Publicação: Qualidade hospedeira e temperatura na biologia de Diaeretiella rapae (McIntosh, 1855) (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae)
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CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA
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Sabe-se que a sobrevivência, desenvolvimento, fertilidade, comportamento, longevidade, entre outros aspectos de Diaeretiella rapae (Mc Intosh) são condicionados pela temperatura e
pelo hospedeiro. Entretanto, estudos de mudanças na qualidade do hospedeiro, em função de
sua adaptabilidade a temperatura, ainda não foram realizados. Assim, o objetivo desse
trabalho foi avaliar a adaptabilidade de Lipaphis pseudobrassicae (Davis) e Myzus persicae
(Sulzer) à temperatura elevada, e determinar as alterações, tanto na qualidade desses
hospedeiros, quanto na temperatura base de D. rapae, em função da adaptabilidade do
hospedeiro à temperatura. Para a determinação da adaptabilidade à temperatura dos
hospedeiros, a biologia dos pulgões foi comparada nas temperaturas de 19 e 28ºC, utilizandose
60 repetições por temperatura. Para verificar a mudança na qualidade do hospedeiro, em
função da temperatura, uma fêmea de D. rapae foi mantida para ovipositar por uma hora em
placa de Petri, contendo 30 ninfas de 2º instar de uma das espécies do pulgão hospedeiro. As
placas, contendo os pulgões parasitados, foram mantidas nas temperaturas de 16, 19, 22, 25,
28 e 31°C, para avaliar a biologia do parasitoide e o tamanho da tíbia posterior da múmia e
das fêmeas de D. rapae. Foram utilizadas 10 repetições por temperatura para cada hospedeiro.
Com os dados do período de desenvolvimento, calculou-se a temperatura base de D. rapae.
Na temperatura de 19°C não houve diferença entre as características analisadas de L.
pseudobrassicae e M. persicae. A 28ºC, o período reprodutivo e a longevidade dos pulgões
também não apresentaram diferença, já o período de desenvolvimento, a sobrevivência de
imaturos e a fecundidade total foram maiores em L. pseudobrassicae do que em M. persicae.
A porcentagem de emergência e a viabilidade total de D. rapae foram maiores em L.
pseudobrassicae. O período de desenvolvimento de D. rapae foi menor em L.
pseudobrassicae do que em M. persicae a 28 e 31°C para fêmeas, e a 31°C para os machos do
parasitoide. A temperatura base de D. rapae foi 6,38 e 3,33°C para as fêmeas, e de 4,45 e
3,63ºC para machos desenvolvidos em L. pseudobrassicae e em M. persicae,
respectivamente. O tamanho de M. persicae mumificados foi maior do que L.
pseudobrassicae em todas as temperaturas. O tamanho da tíbia do parasitoide nas
temperaturas de 25 e 28°C foi maior, quando desenvolvido em L. pseudobrassicae, do que em
M. persicae. O hospedeiro L. pseudobrassicae apresentou maior adaptação que M. persicae à
temperaturas elevadas, o que acarretou em maior qualidade como hospedeiro de D. rapae nas
temperaturas de 28 e 31ºC e na maior temperatura base do parasitoide, quando desenvolvido
em L. pseudobrassicae do que em M. persicae. A adaptação do hospedeiro às temperaturas
elevadas é um fator determinante de sua qualidade para o parasitoide nessas condições
climáticas.
Abstract
Survival, development time, fertility, behavior, longevity, and other biological features of
Diaeretiella rapae (McIntosh) are conditioned by temperature and host. However, studies of
host quality changes due to its temperature adaptability have not been performed yet.
Therefore, this study evaluated the adaptability of Lipaphis pseudobrassicae (Davis) and
Myzus persicae (Sulzer) to high temperature and its effect on the quality of these aphids as
hosts and on the thermal threshold of D. rapae. The biology of the aphids was compared at 19
and 28°C, using 60 replicates per temperature, to determine the adaptability of the host to
temperature. Changes in host quality as a function of different temperatures were determined
by maintaining a female of D. rapae for one hour in a Petri dish containing thirty 2nd instar
nymphs of one host species for oviposition. The plates containing the parasitized aphids were
transferred to 16, 19, 22, 25, 28 or 31°C to evaluate the biological features of the parasitoid
and the hind tibia length of the mummy and females of D. rapae, using 10 replicates per host
and temperature. Thermal threshold of D. rapae was determined using the development time
data. No differences in the biological features of L. pseudobrassicae and M. persicae were
observed at 19°C. Reproductive period and longevity of aphids also did not differ at 28°C;
however, development time, rate of immature survival and total fecundity rates were greater
in L. pseudobrassicae than in M. persicae. Also, the percentage of emergence and total
viability rate of D. rapae were greater in L. pseudobrassicae. The development time of D.
rapae in L. pseudobrassicae was shorter than in M. persicae at 28 and 31°C for females and
at 31 °C for males. The thermal threshold of D. rapae was 6.38 and 3.33°C for females and
4.45 and 3.63ºC for males developed on L. pseudobrassicae and M. persicae, respectively.
The hind tibia length of mummified M. persicae was greater than in L. pseudobrassicae at all
temperatures. The hind tibia length of the parasitoid was greater at 25 and 28°C when reared
on L. pseudobrassicae than on M. persicae. The host L. pseudobrassicae showed better
adaptation than M. persicae to elevated temperatures, which resulted in better quality as host
for D. rapae at temperatures of 28 and 31°C and higher base temperature when the parasitoid
developed in the L. pseudobrassicae than in M. persicae. The adaptation of the host to high
temperatures is determinant for the host quality for the parasitoid in that same climatic
condition.
Palavras-chave
Afídeo, Controle biológico, Lipaphis pseudobrassicae, Myzus persicae, Tamanho da tíbia, Parasitoide, Aphid, Biological control, Hind tibia length, Parasitoid
Citação
SOUZA, Monique Ferreira de. Influence of host quality and temperature on the biology of
Diaeretiella rapae (McIntosh, 1855) (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae). 2014. 55 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2014. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2014.384