Publicação: Vigilância epidemiológica em UTI pediátrica e de MRSA
em Hospital de Assistência Terciária do Estado de Minas
Gerais
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::IMUNOLOGIA::IMUNOLOGIA APLICADA
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Coorientador
Gontijo Filho, Paulo Pinto
Resumo
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam uma das principais causas
de morbidade, mortalidade e custos, principalmente aquelas causadas por bactérias resistentes
e multirresistentes aos antibióticos. O presente estudo propôs avaliar a epidemiologia e
etiopatogenia das IRAS na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), assim como dos
pacientes com infecções por S. aureus em hospital terciário de ensino, com foco nas taxas de
incidência e indicadores epidemiológicos, densidade de uso de antibióticos, fatores de risco
para desenvolvimento dessas infecções e mortalidade associada ao Staphylococcus aureus
resistente à meticilina (MRSA). O estudo incluiu vigilância NHSN ( National Healthycare
Safety Network ) (prospectiva, longitudinal), de pacientes internados na UTIP do Hospital de
Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), com recuperação dos isolados no
laboratório do hospital, e avaliação dos fatores de risco através de estudo caso (pacientes com
IRAS) versus controle (pacientes sem infecção), no período de Agosto/2009 a Agosto/2010.
Uma ficha individual, com dados epidemiológicos, clínicos e microbiológicos foi preenchida
para vigilância das infecções por S. aureus. Foram utilizadas 255 isolados de S .aureus
obtidas de 230 pacientes, identificadas pelo laboratório de microbiologia do HC-UFU, durante
o período de janeiro a dezembro de 2010. Foi realizado um estudo caso versus controle
pareado para avaliar a taxa de mortalidade associada ao MRSA, considerando, apenas, os
pacientes com infecção de corrente sanguínea. O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética
em pesquisa da universidade (no003/11). As IRAS foram causa significativa de morbidade
intra-hospitalar nos pacientes na UTIP, com taxa de 26,7 infecções hospitalares por 1000
pacientes-dia. A sepse (19,6 por 1000 pacientes-dia) foi a infecção mais comum, e 44,1% dos
pacientes com sepse apresentaram sepse primária, com o CVC como foco principal ou
desconhecido, enquanto nas secundárias, o pulmão e trato urinário foram os focos mais
frequentes (8,8% cada). A análise univariada dos fatores de risco para IRAS apontou os
seguintes: uso do CVC (p=0,01), uso de mais de dois antibióticos (p<0,001), tempo de
internação (p<0,0001) e score ASIS V (p<0,001), sendo os dois primeiros independentes para
o desenvolvimento de IRAS. Dentre os 15 casos de infecções de corrente sanguínea
associadas ao CVC, 40,0% foram relacionadas ao uso deste dispositivo. A elevada densidade
de uso de antibióticos não foi relacionada à diminuição na incidência de IRAS no período
investigado. A avaliação do S. aureus no hospital revelou que 29,8% foram MRSA. Os
indicadores epidemiológicos mostraram taxa de infecção de 40,5 por 1000 pacientes-dia. A
sepse foi a infecção mais comum no período investigado. O uso de antibióticos, também não
foi relacionado ao aumento na incidência de infecções hospitalares por MRSA/1000
pacientes-dia. Na análise dos fatores de riscos, somente o uso prévio de antibióticos (p<0,001)
foi fator independente para infecção por MRSA. A mortalidade hospitalar foi
significantemente maior entre os pacientes que tiveram infecção por MRSA. A taxa de
mortalidade associada no grupo de pacientes com ICS por MRSA foi de 50,0% (p=0,0134). A
taxa de IRAS na UTI pediátrica foi alta (22,0%), com a maioria adquirida na unidade e
representada pela família Enterobacteriaceae como agentes causais. A sepse foi a causa mais
comum de IRAS, tanto na UTIP quanto por S. aureus no hospital, com significante associação
com uso de dispositivos invasivos. Nossos dados sugerem que a resistência à meticilina pode
ser relacionada com maior mortalidade associada ao microrganismo, entre os pacientes que
adquiriram infecções hospitalares da corrente sanguínea por S. aureus.
Abstract
Healthcare-associated infections (HAI) represent a major cause of morbidity, mortality and
costs, principally those caused by bacteria resistant and multiresistant to antibiotics. The
present study evaluates the epidemiology and pathogenesis of HAI in the Pediatric Intensive
Care Unit (PICU), as well as in patients with infections caused by S. aureus in a tertiary-care
teaching hospital, focusing on incidence rates and epidemiological indicators, density of use
of antibiotics, risk factors for development of these infections and associated mortality to
Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA). The study included National
Helathycare Safety Network (NHSN) surveillance (prospective, longitudinal) of patients in
PICU of Hospital de Clínicas of the Federal University of Uberlândia (HC-UFU), the samples
were recovered from the microbiology laboratory of the hospital, and evaluation of risk
factors was made through a case (patients with HAI) versus control (patients without
infection) study, from August/2009 to August/2010. An individual form of surveillance, with
epidemiological, clinical and microbiological data from patients with S. aureus infections was
filed. We recovered 255 isolates of S. aureus obtained from 230 patients, identified by the
microbiology laboratory of the HC-UFU, from January to December 2010. We conducted a
case-control matched study to assess associated mortality rates by MRSA, considering only
patients with bloodstream infection (BSI). The study was approved by the Research Ethics
Committee of the University (no003/11). HAI were a significant cause of morbidity in
patients in the PICU, with a rate of 26.7 nosocomial infections per 1000 patient-days. Sepsis
(19.6/1000 patient-days) was the most common infection, and 44.1% of the patients with
sepsis had primary sepsis, and the main source of these infection were CVC or unknown,
while in the secondary sepsis, lung and urinary tract were more frequent sources (8.8% each).
Univariate analysis of risk factors for HAI showed the following: use of CVC (p = 0.01), use
of more than two antibiotics (p <0.001), length of stay (p <0.0001) and ASIS V score (p
<0.001), the first two being independent for the development of HAIS. Among the 15 cases of
bloodstream infections associated with CVC, 40.0% were related to the use of this device.
The high density of antibiotic use was not related to a decrease in the incidence of HAI in the
investigated period. The evaluation of S. aureus in the hospital showed that 29.8% was
MRSA. The epidemiological indicators showed an infection rate of 40.5 per 1000 patientdays.
Sepsis was the most common infection in the investigated period. The use of antibiotics
was not related to increased incidence of nosocomial infection by MRSA/1000 patient-days.
Analyzing the risk factors, only the prior use of antibiotics (p <0.001) was an independent
factor for MRSA infection. The hospital mortality was significantly higher among patients
who had MRSA infection. The associated mortality rate of patients with MRSA BSI was
50.0% (p = 0.0134). The rate of HAI in the pediatric ICU was high (22.0%), with the majority
acquired in the unit and represented by the family of Enterobacteriaceae as main agents.
Sepsis was the most common cause of HAI in both, PICU and S.aureus infections in the
hospital, with significant association with invasive devices. Our data suggest that methicillin
resistance may be related with increased associated mortality to the microorganism among
patients who acquired nosocomial bloodstream infection by S.aureus.
Palavras-chave
IRAS, UTI pediátrica, Infecção de corrente sanguínea, Staphylococcus aureus, Pediatric ICU, Bloodstream infection, Microbiologia, Infecção
hospitalar, Vigilância epidemiológica
Citação
PORTO, Juliana Pena. Vigilância epidemiológica em UTI pediátrica e de MRSA em Hospital de Assistência Terciária do Estado de Minas
Gerais. 2012. 95 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2012. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.te.2012.69