Publicação: Ocorrência e suscetibilidade antimicrobiana de Campylobacter
spp. em cães, gatos, crianças e sua importância zoonótica
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CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::MEDICINA VETERINARIA
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Resumo
As espécies de Campylobacter são os agentes etiológicos mais
incriminados nos casos de gastroenterite humana. A principal forma de infecção dos
humanos é o consumo de alimentos de origem animal e água contaminada, porém,
estudos são necessários para o melhor entendimento da epidemiologia e dos fatores
risco para a infecção de humanos e animais por estes microrganismos. Foram
coletadas e analisadas para a presença de Campylobacter spp., amostras de fezes
de 160 crianças de até cinco anos e 120 amostras de pets (103 cães e 17 gatos)
atendidos no Hospital de Clínicas e Hospital Veterinário, respectivamente, da
Universidade Federal de Uberlândia. A positividade foi de 6,87% entre as amostras
humanas e 18,3% entre as amostras de animais, com 100% de concordância entre
os resultados obtidos pelo método fenotípico e genotípico. Das 33 amostras de fezes
positivas para Campylobacter spp., 57,6% foram identificadas como C. jejuni (15 de
caninos e quatro de crianças), 33,4% como C. coli (quatro de caninos, duas de
felinos e cinco de crianças) e 9% como Campylobacter gracilis (um cão e duas
crianças). O biótipo mais prevalente foi o C. jejuni biótipo I, com 13 isolados, seguido
pela C. coli biótipo I com 11 isolados. Houve resistência de mais de 50% das cepas
isoladas de cães ao ceftiofur, sulfazotrim, norfloxacina e tetraciclina. Dentre as cepas
isoladas de humanos destacaram-se as resistências à amoxicilina, cefazolina,
ceftiofur, eritromicina e norfloxacina. Não houve diferenças ao perfil de resistência
entre as espécies C. coli e C. jejuni (p>0,05). Técnica de PCR demonstrou que entre
as 19 cepas de C. jejuni isoladas, 12 apresentavam dois a quatro dos genes de
virulência flaA, pdlA, cadF ou ciaB. Entre as cepas isoladas de caninos, uma
apresentou os quatro genes simultaneamente, duas possuíam três genes e duas um
gene, as demais possuíam dois genes. Dentre as cepas isoladas de fezes humanas
todas apresentaram os genes flaA e cadF e somente uma amostra tinha o gene pdlA
e duas o gene ciaB. Todas as cepas que apresentaram os genes de virulência foram
isoladas de fezes de animais ou crianças com diarréia. Foi observado nas amostras
isoladas de cães e gatos um alto índice de resistência ao sulfazotrim, com valores
de 66,7% e 100% respectivamente. Nas amostras isoladas das crianças os valores
de resistência mais preocupantes foram encontrados para a eritromicina e norfloxacina. Estes dados demonstram a necessidade de monitoramento quanto o
uso desses antimicrobianos já que eles são a droga de eleição para tratamento das
gastrenterites em animais e da campilobacteriose em humanos, respectivamente. A
associação de fatores de risco e infecção por Campylobacter spp. em crianças
demonstrou: aumento da probabilidade de 3,57 vezes de ter diarréia, 0,49 vezes
mais chances quando em contato com pets e 1,4 vezes mais provável quando em
antibioticoterapia, porém, todos sem significância estatística (p>0,05). Quando as
mesmas associações foram realizadas para caninos, as probabilidades aumentaram
7,38 vezes para a presença de diarréia e 57,41 mais chances quando em uso de
antibióticos (p<0,05). A presença dos quatro genes de virulência nas cepas isoladas
de cães aumentou em 11,36 vezes a probabilidade de o animal ter diarréia (p<0,05).
Apesar de não ter havido neste estudo uma associação positiva entre o convívio
com pets e a infecção de crianças por Campylobacter spp. novas investigações mais
abrangentes devem ser realizadas, assim como, deve-se estabelecer a relação
epidemiológica por métodos moleculares entre cepas isoladas de infecções
humanas e animais.
Abstract
The Campylobacter species are the etiologic agents
incriminated in most cases of human gastroenteritis. The main way of human
infection is the consumption of animal risen food and contaminated water, but studies
are required to better understand the epidemiology and risk factors for the infection of
humans and animals by these organisms. They have been collected and analyzed
for the presence of Campylobacter spp., faeces samples from 160 children under five
years old and 120 samples from pets (103 dogs and 17 cats) met at the Clinical
Hospital and Veterinary Hospital, respectively, at Federal University of Uberlândia.
The positivity was 6.87% among the human samples and 18.3% among the animal
samples, with 100% of agreement between the results obtained through phenotypic
and genotypic methods. From the 33 positive faeces samples for Campylobacter
spp., 57.6% were identified as C. jejuni (fifteen from dogs and four from children),
33.4% as C. coli (four from dogs, two from cats and five from children) and 9% as
Campylobacter gracilis (one from dog and two from children). The most prevalent
biotype was C. jejuni biotype I, with 13 isolated samples, followed by C. coli biotype I
with 11 isolated ones. There was resistance from more than 50% of the strains
isolated from dogs to ceftiofur, sulfazotrim, norfloxacin and tetracycline. Among the
strains isolated from humans samples could be headlined the resistance to
amoxicillin, cefazolin, ceftiofur, erythromycin, and norfloxacin. There were no
differences in resistance profile between the species C. coli and C. jejuni (p> 0.05).
The PCR technique showed that among 19 isolated strains of C. jejuni, 12 had
between two and four of the virulence genes: flaA, pdlA, cadF or ciaB. Among the
isolated strains from canine, one of them has shown the four genes simultaneously,
two strains had three genes and two of them had one gene, all the others had two
genes. Among the isolated strains from human faeces, all of them had the flaA and
cadF genes, only one sample contained the pdlA gene and two of the strains had the
ciaB gene. All the strains that showed the virulence genes have been isolated from
faeces of animals or children with diarrhea. It was observed a high rate of resistance
to sulfazotrim in isolated sample from dogs and cats, with values of 66.7% and 100% respectively. Among the children isolated samples the most troubling resistance
values were found to erythromycin and norfloxacin. This data demonstrates the need
to follow the use of antimicrobials as they are the drug of choice for gastroenteritis
treatment in animals and campylobacteriosis in humans, respectively. The
association of risk factors and infection of Campylobacter spp. in children
demonstrated: an increase of 3.57 times probability to have diarrhea, 0.49 times
more, when in contact with pets and 1.4 times more, during an antibiotic therapy, but
in all of them there was no statistical significance (p> 0.05 ). When the same
associations were created for dogs, the odds increased 7.38 times for the presence
of diarrhea and 57.41 more chances when on antibiotic use (p <0.05). The presence
of the four virulence genes in dogs isolated strains increased by 18.33 times the
probability of the animal get diarrhea (p <0.05). Although, in this study, there has
been no positive association between contact with pets and children infected by
Campylobacter spp., further investigation should be made such as it must be
established the epidemiological relationship by molecular methods for isolated strains
from human and animal infections.
Palavras-chave
Pets, Infecção, Epidemiologia, Genes de virulência, Fatores de risco, Infection, Epidemiology, Virulence genes, Risk
factors, Campylobacter, Epidemiologia
veterinária
Citação
RODRIGUES, Cecília Gomes. Ocorrência e suscetibilidade antimicrobiana de Campylobacter
spp. em cães, gatos, crianças e sua importância zoonótica. 2011. 78 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2011. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2011.108