Publicação: Associação entre o uso de clorexidina ou cetilpiridínio oral para prevenção de pneumonia associada à ventilação e a ocorrência de lesão pulmonar aguda em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico: um ensaio clínico randomizado
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
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Coorientador
Mendonça, Marcelo de Freitas
Resumo
Introdução: A higiene oral de pacientes críticos em ventilação mecânica (VM) é uma
estratégia importante para a prevenção da pneumonia associada à ventilação
mecânica (PAV) e, em todo o mundo, o uso da clorexidina neste procedimento foi
recomendado e difundido como rotina. No entanto, meta-análises de ensaios clínicos
randomizados duplo-cegos relataram associação entre o uso de clorexidina na higiene
oral e aumento de mortalidade, e nenhuma redução nas taxas de PAV. O mecanismo
aventado para explicar esse aumento na mortalidade é ocorrência de lesão pulmonar
aguda, uma vez que a clorexidina é uma substância ácida e, ao ser aspirada, poderia
acarretar toxicidade pulmonar direta. Objetivos: Avaliar se há associação entre o uso
de clorexidina (CHX) na higiene oral dos pacientes críticos em ventilação mecânica e
a ocorrência de LPA, e se o cloreto de cetilpiridínio (CCP) é uma opção segura.
Métodos: Este estudo é um ensaio clínico randomizado controlado, registrado sob o
número RBR-7p6568 no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos. Os protocolos
experimentais foram aprovados pelo comitê de ética local e estão em conformidade
com as diretrizes do CONSORT (CONsolidated Standards Of Reporting Trials). Dos
59 pacientes elegíveis, 34 foram consentidos e alocados aleatoriamente em três
grupos diferentes: (A) higiene oral com digluconato de clorexidina 0,12%; (B) cloreto
de cetilpiridínio 0,075%; (C) água estéril. O desfecho primário foi a ocorrência de lesão
pulmonar aguda. E os secundários foram mortalidade por todas as causas, duração
da VM, tempo de permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), infecções
adquiridas na UTI e resistência antimicrobiana. Os dados coletados foram agrupados
e comparados. Resultados: O uso da clorexidina para a higiene oral dos pacientes
críticos em ventilação mecânica apresentou associação não estatisticamente
significativa com o aumento na ocorrência de lesão pulmonar aguda e infecções
adquiridas na UTI. A análise estatística não demonstrou diferenças nos percentuais
de prevalência entre os grupos para nenhuma variável, aplicando o teste Z das
proporções com correção de Bonferroni. Além disso, foi coletada a P/F diária dos
pacientes por 14 dias e esses dados foram analisados por Modelo Linear Misto, em
que não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os três
grupos nos valores de P/F diária ao longo do acompanhamento. Discussão:
Considerando que os guidelines internacionais modificaram suas recentes diretrizes
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e não mais recomendam a clorexidina para a higiene oral de todos os pacientes
críticos, é imperativo avaliar alternativas à clorexidina. Neste estudo, os resultados
não mostraram evidências de danos com o uso de CCP, corroborando com o dado de
que este, diferentemente da CHX, não é uma substância ácida. Conclusão: Em
instituições cujos protocolos orientam o uso da clorexidina oral apenas quando houver
prescrição específica, o CCP se mantém como uma alternativa possível. Novas
investigações serão necessárias para avaliar se o cloreto de cetilpiridínio na higiene
oral é uma estratégia segura e eficaz para prevenção de PAV e poderia, portanto, ser
recomendado pelas diretrizes para uso de rotina em todos os pacientes críticos em
ventilação mecânica.
Abstract
Introduction: Oral hygiene for critically ill patients on mechanical ventilation (MV) is
an important strategy for preventing ventilator-associated pneumonia (VAP), and
worldwide, the use of chlorhexidine in this procedure has been recommended and
disseminated as routine. However, meta-analyses of double-blind randomized clinical
trials have reported an association between the use of chlorhexidine in oral hygiene
and increased mortality, and no reduction in VAP rates. The mechanism suggested to
explain this increase in mortality is the occurrence of acute lung injury, since
chlorhexidine is an acidic substance and, when aspirated, could cause direct
pulmonary toxicity. Objectives: To evaluate whether there is an association between
the use of chlorhexidine (CHX) in the oral hygiene of critically ill patients on mechanical
ventilation and the occurrence of ALI, and whether cetylpyridinium chloride (CCP) is a
safe option. Methods: This study is a randomized controlled clinical trial, registered
under number RBR-7p6568 in the Brazilian Registry of Clinical Trials. The
experimental protocols were approved by the local ethics committee and comply with
the CONSORT (CONsolidated Standards of Reporting Trials) guidelines. Of the 59
eligible patients, 34 consented and were randomly allocated to three different groups:
(A) oral hygiene with 0.12% chlorhexidine digluconate; (B) 0.075% cetylpyridinium
chloride; (C) sterile water. The primary outcome was the occurrence of acute lung
injury. Secondary outcomes were all-cause mortality, duration of mechanical
ventilation, length of stay in the Intensive Care Unit (ICU), ICU-acquired infections, and
antimicrobial resistance. The collected data were pooled and compared. Results: The
use of chlorhexidine for oral hygiene in critically ill patients on mechanical ventilation
showed a non-statistically significant association with an increased occurrence of
acute lung injury and ICU-acquired infections. Statistical analysis showed no
differences in prevalence percentages between groups for any variable, applying the
Z-test of proportions with Bonferroni correction. In addition, the patients’ daily P/F ratio
was collected for 14 days, and this data was analyzed using a Mixed Linear Model, in
which no statistically significant differences were observed between the three groups
in the daily P/F values throughout the follow-up period. Discussion: Considering that
international guidelines have modified their recent recommendations and no longer
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recommend chlorhexidine for oral hygiene in all critically ill patients, it is imperative to
evaluate alternatives to chlorhexidine. In this study, the results showed no evidence of
harm with the use of CCP, corroborating the fact that, unlike CHX, it is not an acidic
substance. Conclusion: In institutions whose protocols guide the use of oral
chlorhexidine only when specifically prescribed, CCP remains a possible alternative.
Further investigations will be necessary to assess whether cetylpyridinium chloride in
oral hygiene is a safe and effective strategy for preventing VAP and could, therefore,
be recommended by guidelines for routine use in all critically ill patients on mechanical
ventilation.
Palavras-chave
Cuidados críticos, Assepsia, Índice de higiene oral, Procedimentos clínicos, Medicina preventiva, Critical care, Asepsis, Oral hygiene index, Critical pathways, Preventive medicine
Citação
VIEIRA, Paula Cunha. Associação entre o uso de clorexidina ou cetilpiridínio oral para prevenção de pneumonia associada à ventilação e a ocorrência de lesão pulmonar aguda em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico: um ensaio clínico randomizado. 2026. 98 f. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.5022.
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