Publicação: Garimpeiros, quando a cobra tá fumando : condições de vida e de trabalho nos garimpos em Roraima (1975-1991)
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
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Resumo
Este trabalho propõe-se a discutir as relações sociais de trabalho e as condições de vida dos
trabalhadores dos garimpos em Roraima, localizada na parte setentrional da Amazônia. No
enfrentamento com os discursos dominantes privilegiamos o entrecruzamento das fontes,
em especial, a narrativa dos trabalhadores. Através de suas vivências tentamos questionar
estigmas e estereótipos, assim como, também, o passado, a partir das experiências e das
disputas engendradas no presente. Essa perspectiva de análise foi escolhida de forma
intencional a fim de direcionarmos o nosso tratamento aos setores e classes que poucas
oportunidades têm de expor suas visões. Dessa forma, estamos diante da complexa análise
de um espaço de disputa em que a própria imagem da pesquisadora é colocada como
objeto de reflexão. Assim, buscamos visibilizar os sujeitos e os grupos com interesses
divergentes que disputam as mesmas áreas. Neste intrincado jogo de interesses, a imagem
dos garimpeiros é forjada de acordo com as necessidades dos grupos em responder às
pressões sociais, aos conflitos e às disputas. Também abordamos a construção do garimpo
como território de disputa em que os povos indígenas, juntamente com as organizações e
instituições que os apoiam, enfrentam uma guerra emblemática contra os demais invasores
e garimpeiros. Nesse mesmo território também são vivenciadas pelos trabalhadores a
intensidade da exploração, as péssimas condições de trabalho e a ausência de direitos
trabalhista e políticas publicas. Esse descaso, por sua vez, parece servir aos interesses de
manutenção das condições de trabalho e de conflito que perdura há décadas nas áreas
indígenas. A experiência do garimpo transformou esses garimpeiros, homens e mulheres,
trabalhadores, constituindo-se novos sujeitos sociais que mantêm suas relações fugidias
num emaranho de lutas e disputas.
Abstract
The purpose of this paper is to discuss the working relationships and the living
conditions of mines\' workers in Roraima, located in Amazon\'s northern region . In
dealing with the dominant discourses we privileged the sorces\' intersection, in particular
the workers\' narratives. Through their experiences we tryed to question stereotypes and
stigmas, as well as the past, from the experiences and disputes engendered in the
present. This perspective of analysis was intentional and its purpose was to focus our
study in the sectors and classes that have few opportunities to express their views.
Therefore we stand before the complex analysis of an area in dispute in which the
researcher\'s own image is placed as an object of reflection. Thus, we seek to
demonstrate the subjects and groups with divergent interests vying for the same areas.
In this intricate interplay of interests, the miners\' image is forged according to the needs
of groups to respond to social pressures, conflicts and disputes. We also discussed the
mine\'s structuring as a territory in dispute in which indigenous peoples, along with the
organizations and institutions that support them, face an emblematic war against miners
and other invaders. In this same area workers also experience the intense exploitation,
the poor working conditions and lack of labor rights and public policies. This
neglection, in turn, seems to serve to those who are interested in maintaining these
working conditions and conflicts that have endured for decades in indigenous areas. The
mining experience remodelled these working men and women, constituting themselves
as new social subjects who maintain their elusive relationships in a maze of fights and
disputes.
Palavras-chave
Garimpos, Garimpeiros, Conflito, Interesses, Experiências, Mining, Miners, Conflict, Interests, Experiences
Citação
SANTOS, Adriana Gomes. Garimpeiros, quando a cobra tá fumando : condições de vida e de trabalho nos garimpos em Roraima (1975-1991). 2013. 150 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2013. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2013.318