Publicação: Fios da Liberdade: por uma Geografia Antirracista em escolas quilombolas alagoanas
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA
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Esta tese investiga o ensino de Geografia, em escolas quilombolas no estado de Alagoas, a partir
de uma perspectiva antirracista com o objetivo de compreender de que modo o currículo de
Geografia dialoga com identidades, saberes e territorialidades das comunidades quilombolas,
bem como contribui para a desconstrução de visões racistas e coloniais no âmbito escolar. A
pesquisa parte da premissa de que a educação escolar quilombola exige uma abordagem que vá
além da inclusão de conteúdos sobre a história e a cultura afro-brasileira e que promova uma
reconcepção curricular que valorize os saberes locais, o território e a identidade negraquilombola. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, com fase de revisão bibliográfica
acerca da Lei 10.639/2003, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar
Quilombola (DCNEEQ) e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em diálogo com uma
educação antirracista. Além disso, foram realizadas pesquisas de campo em três escolas
localizadas em comunidades quilombolas nas mesorregiões Leste, Agreste e Sertão do território
alagoano, bem como análise de Projetos Político Pedagógicos (PPP) das escolas e entrevistas
semiestruturadas com professoras/es de Geografia, pedagogas/os que atuam no ensino
fundamental I e gestoras/es das instituições de ensino. A análise focalizou como o ensino de
Geografia incorpora, ou não, uma perspectiva que reconheça, a partir da territorialidade
quilombola, dos saberes ancestrais e das relações étnico-raciais, como se articulam concepções
e práticas que desafiam a lógica colonial de ensino. Os resultados indicam que, embora existam
iniciativas promissoras – como projetos que contribuem para a valorização dos saberes
ancestrais e a autoconstrução da identidade quilombola –, ainda persiste uma tendência de
reproduzir conteúdos de Geografia sem articulação com as realidades quilombolas e sem
problematização do racismo estrutural. Verificou-se, também, que a incorporação de um ensino
antirracista requer formação docente inicial e continuada para trabalhar questões étnico-raciais,
materiais didáticos contextualizados e profissionais com vínculo de trabalho efetivo que possam
dar continuidade aos trabalhos iniciados. A tese conclui apontando que a efetivação de um
ensino de Geografia antirracista, em escolas quilombolas, passa pela reorientação curricular,
pela valorização dos saberes e das territorialidades quilombolas e pelo compromisso
institucional de romper com lógicas de apagamento ou subalternização, favorecendo, assim,
uma educação que promova justiça racial, reconhecimento cultural e pluralidade
epistemológica.
Abstract
This thesis investigates the teaching of geography in quilombola schools in the state of Alagoas
from an anti-racist perspective. It aims to understand how the geography curriculum engages
with the identities, knowledge, and territorialities of quilombola communities, as well as how
it contributes to the deconstruction of racist and colonial views within the school environment.
The research is based on the premise that quilombola school education requires an approach
that goes beyond the inclusion of content on Afro-Brazilian history and culture and that
promotes a curricular reconception that values local knowledge, territory, and black-quilombola
identity. To this end, a qualitative approach was adopted, with a bibliographic review phase
concerning the n. 10.639/2003 Act, the National Curriculum Guidelines for Quilombola School
Education (DCNEEQ), and the National Common Curriculum Base (BNCC), in dialogue with
an anti-racist education. Furthermore, field research was conducted in three schools located in
quilombola communities in the mesoregions of East, Agreste, and Sertão in the Alagoas
territory, as well as an analysis of the schools’ Political Pedagogical Projects (PPP) and semistructured interviews with geography teachers, pedagogues working in elementary school I, and
school administrators. The analysis focused on how geography teaching incorporates or does
not a perspective that recognizes quilombola territoriality, ancestral knowledge, and ethnicracial relations, as well as how conceptions and practices that challenge the colonial logic of
teaching are articulated. The results indicate that, although there are promising initiatives, –
such as projects that contribute to the valorization of ancestral knowledge and the selfconstruction of quilombola identity – there is still a tendency to reproduce geography content
without articulation with quilombola realities and without problematizing structural racism. The
research found that incorporating anti-racist teaching requires initial and ongoing teacher
training to address ethnic-racial issues, contextualized teaching materials, and professionals
with permanent employment contracts who can keep doing the proper work. The thesis
concludes by pointing out that the implementation of anti-racist geography teaching in
quilombola schools involves curricular reorientation, valuing quilombola knowledge and
territorialities, and an institutional commitment to breaking with logics of erasure or
subordination, thus favoring an education that promotes racial justice, cultural recognition, and
epistemological plurality.
Palavras-chave
Geografia antirracista, Anti-racist geography, Ensino de Geografia, Geography teaching, Educação quilombola, Quilombola education, Currículo, Curriculum, Alagoas, Alagoas
Citação
SILVA, Edilma José da. Fios da Liberdade: por uma Geografia Antirracista em escolas quilombolas alagoanas. 2025. 163 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.5506.
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