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ORCID:  http://orcid.org/0009-0004-7173-6637
Tipo do documento: Trabalho de Conclusão de Residência
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Título: Perspectivas sobre a preservação de fertilidade em pessoas transgênero
Autor(es): Mendonça, Leticia Alves
Primeiro orientador: Ribeiro, Camila Toffoli
Resumo: A autonomia para decidir sobre reprodução e sexualidade é um direito humano fundamental. Entretanto, para pessoas transgênero, a terapia hormonal de afirmação de gênero (THAG) pode causar impactos irreversíveis na fertilidade desses pacientes. A THAG afeta a espermatogênese e a ovulação, com possibilidade de perda irreversível da fertilidade, sendo a preservação da fertilidade um tema relevante no cuidado à saúde dessa população. Este estudo observacional analítico de delineamento transversal aplicou um questionário a 88 usuários do Centro de Referência em Atenção Integral à Saúde Transespecífica (CRAIST) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, buscando compreender perspectivas sobre parentalidade, desejo reprodutivo e preservação da fertilidade, além de identificar fatores que influenciam as respostas. Entre os participantes, predominavam homens transexuais (65,9%), com menos de 29 anos (65,9%), heterossexuais (45,4%), em terapia hormonal (78,4%), com cinco ou mais anos de hormonização (45,6%), ensino médio completo (29,6%) e sem filhos (87,5%). Quanto à orientação sobre os efeitos da hormonioterapia na fertilidade, 69,3% relataram ter sido completamente informados. Em relação à preservação da fertilidade antes da terapia, 52,3% afirmaram que não retardariam a THAG para utilizar métodos de preservação, e 63,6% não gostariam de tê-los realizado antes de iniciar o tratamento. No estágio atual da hormonização, 68,2% negaram interesse em métodos de preservação. Sobre o desejo de ter filhos no futuro, 61,4% manifestaram interesse, embora 41% responderam que não pretendiam usar seus próprios gametas. Quanto à parentalidade com o parceiro atual, 31,8% informaram não ter parceiro e 36,4% desejariam ter filhos com carga genética própria ou do parceiro. A minoria demonstrou interesse em banco de gametas (28,4%), gestação (9,1%) ou amamentação (11,4%). Pessoas sem parceiro apresentaram 17,44 vezes mais chance (IC: 3,07–98,87, P = 0,001) de desejar ter filhos no futuro, e pessoas heterossexuais tiveram 3,52 vezes mais chance (IC: 1,04–11,88, P = 0,04). Escolaridade e já ter filhos no estágio atual do tratamento influenciaram marginalmente as respostas. Na questão aberta sobre fertilidade durante a hormonioterapia, surgiram diferentes percepções: alguns acreditavam que a fertilidade poderia ser restaurada se a THAG fosse interrompida; outros se consideravam inférteis devido ao uso prolongado da terapia; alguns aceitavam a redução da fertilidade como consequência necessária para realizar a THAG; e outros entendiam que a fertilidade poderia ser prejudicada, mas ainda seria possível gestar, com risco de gravidez não planejada. Pessoas trans enfrentam barreiras socioculturais, religiosas e legais que dificultam o acesso à preservação da fertilidade. Reduzir essas barreiras exige políticas públicas claras, maior capacitação de profissionais de saúde para comunicação assertiva e cuidado adequado, transformações sociais e maior representatividade da população trans em estudos e discussões sobre o tema.
Abstract: Patient’s autonomy regarding reproduction and sexuality is a fundamental human right. However, for transgender people, gender-affirming hormone therapy (GAHT) can cause irreversible impacts on fertility. GAHT affects spermatogenesis and ovulation, with possible irreversible fertility loss, wich makes fertility preservation a relevant issue in transgender’s healthcare. This cross-sectional analytical observational study applied a questionnaire to 88 patients of a Reference Center for Comprehensive Transgender Healthcare at the University Hospital of the Federal University of Uberlândia, seeking to understand perspectives on parenthood, reproductive desire and fertility preservation; and identify possible factors that influence the responses. Among the participants, transgender men predominated (65.9%), under 29 years old (65.9%), heterosexual (45.4%), undergoing hormone therapy (78.4%), with five or more years of hormone therapy (45.6%), completed high school education (29.6%), and without children (87.5%). Regarding guidance on the effects of hormone therapy on fertility, 69.3% reported having been fully informed. Regarding fertility preservation before therapy, 52.3% stated they would not delay GAHT to use preservation methods and 63.6% would not have wanted to do so before starting treatment. At the current stage of hormone therapy, 68.2% denied interest in preservation methods. Regarding the desire to have children in the future, 61.4% expressed interest, although 41% answered that they did not intend to use their own gametes. Regarding parenthood with their current partner, 31.8% reported not having a partner, and 36.4% expressed interest in having children with their own or their partner's genetic makeup. A minority showed interest in gamete banking (28.4%), pregnancy (9.1%), or breastfeeding (11.4%). People without a partner were 17.44 times more likely (CI: 3.07–98.87, P = 0.001) and heterosexual people were 3.52 times more likely (CI: 1.04–11.88, P = 0.04) to want their own offspring. Education level and already having children at the current stage of treatment marginally influenced the responses. In the open-ended question about fertility during hormone therapy, different perceptions emerged: some believed that fertility could be restored if GAHT were interrupted; others considered themselves infertile due to prolonged use of the therapy; some accepted the reduction in fertility as a necessary consequence of undergoing GAHT; others understood that fertility could be impaired, but it would still be possible to conceive, with the risk of unplanned pregnancy. Transgender people face sociocultural, religious and legal barriers that hinder access to fertility preservation. Clear public policies, proper training for health professionals for assertive communication and adequate care, social transformations and greater representation of the transgender population in studies and discussions on the subject are fundamental to overcome this barriers.
Palavras-chave: Pessoas transgênero
Terapia hormonal
Preservação da fertilidade
Saúde reprodutiva
Parentalidade
Transgender people
Hormone therapy
Fertility preservation
Reproductive health
Parenthood
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
Idioma: por
País: Brasil
Editora: Universidade Federal de Uberlândia
Referência: MENDONCA, Leticia Alves. Perspectivas sobre preservação de fertilidade em pessoas transgênero. 2026. 32 f. Trabalho de Conclusão de Residência (Residência em Ginecologia e Obstetrícia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
URI: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/48329
Data de defesa: 22-Jan-2026
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