Publicação: Análise dos desfechos das gestações em mulheres com lúpus eritematoso sistêmico a longo prazo no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica que acomete
predominantemente mulheres em idade reprodutiva, tornando a gestação um período
de alto risco. Apesar do amplo estudo dos desfechos obstétricos, ainda são limitados
os dados sobre a evolução clínica no período pós-gestacional tardio, especialmente
em populações brasileiras. O objetivo deste estudo foi descrever os desfechos
maternos e fetais, a atividade da doença, a ocorrência de flares, o dano orgânico
cumulativo e o manejo terapêutico no período pós-gestacional tardio de mulheres com
LES acompanhadas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.
Trata-se de um estudo longitudinal de coorte retrospectiva, que incluiu 27 mulheres
com LES que tiveram gestações entre 2017 e 2023. Observou-se elevada frequência
de prematuridade, histórico de abortamentos e flares pós-gestacionais, apesar da
baixa ocorrência de óbito fetal e neonatal. A maioria das pacientes apresentou baixa
atividade de doença no momento da avaliação, segundo o SLEDAI, e 55,6%
alcançaram status de remissão de acordo com a estratégia DORIS. O uso de
corticosteroides associou-se à ocorrência de flares no período pós-gestacional,
enquanto a hidroxicloroquina e a azatioprina não se associaram a desfechos maternos
ou neonatais desfavoráveis. Conclui-se que o acompanhamento longitudinal e
individualizado no período pós-gestacional é fundamental para o controle da atividade
da doença em mulheres com LES.
Abstract
Systemic lupus erythematosus predominantly affects women of reproductive age,
making pregnancy a high-risk period. Although obstetric outcomes have been
extensively studied, data on late post-pregnancy clinical outcomes remain limited,
particularly in Brazilian cohorts. To describe maternal and fetal outcomes, disease
activity, post-pregnancy flares, cumulative organ damage, and therapeutic
management in women with SLE during the late post-pregnancy period. A longitudinal
retrospective cohort study including 27 women with SLE followed at a tertiary
rheumatology outpatient clinic who experienced pregnancies between 2017 and 2023.
A high frequency of prematurity, lifetime abortion history, and post-pregnancy flares
was observed, despite low rates of fetal and neonatal death. Most patients had low
disease activity at the time of evaluation according to the SLEDAI, and 55.6% achieved
remission status based on the DORIS criteria. Corticosteroid use was associated with
post-pregnancy flares, whereas hydroxychloroquine and azathioprine were not
associated with adverse maternal or neonatal outcomes. These findings highlight the
importance of long-term and individualized follow-up after pregnancy to optimize
disease control in women with SLE.
Palavras-chave
systemic lupus erythematosus, lúpus eritematoso sistêmico, high-risk pregnancy, gestação de alto risco, post-pregnancy outcomes, pós-gestação, disease activity, atividade da doença
Citação
PORTO, Carolina Borborema. Análise dos desfechos das gestações em mulheres com lúpus eritematoso sistêmico a longo prazo no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. 2026. 32 f. Trabalho de Conclusão de Residência (Residência Médica em Reumatologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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