Publicação: Trabalho do(c)ente e saúde do trabalhador: compreensões de coordenadores de programas de pós-graduação stricto sensu de instituição federal de ensino superior
Carregando...
Arquivos
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
As inter-relações entre o trabalho, a saúde e a vida de coordenadores de programas
de pós-graduação (PG) stricto sensu em uma instituição federal de ensino superior
(IFES) constituem o tema de pesquisa. Objetivou-se analisar o modo como os
coordenadores compreendem o trabalho docente e seus impactos na saúde do
trabalhador. Os objetivos específicos consistiram em: a) avaliar como a
extensificação do trabalho e o presenteísmo impactam na invisibilidade de
processos de adoecimento; b) identificar a imersão dos professores nas tecnologias
digitais e a possível diluição das barreiras entre o trabalho e a vida cotidiana; c)
compreender as relações entre saúde e trabalho docente nas vivências dos
coordenadores e de seus pares. De natureza qualitativa, na construção dos dados
empregou-se a técnica de entrevista com roteiro semiestruturado. Os participantes
são dezessete coordenadores de cursos de mestrado acadêmico, mestrado
profissional e doutorado de uma IFES, contemplando-se as áreas do conhecimento
definidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq). As entrevistas foram áudio-gravadas, transcritas e analisadas de modo
temático. Na análise emergiram as seguintes categorias: “trabalho docente”,
“identidade docente”, “tecnologias digitais, “extensificação e intensificação do
trabalho docente” e “saúde do trabalhador docente”. O estudo evidenciou a
existência de uma pluralidade de sentidos e significados para o trabalho docente. Os
coordenadores conciliam gestão, ensino, pesquisa e extensão. A métrica construída
pelo capitalismo acadêmico incide na carreira docente e na avaliação de
desempenho e permeia as dimensões da atuação dos participantes. O trabalho
docente confere identidade aos professores e se expressa em vivências permeadas
por prazer e/ou sofrimento. A organização e as condições de trabalho repercutem
diretamente na saúde e na vida dos coordenadores de PG que assumem a condição
de trabalhadores full time, com traços evidentes de intensificação e extensificação
do trabalho, realidade agravada pelo uso das tecnologias digitais. O adoecimento e
suas relações com o trabalho são invisibilizadas. Na dimensão individual, há a
negação do adoecimento e de suas relações com o trabalho. As narrativas apontam
a continuidade do trabalho mesmo em precárias condições de saúde e graves
quadros de adoecimento. Compromisso e responsabilidade justificam o
presenteísmo. Na dimensão coletiva, ainda que identificado, o adoecimento dos
pares não constitui prioridade na agenda de interesses, pois vínculos e empatia
contrariam a dinâmica produtivista. O estudo demonstra a consolidação da lógica do
capitalismo acadêmico nos cursos de PG e seus impactos nas diversas dimensões
da vida dos trabalhadores docentes. Embora sejam profundas as relações entre
trabalho e saúde do trabalhador esta não compõe o rol de prioridades das IFES, das
políticas governamentais e de agências de fomento. Urge a ampliação de um olhar
crítico sobre a saúde do trabalhador docente e a construção de estratégias coletivas
de enfrentamento.
Abstract
The interrelationships between work, health and the life of graduate program
coordinators stricto sensu in a federal institution of higher education constitute the
research theme. The objective was to analyze how the coordinators understand the
teaching work and its impacts on worker health. The specific objectives were: a) to
evaluate how extensification of work and presenteeism impact on the invisibility of
illness processes; b) identify the immersion of teachers in digital technologies and the
possible dilution of barriers between work and everyday life; c) understand the
relationship between health and teaching work in the experiences of coordinators
and their peers. Of qualitative nature, the construction of the data used the technique
of interview with semi-structured script. The participants are seventeen coordinators
of academic master's courses, professional master's and doctorate of a federal
institution of higher education, contemplating the areas of knowledge defined by the
National Council of Scientific and Technological Development. The interviews were
audio-taped, transcribed and thematically analyzed. In the analysis, the following
categories emerged: "teaching work", "teacher identity", "digital technologies",
extensification and intensification of teaching work" and " "health of teaching worker".
The study evidenced the existence of a plurality of senses and meanings for the
teaching work. The coordinators combine management, teaching, research and
extension. The metric built by academic capitalism focuses on the teaching career
and the performance evaluation and permeates the dimensions of the participants'
performance. Teaching work confers teachers' identity and expresses themselves in
experiences permeated by pleasure and/or suffering. The organization and working
conditions have a direct impact on the health and life of postgraduate coordinators
who assume the status of full time workers, with evident intensification and
extensification of work, a reality aggravated by the use of digital technologies. Illness
and its relations to the work are invisibilized. In the individual dimension, there is the
denial of illness and its relations to the work. The narratives indicate the continuity of
work even in poor health conditions and serious illnesses. Commitment and
responsibility justify presenteeism. In the collective dimension, even if identified, the
sickness of the peers is not a priority in the agenda of interests, because ties and
empathy are contrary to the productivist dynamics.The study demonstrates the
consolidation of the logic of academic capitalism in postgraduate courses and its
impact on the different dimensions of the life of teaching workers. Although the
relationship between work and workers' health are deep, this does not make up the
list of priorities of the federal institutions of higher education, government policies and
development agencies. It is urgent to expand a critical view on the health of the
teaching worker and the construction of collective coping strategies.
Palavras-chave
Geografia Médica, Saúde e Trabalho, Saúde Mental, Worker's Health, Mental Health, Teacher, Geografia médica, Saúde e trabalho, Professores universitários - Saúde mental
Citação
GOMES, Larissa Isaura. Trabalho do(c)ente e saúde do trabalhador : compreensões de
coordenadores de programas de pós-graduação stricto sensu de
instituição federal de ensino superior- Uberlândia.2018.211f. Dissertação (Mestrado em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2018. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2018.931