Publicação: Úlcera por pressão colonizada por Staphylococcus aureus resistente
a meticilina: reservatório, fatores de risco e evolução
para infecção local e bacteremia em um hospital de ensino e
instituições de longa permanência para idosos
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Coorientador
Gontijo Filho, Paulo Pinto
Resumo
Introdução: As úlceras por pressão (UP) predispõem à colonização por Staphylococcus
aureus resistente à meticilina (MRSA) e constituem um importante reservatório deste
microrganismo em hospitais e em instituições de assistência à saúde de idosos nos Estados
Unidos e na Europa. Objetivos: Avaliar a relação entre colonização e infecção de UP por
Staphylococcus aureus/MRSA, fatores de risco e evolução para infecção de corrente
sanguínea, bem como da colonização nasal por estes microrganismos em pacientes com UP
estadio II em pacientes hospitalizados e em residentes de Instituições de Longa
Permanência para Idosos (ILPI). Casuística e métodos: O estudo foi conduzido no Hospital de
Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e em três ILPI da cidade. O
estudo foi do tipo coorte, prospectivo, no HC-UFU e observacional, longitudinal, nas ILPI.
Foram incluídos 226 participantes voluntários, sob vigilância ativa, dos quais, 145 estavam
hospitalizados e tinham UP estadio II e 81 residentes das ILPI, com ou sem UP, durante 20
meses, no período de maio-dezembro de 2005 e agosto 2009-julho 2010. As UP foram
classificadas quanto à gravidade (estadio I a IV) e se infectadas ou não pela avaliação da
presença de sinais clínicos e microscópica, pela positividade quanto à razão de 2:1 entre
células inflamatórias (polimorfonucleares) e células epiteliais, por campo, após a coloração do
esfregaço da ferida pelo Giemsa. Por busca ativa, foram avaliados os prontuários dos
voluntários até alta, óbito ou transferência de unidade, com os dados registrados em uma ficha
individual. Foram coletados espécimes clínicos com swab das UP estadio II e da mucosa
nasal dos voluntários, em intervalos quinzenais até resultado positivo para S. aureus. O
cultivo primário foi realizado em meio ágar manitol salgado. A infecção de corrente
sanguínea por MRSA foi considerada quando de hemocultura positiva. Um único isolado de
MRSA foi considerado por voluntário e a identificação de gênero/espécie foi realizada por
testes fenotípicos clássicos. O antibiograma foi realizado pela técnica de difusão em ágar,
segundo as normas do CLSI 2005/2009. Resultados: A análise estatística univariada dos
fatores de risco foi realizada pelos testes de qui ao quadrado e exato de Fisher. As variáveis
que demonstraram associação na análise univariada foram submetidas à multivariada através
de modelo de regressão logística. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa
da UFU/MG (118/05; 370/09). No grupo hospitalizado foram identificados 63 (43,5%)
pacientes colonizados por MRSA nas UP, porém nenhum dos fatores de risco analisados foi
independentemente associado com esta colonização. Verificou-se associação entre pacientes
colonizados e com hemocultura positiva por MRSA (OR:19,0; 95% CI, 2,4-151,1, P<0,001),
bem como em relação à mortalidade (OR:21,9; 95% CI, 1,23-391,5; P=0,002 ). Os fatores de
risco independentes para bacteremia por MRSA foram: duas co-morbidades (OR:6,26 IC
95%, 1,01-39,1; P=0,05) e UP infectada (OR:12,75, 95% CI, 1,22-132,9, P=0,03). A
frequência de colonização nasal por MRSA foi expressiva no grupo hospitalizado, não sendo
constatada nos residentes das ILPI. Conclusões: O estudo demonstrou que úlcera por pressão
colonizada por MRSA representou um reservatório epidemiológico potencial deste
microrganismo no hospital, com risco de bacteremia por MRSA para o paciente e prognóstico
desfavorável quanto à evolução. Devido à maior dependência destes pacientes e sua
permanência por tempo prolongado nas principais unidades de internação do hospital,
recomenda-se maior atenção quanto a sua participação na epidemiologia de infecções por
bactérias multirresistentes, como o MRSA.
Abstract
Introduction: pressure ulcers (PU) predispose to colonization by methicillin-resistant
Staphylococcus aureus (MRSA) and represent an important reservoir of this organism in
hospitals and health care institutions for elderly in the United States and Europe. Objectives:
To evaluate the relationship between colonization and infection of UP by Staphylococcus
aureus / MRSA, risk factors and outcome for bloodstream infection and nasal colonization by
these microorganisms in patients with stage II or greater PU in hospitalized patients and
residents of Long Term Care Facilities (LTCF) for elderly. Methods: The study was
conducted at Clinical Hospital of Federal University of Uberlandia (CH-FUU) and three
LTCF of city. The study design was prospective cohort in the hospital and an observational,
longitudinal, in the LTCF. We included 226 volunteers, under active surveillance, of whom
145 were hospitalized and had stage II or greater PU, and 81 residents from LTCF, with or
without PU, for 20 months period, from May to December 2005 and August 2009 - July 2010.
PU were classified according to severity (stage I to IV) and the presence or absence of local
infection by evaluation of clinical signs and microscopic by positive evaluation of wound s
smears, by the ratio of inflammatory cells (polymorphonuclear) to epithelial cells of 2:1 per
field, after staining by Giemsa. By active search, we evaluated the records of volunteers until
discharge, death or transfer unit with the data reported on individual records. Clinical
specimens were collected with swabs of the stage II or greater PU and nasal mucosa of
volunteers in biweekly intervals until a positive result for S. aureus. The primary culture was
carried through salt mannitol agar. The MRSA bloodstream infection was defined as blood
culture positive. A single isolate of MRSA was found by volunteer and gender/ species
identification was performed by classical phenotypic tests. The antibiogram was performed by
agar diffusion technique according to CLSI standards 2005/2009. Results: Univariate
statistical analysis of risk factors was performed by chi-square and Fisher exact test. The
variables that showed association in the univariate analysis were analyzed by multivariate
logistic regression model. The study was approved by the research ethics of the UFU, MG
(118/05, 370/09). In the hospitalized group were identified 63 (43.5%) patients colonized with
MRSA in UP, however, none of the analyzed risk factors was independently associated with
this colonization. Association was found between patients with positive blood cultures and
colonized by MRSA (OR: 19.0, 95% CI, 2.4 to 151.1, P <0.001) as well as for mortality (OR:
21.9, 95 % CI, 1.23 to 391.5, P = 0.002). The independent risk factors for MRSA bacteremia
were two comorbidities (OR: 6.26 95% CI, 1.01 to 39.1, P = 0.05) and infected PU (OR:
12.75, 95% CI, 1.22 to 132.9, P = 0.03). The frequency of nasal colonization by MRSA was
high in the hospitalized group, not being found in residents of LTCF. Conclusions: The study
demonstrated that pressure ulcer colonized by MRSA was an epidemiologic reservoir
potential of this organism in the hospital, with high-risk for MRSA bacteremia for patients
and unfavorable prognosis as to the evolution. Due to the large dependence of these patients
and their prolonged stay in the main hospital units, we recommend more attention on the
participation of PU in the epidemiology of infections by multidrug-resistant bacteria as
MRSA.
Palavras-chave
Staphylococcus aureus resistente à meticilina, Colonização e bacteremia, Pressure ulcer, Methicillin-resistant staphylococcus aureus, Colonization and
bacteremia, Úlcera por pressão
Citação
PIRETT, Cely Cristiane Nery Silva. Úlcera por pressão colonizada por Staphylococcus aureus resistente
a meticilina: reservatório, fatores de risco e evolução
para infecção local e bacteremia em um hospital de ensino e
instituições de longa permanência para idosos. 2011. 97 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2011.