Publicação: Ação da azitromicina em vilos placentários humanos infectados por Toxoplasma gondii: um modelo experimental de tratamento da toxoplasmose congênita
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::IMUNOLOGIA::IMUNOLOGIA APLICADA
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Silva, Neide Maria da
Resumo
A toxoplasmose é uma zoonose de distribuição mundial, causada pelo protozoário
Toxoplasma gondii. Apesar de geralmente apresentar-se como uma infecção
assintomática, a toxoplasmose pode manifestar-se como uma doença potencialmente
grave em indivíduos imunocomprometidos e quando adquirida durante a gestação, pode
associar-se a complicações fetais e abortos. O tratamento da toxoplasmose durante a
gestação, caso haja confirmação da infeccão fetal, baseia-se na combinação das drogas:
pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico (PSA). No entanto, estes fármacos
apresentam inúmeros efeitos adversos, não devendo ser indicado no primeiro trimestre
gestacional. A azitromicina é um antibiótico azalídeo com ação em uma ampla gama de
infecções bacterianas, bem como atividade antimalárica, sendo considerado seguro para
utilização durante a gestação. Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar a eficácia
da azitromicina no controle de T. gondii usando o modelo experimental de explantes
placentários de terceiro trimestre. Os vilos placentários foram infectados ou não com
taquizoítas de T. gondii e tratados com diferentes concentrações de azitromicina ou
PSA. Esses vilos placentários foram processados para análise morfológica, ensaio de
proliferação de T. gondii e imuno-histoquímica e, os sobrenadantes, avaliados para
mensuração da atividade de LDH, dosagem de citocinas, produção hormonal e de
nitrito. Em doses não citotóxicas (200 e 1000 μg/ml), os tratamentos com azitromicina
ou PSA não alteraram a morfologia dos vilos placentários. Ambos tratamentos foram
capazes de reduzir significativamente a proliferação intracelular T. gondii, sendo que o
tratamento com PSA promoveu aumento de IL-12 e redução de IL-10, enquanto a
azitromicina induziu aumento na produção de IL-2 e IL-6 nos grupos infectados com T.
gondii, além de redução na produção dos hormônios estradiol, progesterona e hCG.
Além disso, o tratamento prévio dos parasitos com antibióticos foi capaz de controlar a
replicação dos mesmos, demonstrando ação direta das drogas sobre T. gondii. Assim,
nossos dados indicam que a azitromicina, assim como PSA, são capazes de controlar a
infecção por T. gondii nos vilos placentários humanos de terceiro trimestre gestacional.
Além disso, nossos dados sugerem a azitromicina como uma alternativa no tratamento
da toxoplasmose congênita, ampliando as estratégias terapêuticas utilizadas no controle
do parasito na interface materno fetal.
Abstract
Toxoplasmosis is a worldwide zoonosis, caused by the protozoan Toxoplasma gondii.
Although it is an usuall asymptomatic infection, the toxoplasmosis can manifest as a
potentially serious disease in immunocompromised individuals and when acquired
during pregnancy. The treatment of toxoplasmosis during pregnancy when the fetal
infection is confirmed is based in the association of pyrimethamine, sulfadiazine and
folinic acid (PSA). Pyrimethamine is potentially toxic and should not be used in the first
trimester of pregnancy. The azalide antibiotic azithromycin presents efficacy in a wide
range of bacterial infections and antimalarial activity, and it is considered safe for use
during pregnancy. The objective of the present study was to evaluate the efficacy of
azithromycin in controlling T. gondii infection in human placentas from third trimester.
The placental villi were infected or not with tachyzoites of T. gondii and treated with
various concentrations of azithromycin or PSA. The villous placenta were processed for
morphological analysis, T. gondii intracellular proliferation and immunohistochemistry;
and supernatants were evaluated for measuring the activity of LDH, cytokine, hormone
production and nitrite. In non-cytotoxic doses (200 and 1000 ug/ml), treatment with
azithromycin or PSA did not alter the morphology of the placental villi. Both antibiotics
were able to reduce significantly the T. gondii intracellular proliferation, and the
treatment with PSA promoted increase of IL-12 and IL-10 reduce, whereas
azithromycin induced an increase in IL-2 and IL-6 in the groups infected with T. gondii,
and reduced production of estradiol, progesterone and hCG. Moreover, the previous
treatment of T. gondii with antibiotics was able to control the replication of the parasite,
showing direct action of drugs on T. gondii. Thus, our data suggest that azithromycin, as
PSA, was able to control the infection with T. gondii in an experimental model of
human placental explants of third trimester. Additionally our data suggest that
azithromycin may be an alternative selection for treatment of congenital toxoplasmosis,
expanding the therapeutic strategies to control the parasite in maternal fetal interface.
Palavras-chave
Azitromicina, Vilos placentários humanos, Trofoblasto, Citocinas, Hormônios sexuais, Toxoplasma gondii, Azithromycin, Human placental villi, Trophoblast, Cytokines, Sex hormones, Toxoplasmose congênita Tratamento, Azitromicina
Citação
FILICE, Letícia de Souza Castro. Ação da azitromicina em vilos placentários humanos infectados por Toxoplasma gondii: um modelo experimental de tratamento da toxoplasmose congênita. 2013. 108 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2013. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.te.2013.1