that cinema, by articulating ancestral memory and orality, transcends the function of entertainment to consolidate itself as a living archive and a tool for political emancipation, allowing for the narrative elaboration of trauma and the continuity of Black identity beyond physical death.
Palavras-chave
cinema, representation, representação, blues, oralidade, Pecadores, blues, orality, Sinners
Citação
SILVA, Ana Carolina da. A dialética do medo: representação cinematográfica, blues e contestação histórica no filme Pecadores (Sinners). 2025. 58 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Jornalismo) — Universidade Federal de Uberlândia, 2025.
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