Publicação: Duração e Unidade Dinâmica na Construção da Identidade Pessoal
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::METAFISICA, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::EPISTEMOLOGIA
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Resumo
Esta dissertação aborda a questão da identidade pessoal, questionando a capacidade dos modelos
tradicionais de conciliar a continuidade do sujeito com o fluxo constante de mudanças. O estudo
se baseia em uma avaliação crítica da tradição metafísica moderna — iniciada por John Locke e
intensificada por Derek Parfit — para mostrar como a procura por critérios estáticos de
reidentificação (físicos ou psicológicos) resulta na fragmentação da unidade do eu. Inicialmente,
investigamos os paradoxos lógicos e aporias resultantes da espacialização do tempo, demonstrando
que a memória, ao ser considerada apenas uma evidência de eventos passados, não consegue
manter a identidade frente à mudança qualitativa.
Em um segundo momento, utilizamos a filosofia de Henri Bergson para embasar uma alternativa
ontológica fundamentada no conceito de duração. Ao mover a discussão da metafísica da
substância para uma metafísica do devir, afirmamos que a identidade não está em um núcleo
imutável, mas em uma unidade dinâmica e em processo. Ao redefinir a memória como a
conservação automática do passado no presente, chega-se à conclusão de que a personalidade é
uma continuidade ininterrupta de transformações. Desse modo, a identidade deixa de ser um estado
fixo para ser entendida como o próprio fluxo da consciência que se forma e se mantém ao longo
do tempo.
Abstract
This dissertation addresses the issue of personal identity, questioning the capacity of traditional
models to reconcile the continuity of the subject with the constant flux of changes. The study is
based on a critical evaluation of the modern metaphysical tradition—initiated by John Locke and
intensified by Derek Parfit — to demonstrate how the search for static criteria of reidentification
(physical or psychological) results in the fragmentation of the unity of the self. Initially, the
research investigates the logical paradoxes and aporias resulting from the spatialization of time,
demonstrating that memory, when considered as mere evidence of past events, fails to maintain
identity in the face of qualitative change.
In a second moment, Henri Bergson's philosophy is employed to ground an ontological alternative
based on the concept of duration (durée). By moving from a metaphysics of substance to a
metaphysics of becoming, we affirm that identity is not found in an immutable core, but in a
dynamic and processual unity. By redefining memory as the automatic conservation of the past in
the present, it is concluded that personality is an uninterrupted continuity of transformations. In
this way, identity ceases to be a fixed state to be understood as the very flux of consciousness that
forms and maintains itself over time.
Palavras-chave
Identidade pessoal, Personal Identity, Personalidade, Personality, Henri Bergson, Duração, Duration, Unidade Dinâmica, Dynamic Unity, Pure-Memory, Pure Memory
Citação
MELO, Mikael Souza Barra Nova de. Duração e Unidade Dinâmica na Construção da Identidade Pessoal. 2026. 74 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.81.
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