Publicação: O impacto da alergia e do exercício físico na efetividade da vacina contra SARS-CoV-2 em indivíduos vacinados para COVID-19
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::IMUNOLOGIA::IMUNOLOGIA APLICADA, CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Orientador
Coorientador
Resende, Rafael de Oliveira
Resumo
A COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2 e inicialmente identificada em 2019 em Wuhan,
China, desencadeou uma crise emergencial em saúde global. Em resposta, vacinas foram
desenvolvidas rapidamente para conter a propagação da doença e mitigar casos graves. No
Brasil, diversas plataformas de vacinas foram empregadas, incluindo aquelas baseadas em
mRNA (BNT162), vetor de adenovírus (ChAdOx1) e vírus inativado (CoronaVac). Grupos
com comorbidades e doenças crônicas foram considerados prioritários para receberem as
vacinas, destacando a importância de avaliar a resposta imune pós-vacinação em indivíduos
com alergias respiratórias, dada a via de entrada do SARS-CoV-2 pelas vias respiratórias.
Avaliar o impacto do nível de atividade física na resposta imune vacinal também pode fornecer
informações importantes sobre os mecanismos imunológicos subjacentes à proteção conferida
pela vacinação. Este estudo é composto de três capítulos, onde, no primeiro, investigamos os
efeitos adversos pós-vacinação contra SARS-CoV-2 em indivíduos com diagnóstico de atopia
e controles saudáveis. Observamos que os indivíduos atópicos vacinados com ChAdOx1
apresentaram maior incidência de efeitos adversos em comparação aos não atópicos, embora
nenhum participante tenha relatado reações alérgicas graves ou anafilaxia; no segundo capítulo,
investigamos o desempenho de uma plataforma de teste point-of-care (POC), que se baseia no
teste rápido de imunocromatografia de fluxo lateral. Esta plataforma se revelou uma importante
ferramenta na determinação da prevalência de anticorpos neutralizantes (NAbs) em indivíduos
vacinados. Observamos que os indivíduos vacinados apresentaram níveis mais elevados de
anticorpos em comparação aos convalescentes e àqueles sem infecção prévia (naïve),
destacando a utilidade dessa plataforma no monitoramento da infecção, permitindo o
rastreamento preciso de grupos de risco e a avaliação da eficácia das vacinas. No terceiro
capítulo, investigamos a resposta imune humoral pós-vacinação para COVID-19 entre homens
e mulheres em relação ao seu nível de atividade física, por meio da avaliação quantitativa de
adipocinas pró e anti-inflamatórias. Independentemente do seu status de sedentarismo ou
atividade, as mulheres apresentaram uma tendência maior de efetividade à vacina, evidenciada
por níveis elevados de anticorpos IgG anti-S (Spike), em comparação aos homens, apesar da
presença aumentada de adipocinas inflamatórias, como a leptina e resistina. Os níveis dessas
adipocinas podem desempenhar um importante papel na eficácia vacinal, embora outros fatores
biológicos devam ser melhor avaliados, como genéticos e hormonais. Em conclusão, os padrões
de resposta imune identificados neste estudo indicam que o nível de atividade física pode
influenciar de maneira distinta a resposta vacinal, especialmente em mulheres, denotando a
necessidade de levar em consideração diferentes perfis na elaboração de políticas públicas que
orientam as estratégias de vacinação em uma população específica. No quarto capítulo,
investigamos a relação entre atopia, adipocinas e o impacto da atividade física, avaliando a
atopia por meio de níveis de IgE e teste cutâneo de puntura para aeroalérgenos, quantificação
de adipocinas séricas, como leptina, resistina e adiponectina. Observamos que indivíduos
atópicos independentemente do nível de atividade física apresentam menor produção de leptina
em comparação aos não atópicos, e que esse comportamento continua quando adicionamos a
variável atividade física, sendo os atópicos sedentários apresentando maiores níveis de resistina
e menores níveis de leptina comparado aos não atópicos. Por outro lado, os indivíduos atópicos
que praticam atividade física possuem aumento dos níveis de adiponectina, anti-inflamatória,
comparado aos de comportamento sedentário. O índice de massa corpórea pode influenciar a
produção dessas adipocinas, em indivíduos atópicos e obesos que apresentaram maiores níveis
de leptina comparado aos não-obesos. Com esse estudo, concluímos que o exercício físico é
capaz de modular as respostas imunológicas em indivíduos atópicos podendo alterar os
sintomas da rinite alérgica.
Abstract
COVID-19, caused by SARS-CoV-2 and initially identified in 2019 in Wuhan, China, triggered
an emergency global health crisis. In response to this status, vaccines were quickly developed
to contain the spread of the disease and mitigate severe cases. In Brazil, most of these vaccine
platforms have been used, including those based on mRNA (BNT162), adenovirus vector
(ChAdOx1), and inactivated virus (CoronaVac). Groups with comorbidities and chronic
diseases were considered a priority to receive the vaccines, highlighting the importance of
evaluating the post-vaccination immune response in individuals with respiratory allergies,
given the route of entry of SARS-CoV-2 through the respiratory tract. Assessing the impact of
physical activity level on the vaccine immune response can also provide important information
about the immunological mechanisms underlying the protection conferred by vaccination. This
study has been presented in three chapters. First, we investigated the adverse effects postvaccination against SARS-CoV-2 in individuals with atopy and healthy controls. We observed
that atopic individuals vaccinated with ChAdOx1 had a higher incidence of adverse effects
compared to non-atopic individuals, although no participants reported severe allergic reactions
or anaphylaxis. In the second chapter, we investigate the performance of a point-of-care (POC)
testing platform, which is based on the rapid lateral flow immunochromatography test. This
platform proved to be an important tool in determining the prevalence of neutralizing antibodies
(NAbs) in vaccinated individuals. We observed that vaccinated individuals had higher levels of
antibodies compared to convalescents and those without previous infection (naïve),
highlighting the usefulness of this platform in monitoring infection, accurate tracking of risk
groups, and assessment of vaccine effectiveness. In the third chapter, we investigated the
humoral immune response post-vaccination for COVID-19 among men and women in relation
to their level of physical activity, through the quantitative evaluation of pro and antiinflammatory adipokines. Regardless of their status of sedentary lifestyle or activity, women
showed a greater tendency of vaccine effectiveness, evidenced by elevated levels of anti-S IgG
antibodies (Spike), compared to men, despite the increased presence of inflammatory
adipokines, like leptin and resistin. The levels of these adipokines may play an important role
in vaccine efficacy although other biological features must be investigated, such as genetic and
hormonal factors. In conclusion, the immune response patterns identified in this study indicate
that allergy/atopy status can influence the vaccine response with several aspects, especially in
women, denoting the need to take different profiles into account when developing public
policies that guide strategies of vaccination in a specific population. In the fourth chapter, we
investigated the relationship between atopy, adipokines and the impact of physical activity,
assessed atopy through IgE levels and skin prick test for aeroallergens, quantification of serum
adipokines, such as leptin, resistin and adiponectin. We observed that atopic individuals
regardless of the level of physical activity have lower leptin production compared to non-atopic
individuals, and that this behavior continues when we add the variable physical activity, with
higher levels of resistin and lower levels of leptin compared to non-atopic. On the other hand,
atopic individuals who practice physical activity have increased levels of adiponectin, antiinflammatory, compared to sedentary behavior. The body mass index can influence the
production of these adipokines in atopic and obese individuals who had higher levels of leptin
compared to non-obese individuals. With this study, we conclude that physical exercise is
capable of modulating immune responses in atopic individuals and may alter the symptoms of
allergic rhinitis.
Palavras-chave
COVID-19, vacinação, atopia, alergia respiratória, exercício físico, adipocinas
Citação
OLIVEIRA, Laura Alves Ribeiro. O impacto da alergia e do exercício físico na efetividade da vacina contra SARS-CoV-2 em indivíduos vacinados para COVID-19. 2024. 177 f. Tese (Doutorado em Imunologia e Parasitologia Aplicadas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024. DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2024.351.