Publicação: Inovação ou Importação? A Doutrina do Choque e o Conflito Israelo-Palestino
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CNPQ::OUTROS::RELACOES INTERNACIONAIS
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Resumo
Baseando-se em uma premissa bíblica, o projeto sionista surgiu no final do século XIX, na Europa,
com o propósito de criar e consolidar um Estado de maioria judaica na Palestina. Para isso,
utilizou-se contra o povo palestino, processos de colonização, mecanismos de expulsão e uso
sistemático de violência — fatores que culminaram na eclosão do conflito israelo-palestino, que
entre momentos de maior e menor intensidade, segue em curso desde as primeiras rebeliões
palestinas, na década de 1920. Com o agravamento das tensões e a intensificação das ofensivas
israelenses, especialmente a partir da retórica global de combate ao terrorismo nos anos 2000,
observa-se um renovado esforço de Israel por novas estratégias e táticas militares, sociais,
econômicas e simbólicas a garantir vantagens no conflito. Nesse sentido, a instrumentalização —
e, em muitos casos a amplificação — de crises tornaram-se táticas para intensificar o projeto
neocolonial sionista, visando alcançar a solução final de um Estado puramente judeu,
demonstrando a aplicação prática da Doutrina do Choque proposta por Naomi Klein. Diante desse
cenário, este trabalho investiga: como a Doutrina do Choque foi implementada no conflito israelo
palestino e em que medida essa aplicação pode ser compreendida como um laboratório de choque
ou como uma importação do modelo estadunidense? A pesquisa adota uma abordagem qualitativa,
teórico-documental e histórica, argumentando que Israel atua como um verdadeiro laboratório de
choque, apropriando-se de estratégias neoliberais e militares para legitimar e consolidar seu projeto
colonial, ampliando os mecanismos repressivos sob a justificativa de combate ao terrorismo.
Abstract
Grounded in a biblical premise, the Zionist project emerged in the late nineteenth century in Europe
with the aim of creating and consolidating a Jewish-majority state in Palestine. To this end, it
employed processes of colonization, mechanisms of expulsion, and the systematic use of violence
against the Palestinian people — factors that culminated in the outbreak of the Israeli-Palestinian
conflict, which, through moments of greater and lesser intensity, has persisted since the first
Palestinian uprisings in the 1920s. With the escalation of tensions and the intensification of Israeli
offensives, particularly following the global counterterrorism rhetoric of the 2000s, Israel has
undertaken renewed efforts to develop military, economic, and symbolic strategies and tactics
aimed at securing advantages in the conflict. In this context, the instrumentalization — and, in
many cases, the amplification — of crises have become tactics to intensify the Zionist neocolonial
project, seeking to achieve the final solution of a purely Jewish state, thereby demonstrating the
practical application of Naomi Klein’s Shock Doctrine. Against this backdrop, this study
investigates how the Shock Doctrine has been implemented in the Israeli-Palestinian conflict and
to what extent this application can be understood as a “shock laboratory” or as an importation of
the U.S. model. The research adopts a qualitative, theoretical-documentary, and historical
approach, arguing that Israel functions as a true shock laboratory, appropriating neoliberal and
military strategies to legitimize and consolidate its colonial project, expanding repressive
mechanisms under the justification of counterterrorism.
Palavras-chave
Doutrina do Choque, Shock Doctrine, Israel, Israel, Palestina, Palestine, Conflito, Conflict, Capitalismo de Desastre, Disaster Capitalism
Citação
SOUZA, Marcella Basílio de. Inovação ou importação? A Doutrina do Choque e o Conflito Israel-Palestino. 2025. 97 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Relações Internacionais) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.
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