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Mulheres em situação de rua e os limites da cidadania burguesa

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CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS

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Resumo

Essa dissertação procurou analisar os limites da cidadania burguesa, a partir da vivencia de mulheres em situação de rua no município de Uberlândia (MG). Este recorte é relevante, para que se identifique, de maneira mais expressiva, a distância entre a igualdade formal e substantiva e a impropriedade de se pensar em direitos civis, políticos e sociais para grupos, que, na sociedade capitalista, ainda precisam conquistar o direito a ter direitos. Para tal intento, foi realizada uma pesquisa de campo com dez mulheres, no equipamento público-privado denominado grupo Ramatiz, voltado a população em situação de rua em Uberlândia. A partir de uma crítica ao conceito de cidadania proposto por Marshall, sobretudo a sua concepção da cidadania como um status em contínua progressão. Discorremos aqui sobre a falácia burguesa da proposta de universalidade, falácia esta evidenciada de maneira exemplar no caso das mulheres em situação de rua. Que as quais também formam o lumpemproletariado brasileiro, definido pela figura do pária indiano por vivenciarem todo tipo de opressão e estratificação social possível. Desta forma, a argumentação desta pesquisa, se pauta no fato de que estas mulheres, excluídas, na sua maioria, das possibilidades de absorção oferecidas pelo mercado, nem mesmo para exército de reserva, são condicionadas à invisibilidade social, consequentemente, tendo suas particularidades ignoradas, por comporem uma demanda que não configura nos interesses da agenda do Estado burguês. Portanto, a estas, resta somente o status de “cidadania invertida” onde o acesso sempre está condicionado ao auxílio de terceiros, tornando impossível qualquer tipo de emancipação, mesmo a política, pleiteável aos que “produzem” visto que ser cidadão na sociedade burguesa, consiste em ter um lugar na produção, algo muito distante da realidade das mulheres em situação de rua, sobretudo em um contexto neoliberal.

Abstract

This dissertation sought to analyze the limits of bourgeois citizenship, from the experience of homeless women in the city of Uberlândia (MG). This cut is relevant, in order to identify, more expressively, the distance between formal and substantive equality and the impropriety of thinking about civil, political and social rights for groups that, in capitalist society, still have to conquer the right. to have rights. For this purpose, a field research was conducted with ten women, in the public-private equipment called Ramatiz group, aimed at the homeless population in Uberlândia. From a critique of the concept of citizenship proposed by Marshall, especially his conception of citizenship as a status in continuous progression. We discuss here the bourgeois fallacy of the universality proposal, a fallacy evidenced in an exemplary way in the case of homeless women. Which also form the Brazilian proletarian lumpem, defined by the figure of the Indian outcast because they experience every kind of oppression and social stratification possible. Thus, the argument of this research is based on the fact that these women, mostly excluded from the absorption possibilities offered by the market, not even to the reserve army, are conditioned to social invisibility, consequently having their particularities ignored. , for composing a demand that does not configure in the interests of the agenda of the bourgeois state. Therefore, to these, only the status of “inverted citizenship” remains, where access is always conditioned to the help of third parties, making any kind of emancipation, even politics, impossible for those who “produce” since being a citizen in bourgeois society, It consists in having a place in production, something far removed from the reality of homeless women, especially in a neoliberal context.

Palavras-chave

Mulher em situação de rua, Homeless woman, Cidadania, Citizenship, Universalidade, Universality, Pária, Outcast

Citação

LOPES, Rafael. Mulheres em situação de rua e os limites da cidadania burguesa. 2019. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia 2021. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2019.2516

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