Publicação: Entre a culpabilização da vítima e a fadiga por compaixão: a mulher com fibromialgia no imaginário coletivo de familiares do gênero masculino
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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Resumo
A fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por dores crônicas e difusas e se
encontra entre as condições reumatológicas mais prevalentes no mundo. O impacto do
adoecimento ultrapassa o corpo em seu aspecto físico, afetando diversas esferas da vida
cotidiana e as relações familiares. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo
compreender o imaginário coletivo acerca da FM entre familiares do gênero masculino que
conviveram ou convivem com mulheres acometidas pela síndrome, valendo-se de uma
abordagem qualitativa fundamentada no método investigativo psicanalítico. A coleta de dados
ocorreu por meio de entrevistas mediadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema,
realizadas com quatro homens, sendo dois filhos, um filho/neto e um marido. A análise dos
dados, operacionalizada por meio da interpretação psicanalítica, possibilitou o delineamento
de quatro campos de sentido, assim intitulados: (1) “Querer não é poder”, (2) “Esporte, religião
e terapia”, (3) “A dor do testemunho” e (4) “Hiperalgesia do corpo-mente”. Os resultados
apontam que os familiares percebem que mulheres com FM ocupam uma posição de sofrimento
diante da vida e associam a possibilidade de melhora ao engajamento em atividades físicas,
religiosas e terapêuticas. Evidenciou-se também o sofrimento dos próprios familiares ao
testemunharem a dor constante, bem como a dificuldade nas relações de cuidado, marcada pela
banalização da dor devido à sua recorrência. Em síntese, parece razoável propor que o
imaginário coletivo dos participantes é moldado predominantemente pela culpabilização da
vítima, por um lado, e pela fadiga por compaixão, por outro. Tendo em vista esses achados,
destaca-se a necessidade de um olhar em saúde que reconheça não apenas a paciente com FM,
mas também seus familiares como sujeitos que demandam atenção e cuidado.
Abstract
Fibromyalgia (FM) is a syndrome characterized by chronic and diffuse pain, ranking
among the most prevalent rheumatologic conditions worldwide. The impact of the illness goes
beyond the physical body, affecting multiple dimensions of daily life and family relationships.
In this context, the present study aimed to understand the collective imaginary about FM among
male family members who lived or still live with women affected by the syndrome, using a
qualitative approach grounded in the psychoanalytic investigative method. Data collection was
carried out through interviews mediated by the Drawing-and-Story Procedure with a Theme,
conducted with four men: two sons, one grandson/son, and one husband. The data analysis,
conducted through psychoanalytic interpretation, made it possible to outline four fields of
meaning, entitled: (1) “Wanting is not being able”, (2) “Sports, religion, and therapy”, (3) “The
pain of witnessing”, and (4) “Hyperalgesia of the body-mind”. The results indicate that family
members perceive women with FM as occupying a position of suffering in life and associate
the possibility of improvement with engagement in physical, religious, and therapeutic
activities. The findings also reveal the suffering experienced by the relatives themselves when
witnessing constant pain, as well as the difficulties in caregiving relationships, often marked
by the trivialization of pain due to its recurrence. In summary, it seems reasonable to propose
that the participants’ collective imaginary is predominantly shaped, on the one hand, by victim blaming, and on the other, by compassion fatigue. Considering these findings, it is important
to highlight the need for a health care perspective that recognizes not only women with FM but
also their relatives as subjects who require attention and care.
Palavras-chave
Fibromialgia, Relações familiares, Imaginário coletivo, Psicanálise
Citação
COUTO, Maria Vitória Marcondes de Miranda. Entre a culpabilização da vítima e a fadiga por compaixão: a mulher com fibromialgia no imaginário coletivo de familiares do gênero masculino. 2025. 36 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.