Publicação: Tempo de exposição à Prednisona e níveis de glicose sanguínea em pacientes com Hanseníase
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Antunes, Douglas Eulálio
Resumo
Introdução: Os pacientes portadores de hanseníase podem apresentar reações hansênicas que
estão associadas à hipersensibilidade aos antígenos do Mycobacterium leprae. As reações
podem ser do tipo 1 e/ou do tipo 2. No tratamento das reações hansênicas é comumente utilizada
a prednisona que possui efeitos adversos diretamente associados ao tempo de exposição/uso,
dentre os quais destacam-se os efeitos metabólicos como dislipdemias e alterações nos níveis
glicêmicos. O uso de glicocorticoides pode causar hiperglicemia e, consequentemente, acarretar
Diabetes Mellitus Induzido por Glicocorticoides (DMIG). Objetivo: Analisar a relação entre a
potencial ocorrência de disglicemia e o tempo acumulado de exposição à prednisona, em
pacientes sob o tratamento de reações hansênicas do Tipo 1 e, para casos reservados, do Tipo 2
no centro de referência nacional entre os anos de 2018 a 2020. Método: Trata-se de um estudo
observacional do tipo transversal, envolvendo uma amostra de 75 pacientes com hanseníase,
acometidos por reações hansênicas, selecionados a partir de uma população de 148 pacientes,
por meio de amostragem não-probabilística. Empregou-se o teste binomial para analisar a
presença de associação entre grupos e os fatores demográficos/epidemiológicos dos
participantes da pesquisa. O teste de Mann-Whitney foi realizado para comparar as diferenças
entre medianas das variáveis hematológicas e bioquímicas, no intragrupo, dos pacientes
Prednisona + (sob uso de prednisona) e Prednisona - (sem uso de prednisona). Resultados:
Houve associação entre a forma clínica dimorfa-tuberculoide e o grupo exposto à prednisona
por tempo ≤ 4 meses (41,9%; 13/31) quando comparado aos grupos expostos por até 8 meses
(p=0,0270) e aqueles que utilizaram por período > 12 meses esse corticoide (0,0261). De modo
semelhante, a forma clínica dimorfo-virchowiana também esteve associada ao grupo exposto a
prednisona por período > 12 meses (46,12%) na comparação com o grupo exposto por tempo
≤ 4 meses (p=0,0163). Nos grupos que utilizaram prednisona por período de até 12 meses e por
tempo >12 meses, após o tempo acumulado completo, ocorreu tolerância diminuída à glicose
com medianas acima do LSC (≥100mg/dL). Após o tempo completo de exposição, a
comparação entre medianas dos níves da glicemia sérica naqueles pacientes do mesmo grupo
(>12 meses de uso da prednisona) sob diferentes status, Prednisona+ (Md:101mg/dL,
Min.:74mg/dL, Max.:137mg/dL) versus Prednisona- (Md:76mg/dL, Min.:66mg/dL,
Max.:99mg/dL), mostrou diferença estatisticamente significativa (p=0,0176). Conclusão:
Esses achados mostraram a influencia da prednisona a longo prazo na história clínica dos
pacientes reacionais quanto a ocorrência de disglicemia. Portanto, deve-se atentar para uma
futura implementação de protocolos assistenciais capazes de diagnosticar precocemente
possíveis alterações metabólicas no decorrer do tratamento e evitar alterações irreversíveis
como o desenvolvimento de DMIG
Abstract
Palavras-chave
Hanseníase, Diabetes mellitus, Prednisona
Citação
THOMAZELLI, Jaqueline Andreoli. Tempo de exposição à Prednisona e níveis de glicose sanguínea em pacientes com Hanseníase. 2022. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2022.
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