Publicação: Metódos não farmacológicos para alívio da dor e risco de cesárea: um estudo coorte retrospectivo
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Introdução: A alta prevalência de cirurgia cesariana é um grave problema de saúde
pública mundial, ao qual tem-se associado um considerável risco de complicações
materno-neonatais. Uma ampla gama de intervenções para reduzir esses altos
índices de cesárea tem sido descrita na literatura. Métodos não farmacológicos para
alívio da dor durante o trabalho de parto têm-se demonstrado uma alternativa
promissora para esse fim. Apesar das evidências dos benefícios desses métodos,
poucos estudos analisaram sua associação com a via de nascimento e
complicações maternas e neonatais, a ela associados. Objetivo: Analisar o impacto
do uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de
parto das mulheres atendidas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de
Uberlândia (HCU-UFU) sobre a via de nascimento e complicações materno-neonatais. Material e métodos: Coorte retrospectiva com prontuários de mulheres
admitidas em trabalho de parto espontâneo ou para indução de trabalho de parto no
HCU-UFU, no período de 01 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2017. Os
prontuários foram identificados por meio do uso dos seguintes códigos da 10ª
Classificação Internacional de Doenças (CID-10): O80, O81, O82, O84.0, O84.1 e
O84.2. Análises descritivas foram utilizadas para caracterização da população.
Dados perdidos foram recuperados por meio de imputação múltipla aleatória.
Realizamos regressão logística ajustada para características sociodemográficas e
obstétricas maternas, a fim de analisar as chances das mulheres pertencerem ao
grupo de cada desfecho materno-neonatal. Estimamos Risk Ratio (RR), por meio de
modelos de regressão logística sem ajustes e ajustados para características
sociodemográficas e obstétricas maternas, a fim de analisar os efeitos do uso de
métodos não farmacológicos para alívio da dor e correlacioná-los aos desfechos
materno-neonatais. Resultados: Foram analisados 5.293 prontuários de mulheres
internadas em trabalho de parto espontâneo ou para indução do trabalho de parto.
Desses, 2.006 (37,9%) apresentaram registro do uso de métodos não
farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto: 1.582 (78,9%)
registros de banho morno no chuveiro, 1.281 (63,9%) de bola suíça, 352 (17,5%) de
variedade de posições, 175 (8,7%) de massagem relaxante e 97 (4,8%) da técnica
da respiração orientada. Do total de prontuários analisados, 2.196 (41,5%) referiam-se a cirurgia cesariana e 448 (8,5%) apresentaram registro de alguma complicação materno-neonatal. O uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor reduziu
em aproximadamente 73% (RR 0,27; IC95% 0,24 - 0,31) o risco de cirurgia
cesariana mas, não interferiu na ocorrência de complicações materno-neonatais (RR
0,89; IC95% 0,71 - 1,13). Conclusão: Apesar do uso infrequente dos métodos não
farmacológicos durante o trabalho de parto, o uso desses métodos contribuiu
significativamente para a redução do risco de cirurgia cesariana. Esse é um achado
particularmente importante em cenários de alta prevalência de cirurgia cesariana,
como no nosso hospital. Embora essa prática não interfira no risco de complicações
materno-neonatais, estratégias de incentivo ao uso desses métodos, como a
implementação de modelos de cuidados colaborativos, devem ser encorajadas para
reduzir a ocorrência de cesáreas desnecessárias. Estudos posteriores sobre a
eficácia de cada método, podem auxiliar profissionais de saúde na oferta de
métodos mais apropriados a cada fase do trabalho de parto.
Abstract
Introduction: The high prevalence of caesarean sections is a difficult global public
health problem with which several maternal and neonatal complications have been
associated. A wide range of interventions to reduce the high rate of caesarean
sections is described in the literature. Among them, non-pharmacological labour pain
management methods seem to be an interesting strategy for this purpose. Despite
evidence on the benefits of these methods, few studies analysed the association of
these methods with maternal and neonatal complications. Objective: To analyse the
impact of non-pharmacological labour pain management methods on delivery mode
and maternal/neonatal complications among women admitted for labour at the
Federal University of Uberlandia hospital (HCU-UFU). Methods: Retrospective
cohort comprising medical records from all women who had spontaneous labour or
were submitted to induction or augmentation of labour at the University Hospital of
the Federal University of Uberlandia (HCU-UFU) between January 1, 2013 and
December 31, 2017. Medical records were selected based on the following
International Classification of Disease (ICD-10) codes: 080, 081, 084.0, O84.1 or
O84.2. We used descriptive analysis to characterize the study population and
adjusted logistic regression to compare maternal sociodemographic and obstetric
characteristics according to delivery mode and presence of maternal and/or neonatal
complications. Multiple imputation was used to handle missing data. To assess the
effects of non-pharmacological labour pain management methods and to correlate
them to the study outcomes, we estimated the RR using unadjusted ratios in logistic
regression models and adjusted ratios for maternal sociodemographic and obstetric
characteristics. Results: We analysed 5,293 medical records of women who had
spontaneous delivery or were submitted to induction or augmentation of labour. Of
these, 37.9% had the use of a non-pharmacological labour pain management
method registered: 1,582 (78.9%) women took warm shower baths, 1,281 (63.9%)
used the Swiss ball, 352 (17.5%) tried different positions, 175 (8.7%) received
relaxing massages, and 97 (4.8%) received guidance on appropriate breathing
techniques. From the total of medical records analysed, 2,196 (41.5%) referred to
caesarean sections and 448 (8.5%) had some maternal and/or neonatal complication
registered. The use of non-pharmacological methods reduced the risk of caesarean
sections in approximately 73% (RR 0.27; 95% CI 0.24 - 0.31), but did not have a detectable impact on the occurrence of maternal and neonatal complications (RR
0.89; 95% CI 0.71 - 1.13). Conclusion: Despite its low prevalence, the use of nonpharmacological labour pain management methods proved to be a significant factor
to decrease the risk caesarean section. This is an important finding, especially in
scenarios with high rates of caesarean sections like ours. Although this practice did
not have an impact on the occurrence of maternal and neonatal complications,
strategies to encourage the use of these methods should be encouraged to reduce
the occurrence of unnecessary caesarean sections. Further studies to identify the
efficacy of each method may help health professionals to offer more appropriate
methods at different stages of labour.
Palavras-chave
Trabalho de parto, Manejo da dor, Cesárea, Complicações obstétricas, Terapias complementares, Ciências Médicas, Cesariana, Parto, Dor, Parto (Obstetrícia), Labour pain, Pain management, Caesarean section, Obstetric labour complications, Complementary therapies
Citação
RODRIGUES, Vanessa Aparecida Domingos da Silva. Métodos não farmacológicos para alívio da dor e risco de cesárea: um estudo coorte retrospectivo. 2019. 85 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2019. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2019.1283