Publicação: Efeito da alternância dos turnos de trabalho sobre o consumo alimentar de trabalhadores rodiziantes
Carregando...
Arquivos
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::NUTRICAO
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Introdução: Estudos têm descrito hábitos alimentares não saudáveis e
horários de refeições irregulares entre trabalhadores em turnos. Entretanto, o
impacto da rotação entre os horários de trabalho diurno, vespertino e noturno e
os dias livres, dentro de um curto período de tempo, no padrão de consumo
alimentar é pouco abordado na literatura. Objetivo: Avaliar o efeito da rotação
de turnos na duração do consumo alimentar, do inglês “eating duration” (ED),
assim como o efeito da duração do consumo alimentar na ingestão de energia
e macronutrientes. Métodos: Trinta trabalhadores em turnos, do sexo
masculino, de uma mineradora, foram avaliados ao longo de 10 dias da escala
de turnos: 2 dias no turno matutino (D1 e D2 - 08:00 h - 16:00 h); 2 dias no
turno vespertino (D3 e D4 - 16:00 h - 00:00 h); 24h livres (D5 - 00:00 h - 00:00
h); 2 dias no turno noturno (D6 e D7 - 00:00 h - 8:00 h) e 72h de folga (D8, D9 e
D10). O consumo alimentar foi avaliado através do recordatório 24h (R24h). A
duração do consumo alimentar foi definida como o intervalo entre a primeira
refeição após acordar e a última refeição antes do início do maior período de
sono. Os períodos de sono e vigília foram avaliados através da actigrafia. O
padrão da duração do consumo alimentar (EDP) foi classificado de acordo com
a frequência de duração do consumo <12h ao longo dos 10 dias: curto-EDP
(≤40%); intermediário-EDP (>40% e <70%); longo-EDP (≥ 70%). Equações de
estimação generalizadas (GEE) foram utilizadas para analisar o efeito do turno
na duração do consumo alimentar e o efeito da duração do consumo na
ingestão de energia e macronutrientes. Modelos lineares generalizados (GzLM)
foram realizados para determinar o efeito dos padrões de duração de consumo
nas variáveis antropométricas e de consumo alimentar. Resultados: A escala
de rotação de turnos teve efeito na duração do consumo alimentar; a duração
do consumo também teve efeito na ingestão de energia e macronutrientes. A
duração do consumo e a ingestão de energia e carboidratos foram maiores no
dia 24h livres, dia estendido pelo primeiro dia de turno noturno (16:06h, 2640
kcal, 321 g, respectivamente) do que a duração do consumo que ocorreu logo
após o segundo dia de turno noturno (10:24h, 1673 kcal, 216 g,
respectivamente) (p<0.05). Os indivíduos com padrão curto-ED apresentaram
um menor consumo de energia e macronutrientes do que os padrões
intermediário e longo-ED (p<0.05). Conclusão: Conclui-se que o trabalho em
turnos rotativos tem efeito na duração do consumo alimentar, e as variações
desta duração de consumo também têm efeito na ingestão de energia e
macronutrientes, especialmente na transição entre o dia 24h livres e o primeiro
turno noturno, e que um padrão de duração de consumo alimentar curto pode
levar à menor ingestão de energia e macronutrientes do que os outros padrões.
Estudos adicionais devem avaliar o efeito crônico deste padrão sobre a saúde
nutricional e metabólica dos trabalhadores.
Abstract
Background: Studies highlighted unhealthy eating patterns and irregular meal
times among shift workers. However, the impact of the rotation between day,
afternoon and night work and free days within a short period of time on the food
consumption pattern is poorly addressed in the literature. Objective: To
evaluate the effect of shift rotation on eating duration (ED) and also to assess
the effect of ED on energy and macronutrients intake. Methods: Thirty male
shift workers from a mining company were evaluated over 10 days in a shift
schedule carried out as follow: 2 days in the morning shift (D1 and D2 –
8:00a.m. to 4:00p.m.); 2 days in the afternoon shift (D3 and D4 – 4:00p.m. to
0:00a.m.); 24h free-day (D5 – 0:00a.m. to 0:00a.m.); 2 days at night shift (D6
and D7 – 0:00a.m. to 8:00a.m.); and a 72h free (D8, D9 and D10). Dietary
intake was evaluated by 24h recalls (R24h). ED was defined as the interval
between the first meal after waking and last meal before the longest sleep
period onset. Sleep and awake periods were evaluated by actigraphy. ED
pattern (EDP) was classified according the frequency of ED <12h over 10 days:
shorter-EDP (≤40%); intermediate-EDP (>40% and <70%); and longer-EDP (≥
70%). Generalized estimating equations (GEE) were used to analyze the effect
of shift on ED and the effect of ED on energy and nutrients intake. Generalized
linear models (GzLM) were performed to determine the effect of ED patterns on
anthropometrics and energy and nutrients intake. Results: Shift rotation
schedule had an effect on ED; ED also had an effect on energy and
macronutrients intake. ED, energy, and carbohydrate intake were higher in the
24h free-day, extended by the first night shift (16:06h, 2640 kcal, 321 g,
respectively) than ED which occurred right after the second night shift (10:24h,
1673 kcal, 216 g, respectively) (p<0.05). Individuals with shorter-ED patterns
had a lower intake of energy and macronutrients than intermediate and longerED
patterns ones (p<0.05). Conclusion: It is concluded that rotating shift work
had an effect on ED, and ED variations also had an effect on energy and
macronutrients intake, especially on the transition between 24h free-day and
the first night shift, and that a shorter ED pattern can lead to a lower intake of
energy and macronutrients than other patterns. Additional studies should
evaluate the chronic effect of this pattern on the nutritional and metabolic health
of workers.
Palavras-chave
Consumo alimentar, Horário de refeição, Duração do consumo alimentar, Nutrição, Trabalhadores em turnos, Escala de turnos rotativa, Food intake, Eating duration, Nutrition, Shift workers, Rotation shift schedule, Ciências médicas, Alimentos - Consumo, Trabalhadores
Citação
MAROT, Luisa Pereira. Efeito da alternância dos turnos de trabalho sobre o consumo alimentar de trabalhadores rodiziantes. 2018. 73f. Dissertação (Pós Graduação em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2018. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2018.797