Publicação: Mapeamento geológico, petrografia e geoquímica do granito Dourados associado ao Complexo Monte Carmelo, Douradoquara-MG
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CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIAS::GEOLOGIA::PETROLOGIA
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Resumo
Ao longo da Faixa Brasília Meridional, edificada no neoproterozoico a partir da amalgamação da porção oeste do Gondwana, são caracterizados corpos graníticos de diferentes tipos, tanto pré-colisionais quanto sin e pós-colisionais. O Complexo Monte Carmelo se trata de um batólito fortemente deformado, situado entre os municípios de Monte Carmelo-MG e Abadia dos Dourados-MG, com diferentes litotipos associados como monzogranito, sienito, granodiorito e tonalito. Sua origem é ligada a dois períodos distintos, sendo a de 790 Ma relacionada a granitos metaluminosos formados em ambiente de arco magmático e a de 630 Ma relacionada a granitos do tipo S sin-colisionais. O Granito Dourados, individualizado e caracterizado no presente trabalho, é aflorante nas margens do rio homônimo no município de Douradoquara-MG, sendo aqui classificado como um monzogranito peraluminoso e subdividido em três fácies graníticas a partir de mapeamento geológico em escala 1:25.000, descrição petrográfica e análise litogeoquímica. A fácies hololeucocrática representa uma pequena lente na borda noroeste do corpo e corresponde a biotita monzogranito com estrutura isotrópica e textura inequigranular média, havendo uma predominância de minerais félsicos como quartzo, microclínio e oligoclásio em relação aos filossilicáticos, como biotita e muscovita. A associação de fácies leucocrática é caracterizada pela predominância da fácies muscovita-biotita monzogranito em relação a fácies granada-muscovita-biotita monzogranito. Ambas possuem trama planar espaçada e anastomosada, com domínio de clivagem filossilicática envolvendo micrólitons quartzo-feldspáticos. A textura dessas fácies também é equivalente, sendo predominantemente equigranular fina a média, com pequenos termos inequigranulares. Dessa forma, a distinção entre elas se dá principalmente pela presença de granada em uma delas, que ocorre tanto passando para biotita quanto inclusa nos cristais de biotita, o que permite assim identificar minimamente duas fases de formação da biotita, assim como visto para a muscovita. A ocorrência secundária dos minerais filossilicáticos, somada à minerais opacos, epidoto, sericita e saussurita indica um processo hidrotermal potássico fortemente associado à intrusão do Granito Dourados, sendo visível também pelo comportamento da anomalia de K no mapa gamaespectométrico. O uso da gamaespectometria auxilia, além do mapeamento de processos pós-magmáticos, na delimitação do corpo granítico a partir das anomalias de Th e U, que são elementos menos móveis e presentes em minerais acessórios como a monazita. A intrusão granítica se aproveita da foliação das rochas metassedimentares do Grupo Araxá para se ascender, o que resulta em um contato difuso entre as unidades. O litotipo principal das encaixantes é representado por granada-muscovita-biotita xisto, que apresenta aumento
gradativo da quantidade de feldspato conforme a aproximação do Granito Dourados, além dos granada anfibolitos representando a porção metamáfica da melange ofiolítica do Grupo Araxá. A partir dos dados geoquímicos obtidos, pode-se afirmar que o Granito Dourados é pré a sin-colisional, gerado a partir da fusão crustal parcial de rochas metassedimentares em níveis crustais profundos, associados ao espessamento crustal em ambiente de arco vulcânico continental. O Granito Dourados pode ser classificado como cálcio-alcalino, com teores entre 66 a 70% de SiO2, alta porcentagem de Al2O3 e é enriquecido em elementos terras raras leves em relação aos pesados.
Abstract
Palavras-chave
Granito, Faixa Brasília meridional, Complexo Monte Carmelo, Mapeamento geológico, Descrição faciológica, Litogeoquímica, Granite, Southern Brasília belt, Monte Carmelo complex, Geological mapping, Facies description, Lithogeochemistry
Citação
FARIA, Arthur Rodrigues de. Mapeamento geológico, petrografia e geoquímica do Granito Dourados associado ao Complexo Monte Camelo, Douradoquara-MG. 2026. 96 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Geologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Monte Carmelo, 2026.