Publicação: Ponto médio de jejum noturno e sua relação com padrões crononutricionais, ingestão energética e de alimentos ultraprocessados: análise da POF 2017-2018
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Alves, Danielle Fernandes
Resumo
Introdução: O jejum promove adaptações metabólicas, como gliconeogênese e o uso de
corpos cetônicos como fonte de energia. O horário do jejum influencia respostas
metabólicas, evidenciando a relação entre ritmo circadiano e metabolismo. A
crononutrição, campo que relaciona os ritmos biológicos aos horários das refeições,
demonstra que padrões alimentares tardios prejudicam a homeostase energética. Além
disso, a ingestão de alimentos ultraprocessados (UPP) impacta negativamente a saúde
metabólica e aumenta o risco de doenças crônicas. O objetivo deste estudo é investigar a
relação do ponto médio do jejum noturno com os padrões crononutricionais, consumo
energético, macronutrientes e alimentos processados na população brasileira, com base
nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018. Métodos: Estudo
transversal com 29.717 adultos da POF 2017–2018. Os padrões crononutricionais,
incluindo horário da primeira refeição, horário da última refeição, ponto médio da
alimentação, ponto médio calórico e total de calorias consumidas a partir das 18h, foram
avaliados a partir de dois recordatórios de 24h. O ponto médio do jejum noturno foi
calculado como o horário central entre a última refeição do dia anterior e a primeira
refeição do dia seguinte, sendo descrito pela mediana e categorizado em jejum precoce
(PMJ ≤ 2:14h) e jejum tardio (PMJ ≥ 2:15h). Foram utilizados modelos de regressão para
analisar associações com o consumo energético, de macronutrientes e com o grau de
processamento dos alimentos. Resultados: Indivíduos com ponto médio de jejum mais
tardio apresentaram início da primeira refeição significativamente mais tarde (08h36 vs.
07h01; p < 0,001), término da última refeição mais tardio (22:01h vs. 19:41h; p < 0,001)
e maior ingestão calórica após às 18h (849,0 kcal vs. 732,8 kcal; p < 0,001). A análise de
regressão linear múltipla mostrou que o ponto médio de jejum tardio se associou
positivamente ao consumo total de energia (β = 22.9 kcal; IC95%: 7,6; 38,3), carboidratos
(β = 13,8 g; IC95%: 6,2; 21,4) e lipídios (β = 8,7 g; IC95%: 4,1; 13,3), bem como ao
consumo de UPP (β = 1,6%; IC95%: 1,1; 2,1). De forma inversa, verificou-se associação
negativa com o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados (β = -0,9%;
IC95%: -1,2; -0,5) e de ingredientes culinários processados (β = -0,3%; IC95%: -0,4; -
0,2). Conclusão: Indivíduos com ponto médio de jejum mais tardio apresentaram padrões
alimentares mais tardios, maior consumo calórico e de UPP, e menor consumo de
alimentos in natura ou minimamente processados.
Abstract
Introduction: Fasting promotes metabolic adaptations, such as gluconeogenesis and the
use of ketone bodies as an energy source. The timing of fasting influences metabolic
responses, highlighting the relationship between circadian rhythm and metabolism.
Chrononutrition, the field that links biological rhythms to meal timing, demonstrates that
late eating patterns impair energy homeostasis. Moreover, the intake of ultra-processed
foods (UPFs) negatively impacts metabolic health and increases the risk of chronic
diseases. The aim of this study was to investigate the relationship between the midpoint
of nocturnal fasting and chrononutritional patterns, energy intake, macronutrients, and
processed foods in the Brazilian population, based on data from the 2017–2018
Household Budget Survey (POF).Methods: A cross-sectional study was conducted with
29,717 adults from POF 2017–2018. Chrononutritional patterns, including the timing of
the first meal, timing of the last meal, midpoint of intake, caloric midpoint, and total
calories consumed after 6:00 PM, were assessed using two 24-hour dietary recalls. The
midpoint of nocturnal fasting was calculated as the central time between the last meal of
the previous day and the first meal of the following day, described using the median and
categorized as early fasting (PMF ≤ 2:14 AM) and late fasting (PMF ≥ 2:15 AM).
Regression models were used to analyze associations with energy intake, macronutrients,
and degree of food processing.Results: Individuals with a later fasting midpoint (≥ 2:15
AM) had a significantly later start of the first meal (08:36 vs. 07:01; p < 0.001), later end
of the last meal (22:01 vs. 19:41; p < 0.001), and higher caloric intake after 6:00 PM
(849.0 kcal vs. 732.8 kcal; p < 0.001). Multiple linear regression analysis showed that a
later fasting midpoint was positively associated with total energy intake (β = 22.9 kcal;
95% CI: 7.6, 38.3), carbohydrate intake (β = 13.8 g; 95% CI: 6.2, 21.4), and lipid intake
(β = 8.7 g; 95% CI: 4.1, 13.3), as well as UPF consumption (β = 1.6%; 95% CI: 1.1, 2.1).
Conversely, negative associations were observed with consumption of unprocessed or
minimally processed foods (β = -0.9%; 95% CI: -1.2, -0.5) and processed culinary
ingredients (β = -0.3%; 95% CI: -0.4, -0.2). Conclusion: Individuals with a later fasting
midpoint exhibited later eating patterns, higher caloric and UPF consumption, and lower
intake of unprocessed or minimally processed foods.
Palavras-chave
Jejum, Fasting, Horário de alimentação, Meal timing, Crononutrição, Chrononutrition, Alimentos ultraprocessados, Ultra-processed foods
Citação
PEREIRA, Anna Carla Alves. Ponto médio de jejum noturno e sua relação com padrões crononutricionais, ingestão energética e de alimentos ultraprocessados: análise da POF 2017-2018. 2025. 27f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.
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