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ORCID:  http://orcid.org/0000-0001-9784-9788
Tipo do documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Título: Ancestralidade e identidade negra feminina em Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Alda Espírito Santo e Conceição Lima
Título(s) alternativo(s): Ancestry and Black Female Identity in Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Alda Espírito Santo, and Conceição Lima
Autor(es): Silva, Ana Rosária Soares da
Primeiro orientador: Benfatti, Flávia Andrea Rodrigues
Primeiro membro da banca: Denubila, Rodrigo Valverde
Segundo membro da banca: Tolomei, Cristiane Navarrete
Terceiro membro da banca: NIgro, Cáudia Maria Cenevina
Quarto membro da banca: Oliveira, Rubenil da Silva
Resumo: Esta tese investe na discussão acerca da produção literária de autoria negra feminina. A pesquisa mobiliza quatro vozes femininas fundamentais para a composição de um corpus que compreende as obras poéticas Poemas da Recordação e outros Movimentos de Conceição Evaristo (2021), Eu, Mulher Negra, Resisto de Alzira Rufino (1998), É nosso o solo Sagrado da Terra de Alda Espírito Santo (1978/2010) e A dolorosa raiz de Micondó de Conceição Lima (2012). De maneira articulada, a análise dessas produções evidencia a constituição de uma práxis intelectual que se alicerça na ancestralidade e na recuperação de legados de resistência contra a hegemonia branca, racista, classista e sexista, subproduto das estruturas de dominação do sistema colonial. Fundamentalmente, esta pesquisa postula a poesia como um dispositivo de existência capaz de desvelar e problematizar a complexa matriz de opressão histórica, evidenciando discursos poéticos que buscam desestabilizar e reconfigurar padrões epistemológicos tradicionalmente impostos à mulher negra nos âmbitos social, político e cultural. Amparada por um aporte teórico interdisciplinar que engloba estudos sobre ancestralidade, identidade, colonialidades, teorias pós-coloniais e feminismo negro interseccional, a tese busca contribuir para a visibilidade de uma literatura que estabelece um confronto epistemológico direto com as narrativas legitimadoras do colonialismo tanto no Brasil quanto no continente africano. Tais obras engajam-se na redefinição da subjetividade feminina negra, desmantelando imagens pré-estabelecidas a partir da corporeidade e da vocalidade marginalizadas, resultando na manifestação de uma nova epistemologia vivenciada pela “escrevivência” das autoras que promove a descolonização da fala e a inscrição de uma substância identitária de (re)existência. Portanto, o objetivo primordial desta tese consiste em analisar a escrita negra feminina sob o viés da ancestralidade como eixo de afirmação identitária, examinando sua incidência na configuração das subjetividades representadas. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em um amplo levantamento bibliográfico que integra autores como Joel Candau (2011,2021), Manuel Castells (2000), Kabengele Munanga (2006,2008), Neusa Santos Sousa (1983), Stuart Hall (2006,2014), Caio Prado Júnior (2000), Emília Viotti da Costa (1988), Aimé Césaire (2020), Frantz Fanon (2002,2008), Aníbal Quijano (2005), Lélia Gonzalez (1988,2020), Nelson Maldonado-Torres (2022), Walter Mignolo (2003,2014), Sueli Carneiro (2003,2019), Catherine Walsh, Grada Kilomba, Gloria Anzaldúa (2000), Kimberlé Crenshaw (2004), Carla Akotirene (2019), Patrícia Hill Collins (2002,2019) entre outros de igual relevância para a obtenção dos resultados. Nesse sentido, verificou-se que essas escritas constituem um ato de refundação identitária, na qual a dor do passado histórico é transmutada e metabolizada em uma força política e subjetiva essencial para a edificação de uma nova ordem de escopo existencial e social.
Abstract: This dissertation engages in a critical discussion of literary production authored by Black women. The study mobilizes four fundamental female voices in the composition of a corpus comprising the poetic works Poemas da Recordação e outros Movimentos by Conceição Evaristo (2021), Eu, Mulher Negra, Resisto by Alzira Rufino (1998), É nosso o solo Sagrado da Terra by Alda Espírito Santo (1978/2010), and A dolorosa raiz de Micondó by Conceição Lima (2012). Taken together, the analysis of these works highlights the constitution of an intellectual praxis grounded in ancestry and the recovery of legacies of resistance against white, racist, classist, and sexist hegemony—byproducts of the structures of domination inherent to the colonial system. Fundamentally, this research posits poetry as a device of existence capable of unveiling and problematizing the complex matrix of historical oppression, foregrounding poetic discourses that seek to destabilize and reconfigure epistemological standards traditionally imposed upon Black women within social, political, and cultural spheres. Supported by an interdisciplinary theoretical framework encompassing studies on ancestry, identity, colonialities, postcolonial theory, and intersectional Black feminism, this dissertation seeks to contribute to the visibility of a body of literature that directly confronts narratives legitimizing colonialism in Brazil and across the African continent. These works engage in redefining Black female subjectivity, dismantling pre-established images through marginalized corporeality and vocality, resulting in the emergence of a new epistemology experienced through the authors’ “escrevivência” (writing-as-lived-experience), which promotes the decolonization of speech and inscribes an identity substance of (re)existence. Therefore, the primary objective of this dissertation is to analyze Black women’s writing through the lens of ancestry as an axis of identity affirmation, examining its incidence in the configuration of the represented subjectivities. Methodologically, the research is grounded in an extensive bibliographic survey incorporating scholars such as Joel Candau (2011, 2021), Manuel Castells (2000), Kabengele Munanga (2006, 2008), Neusa Santos Sousa (1983), Stuart Hall (2006, 2014), Caio Prado Júnior (2000), Emília Viotti da Costa (1988), Aimé Césaire (2020), Frantz Fanon (2002, 2008), Aníbal Quijano (2005), Lélia Gonzalez (1988, 2020), Nelson Maldonado- Torres (2022), Walter Mignolo (2003, 2014), Sueli Carneiro (2003, 2019), Catherine Walsh, Grada Kilomba, Gloria Anzaldúa (2000), Kimberlé Crenshaw (2004), Carla Akotirene (2019), and Patricia Hill Collins (2002, 2019), among others of equal relevance to the attainment of the study’s results. In this regard, it was verified that these writings constitute an act of identity refoundation, in which the pain of the historical past is transmuted and metabolized into a political and subjective force essential to the construction of a new existential and social order.
Palavras-chave: Ancestralidade
Identidade negra feminina
Literatura
Colonialidade de gênero
Estudos Literários
Interseccionalidade
Ancestry
Black female identity
Gender coloniality
Intersectionality
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Assunto: Literatura
Idioma: por
País: Brasil
Editora: Universidade Federal de Uberlândia
Programa: Programa de Pós-graduação em Estudos Literários
Referência: SILVA, Ana Rosária Soares. Ancestralidade e identidade negra feminina em Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Alda Espírito Santo e Conceição Lima. 2026. 213 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.108.
Identificador do documento: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.79
URI: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/48617
Data de defesa: 27-Fev-2026
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): ODS::ODS 5. Igualdade de gênero - Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
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