Publicação:
Colonialidade do saber e subjetividades interrompidas: a produção do fracasso discente da juventude negra

Carregando...
Imagem de Miniatura

Direito de acesso

Programa

Área do conhecimento

CNPQ::CIENCIAS HUMANAS

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Coorientador

Resumo

Este trabalho de conclusão de curso investiga, por meio de pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, as causas estruturais da evasão escolar de alunos negros na educação básica e os desafios de sua permanência no ensino superior no Brasil. Partindo de dados do IBGE que evidenciam a exclusão educacional da população negra, materializada em taxas de abandono, defasagem idade-série e sub-representação universitária, a pesquisa mobiliza referencial teórico que articula biopolítica (Foucault), necropolítica (Mbembe), dispositivo de racialidade (Carneiro), colonialidade do poder, do saber e do ser (Quijano, Mignolo, Dussel) e habitus (Bourdieu) para compreender o sistema educacional brasileiro como mecanismo de triagem social forjado em matrizes eurocêntricas. A análise de Sueli Carneiro (2005) permite compreender o racismo não como manifestação individual, mas como tecnologia estatal materializada no dispositivo de racialidade que hierarquiza vidas e define quais corpos merecem futuro. Aproximando-se de Mbembe (2017), a pesquisa argumenta que a exclusão educacional de jovens negros não constitui falha do sistema, mas expressão da necropolítica, entendida como poder soberano de expor certas populações à morte simbólica e material, tornando-as descartáveis. Nesse contexto, a escola pública opera como espaço de triagem que distingue fatores externos da evasão, como violência, trabalho precoce e desamparo familiar, dos fatores internos à dinâmica escolar, quais sejam: ambiente autoritário, normas rígidas e imposição de um "aluno ideal" (Silva; Alves, 2023; Aquino, 2016) que encontra desafios institucionais ao tentar dialogar com a realidade de estudantes negros, historicamente atravessados pelas heranças do colonialismo. Ao examinar a transição para o ensino superior, o trabalho apoia-se na pesquisa de Dyane Santos (2009) com alunos negros da Universidade Federal da Bahia. Os conceitos de permanência simbólica e habitus (Bourdieu) revelam como a universidade, estruturada por ethos elitista e eurocêntrico, impõe aos estudantes negros constante esforço de adaptação a códigos culturais estranhos, enquanto perpetua o epistemicídio compreendido como silenciamento sistemático de saberes, histórias e subjetividades afrodiaspóricas. O pensamento decolonial, representado por Quijano, Mignolo, Dussel e Lélia Gonzalez, demonstra que currículos e práticas pedagógicas, reféns de contratos coloniais, não apenas excluem materialmente, mas violentam simbolicamente ao negar o direito a uma educação que reconheça ancestralidade e potência. Por fim, a pesquisa analisa as Leis nº 10.639/03 e 11.645/08 como conquistas dos movimentos sociais e instrumentos de disputa por um projeto educacional decolonial. A partir de Borja e Pereira (2018), discute-se como tais legislações buscam romper com o viés eurocêntrico dos materiais didáticos e das narrativas históricas, propondo a incorporação obrigatória da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena. Conclui-se que o enfrentamento da evasão escolar de alunos negros exige não apenas políticas de acesso e permanência material, mas transformação epistêmica e pedagógica capaz de desestabilizar a colonialidade incrustada nas instituições de ensino e afirmar a pluralidade de saberes e existências que constituem a sociedade brasileira.

Abstract

Palavras-chave

Evasão escolar, Colonialidade, Epistemicídio, Racismo institucional

Citação

SOUSA FILHO, Carlos Roberto Pereira de. Colonialidade do saber e subjetividades interrompidas: a produção do fracasso discente da juventude negra. 2026. 62 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.

DOI

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por

Licença Creative Commons

Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto