Publicação: Influência da dieta na evolução de Iguania em ambientes florestais
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ECOLOGIA::ECOLOGIA TEORICA
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Resumo
A partir da recente reorganização filogenética que posiciona Iguania como um
clado derivado dentro de Squamata, este estudo investigou a hipótese de que a perda
secundária do órgão vomeronasal (OVN) poderia ter favorecido uma adaptação a dietas
de baixo teor lipídico, facilitando a colonização de ambientes florestais. Por meio de uma
meta-análise macroevolutiva da dieta de 62 espécies, e utilizando Modelos Filogenéticos
Generalizados (PGLS) com dados de biomassa de presas padronizados por modelos de
regressão desenvolvidos especificamente para este fim, avaliou-se a influência de fatores
ecológicos e da história evolutiva sobre o conteúdo lipídico da dieta. Os resultados
refutaram a premissa central: não foram encontradas diferenças significativas no teor de
lipídios entre lagartos de habitats abertos e florestais, nem em função do modo de
forrageamento ou da termorregulação. A análise revelou que o teor de lipídios é um traço
evolutivamente lábil, com sinal filogenético praticamente nulo, sendo significativamente
menor apenas em espécies de habitats mistos (ecótonos). Esses achados indicam que a
composição lipídica da dieta é moldada por pressões ecológicas locais e não representa
uma síndrome adaptativa conservada para a vida em florestas. De forma mais ampla, os
resultados abrem espaço para uma interpretação alternativa: a transição para a caça visual
pode ter funcionado como uma liberação ecológica, permitindo aos Iguania explorar
presas quimicamente defendidas e transformando uma aparente “perda” sensorial em uma
expansão de oportunidades ecológicas.
Abstract
Stemming from the recent phylogenetic reorganization that positions Iguania as a
derived clade within Squamata, this study investigated the hypothesis that the secondary
loss of the vomeronasal organ (VNO) may have favored an adaptation to low-lipid diets,
thereby facilitating the colonization of forest environments. Through a macroevolutionary
meta-analysis of the diets of 62 species, and using Phylogenetic Generalized Least
Squares (PGLS) models with prey biomass data standardized by custom regression
models, the influence of ecological factors and evolutionary history on dietary lipid
content was evaluated. The results refuted the central premise: no significant differences
were found in lipid content between lizards from open and forest habitats, nor as a
function of foraging mode or thermoregulation. The analysis revealed that lipid content
is an evolutionarily labile trait with a nearly null phylogenetic signal, being significantly
lower only in species from mixed habitats (ecotones). These findings indicate that dietary
lipid composition is shaped by local ecological pressures and does not represent a
conserved adaptive syndrome for forest life. More broadly, the results open space for an
alternative interpretation: the transition to visually oriented hunting may have acted as an
ecological release, enabling Iguania to exploit chemically defended prey and turning an
apparent sensory “loss” into an expansion of ecological opportunities.
Palavras-chave
Squamata, Iguania, Ecologia trófica, Trophic ecology, Análise filogenética comparativa, Comparative phylogenetic analysis, Evolução sensorial, Sensory evolution, Plasticidade fenotípica, Phenotypic plasticity, Dieta, Diet, Lipídios, Lipids
Citação
BORGES, Raphael Teles. Influência da dieta na evolução de Iguania em ambientes florestais. 2025. 58 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2025.5591.
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