Publicação: Uma análise da concepção de vida política na perspectiva de Hannah Arendt
Carregando...
Arquivos
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
O presente trabalho visa analisar a concepção de vida política a partir da perspectiva de
Hannah Arendt. Através de uma abordagem teorética, percebeu-se que Arendt se lança sobre
o universo da história da Filosofia Política não para fazer História da Filosofia, mas utiliza de
tal monta como pressuposto fundamental para sua investigação. Pretendeu-se, desta forma,
analisar as propensões da vida política desde as importantes contribuições dadas pelos gregos
e consideradas como fundamentais para a compreensão da vida política moderna, constituída
como fundamental na retomada do ideal de politeia. O presente estudo propõe uma
abordagem acerca da natureza política do homem entendendo que o homem é um animal
essencialmente político. Notou-se que a afirmação da condição humana, pretendida por
Arendt justifica a análise da vida política, considerando que o lugar do homem é na polis,
onde acontece a dimensão da ação, pressuposto essencialmente político. Este trabalho
apresenta os desdobramentos da filosofia política de Hannah Arendt, tentando responder
necessariamente às hipóteses deste estudo que se referem à condição humana, à fundação da
esfera social pelos modernos como fusão da esfera privada e da esfera pública, justificado
pelos próprios fenômenos que decorreram dos acontecimentos sociais. Percebe-se que os
resultados advindos da esfera social encontram os limites de uma vida política na constituição
de uma sociedade capitalista, como fundadora da sociedade de massas, as novas ideologias, a
dominação, as estruturações da vida política moderna, vistas por Arendt, em detrimento da
própria condição humana, gerando uma grande contradição, já que a razão de ser da política é
a liberdade verdadeira, distanciada das máscaras do mundo artificial. Nota-se que a
apropriação feita por Arendt das concepções próprias da Filosofia Política Antiga, como
instrumento para elaboração de suas teses, repete na leitura arendtiana de Marx, na qual
Arendt toma a análise marxiana não considerando a concepção antropológica do trabalho, mas
considerando uma concepção meramente econômica do trabalho, que, segundo ela, diminuiria
a potencialização da condição humana. A problemática acerca do social na vida política
tornou-se o ponto culminante deste debate, vez que Arendt considera que, ao construir a
esfera social, o homem reduz a esfera da liberdade. Observou-se que Arendt detecta que a
questão social é a expansão da solidão e da alienação das sociedades abundantes. Com isso,
ela quer argumentar que não vale a pena sacrificar a grandeza do homem, a capacidade
humana de ultrapassar a dimensão natural e articular a conveniência em palavras e pactos em
vistas do deslindamento da questão social. Notou-se que o campo da ação humana,
constituinte da vida política, continua possuindo fundamental relevância em Arendt, tendo em
vista a manutenção da noção aristotélica de zoon politikon. Por fim, observou-se que a
conclusão proposta por Arendt acerca dos limites da vida política versa sobre temáticas, que,
segundo ela, ocultariam aspectos próprios da condição humana, dentre esses aspectos está a
liberdade, instituto essencial para a vida política. Assim sendo, percebeu-se que o deslinde
trazido pela esfera social fez com que a dimensão da ação, própria da vida ativa, fosse
limitada. Desta forma, Arendt propõe a irredutibilidade da condição humana ao mero
exercício de uma função social, já que essa redução justificaria o “mal-estar político” na
civilização.
Abstract
This study aims to analyze the concept of political life from the perspective of Hannah Arendt.
We may notice through a theoretical approach that Arendt dives into the universe of the
history of political philosophy not to make it but to use it as a fundamental prerequisite for
her investigation. Therefore, we intended to analyze the tendencies of political life from the
important Greek contributions considered fundamental for the understanding of modern
political life incorporated as fundamental in the resumption of the politeia ideal. This study
proposes an approach about the man's political nature understanding that man is essentially
a political animal. It was noticed that the statement of human condition intended by Arendt
justifies the analysis of political life considering that man's place is in the polis, where the
dimension of action happens, being it an essentially political assumption. Hannah Arendt’s
developments of political philosophy is here presented in order to try to answer the
hypotheses of this study that refer to human condition, to the foundation of the social sphere
by modern men as a fusion of the private and the public spheres, justified by the very
phenomena that arose from social events. It was be perceived that the results from the social
sphere reach the limits of a political life in the constitution of a capitalist society, as founder
of the mass society, new ideologies, domination, the structuring of modern political life seen
by Arendt to the detriment of the human condition itself, generating a great contradiction,
since the reason for politics is true freedom, distanced from the masks of the artificial world.
And the appropriation made by Arendt's conceptions of Ancient Philosophy Politics as a tool
for elaborating their theses is repeated in Arendt's reading of Marx, in which Arendt takes the
Marxian analysis not considering the anthropological conception of work, but considering a
purely economic conception of work which according to her, would decrease the
potencialization of the human condition. The issue about the social in the political life became
the highlight of this debate, once Arendt considers that when building the social sphere, man
reduces the sphere of freedom. It could be observed that Arendt detects that the social issue is
the expansion of loneliness and alienation of abundant societies. With that, she wants to
argue that it is not worth sacrificing the greatness of man, the human capacity to overcome
the natural dimension and articulate convenience in words and pacts in view of the
unraveling of the social issue. It could be noticed that the field of human action, constituent of
political life, still has fundamental relevance in Arendt, with a view to maintaining the
Aristotelian notion of zoon politikon. Finally, it was observed that Arendt’s proposed
conclusion on the boundaries of political life argues on themes which according to her,
conceal aspects of the human condition. Among these aspects there is freedom, an essential
institution for political life. Therefore, the demarcation brought by the social sphere limited
the dimension of action, typical of the active life. Thus, Arendt proposes the irreducibility of
the human condition to the mere exercise of a social function, since this reduction would
justify the 'political disorder’ in civilization.
Palavras-chave
Filosofia, Arendt, Hannah, 1906-1975, Liberdade, Ciência política - Filosofia, Vida política, Homem, Condição humana, Liberdade, Political life, Man, Human condition, Freedom
Citação
FERREIRA, Edilberto Nicanor. Uma análise da concepção de vida política na perspectiva de Hannah Arendt. 2015. 90 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2015.520