Publicação: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF: a construção da educação do campo no Brasil
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA
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Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo o estudo da trajetória da Educação do Campo pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. Analisamos as propostas pedagógicas e as perspectivas e, principalmente as contribuições da Educação do Campo na formação da consciência camponesa. A partir de pesquisas de campo feitas na Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF, em Guararema no estado de São Paulo, buscamos compreender o processo da organização e inserção da luta dos trabalhadores rurais à luta pela Educação do Campo. As entrevistas foram com 14 participantes, entre educadores e dirigentes do MST, presentes na ENFF no mês de janeiro de 2014. Também focamos a origem ou o nascimento do termo \"Educação do Campo\", em oposição ao já estabelecido como Educação Rural. O MST é o precursor dessa nova concepção em educação, porque buscava entre os parceiros, uma educação de qualidade para os sujeitos do campo e a valorização dos saberes e da cultura camponesa. Este trabalho dialogou com os apontamentos desenvolvidos pelos entrevistados sobre a Educação do Campo e também como a ENFF tornou-se um lócus na proposição e desenvolvimento de projetos educacionais e políticos. As análises das pesquisas dos órgãos governamentais, como o IBGE sobre a educação no meio rural foram importantes para a contraposição das entrevistas e dos registros históricos sobre a educação no campo. Analisamos as estratégias adotadas pelo MST e aliados em busca de projetos na luta por uma Educação do e no Campo para a classe camponesa. Analisamos a Legislação vigente sobre a Educação do Campo e sobre a existência ou não da efetivação de fato dessas normativas. A educação entrou na pauta do MST, primeiramente para solucionar a falta de escolas para as crianças dos primeiros acampamentos e posteriormente, para a escolarização de todos os integrantes desse Movimento. Os trabalhadores do campo lutam pela educação do e no campo para garantir seus direitos, como o de continuar estudando e morando no campo. A Educação do Campo é um projeto que está em construção e em disputa constante e a cada dia, se torna mais acirrada, pois os projetos para serem implantados necessitam derrubar muitas barreiras de preconceito contra os camponeses e a resistência de ideologias entre projetos. Os resultados da pesquisa de acordo com os entrevistados indicaram que a ENFF e a Educação do campo são uma necessidade vital para a classe trabalhadora. Assim, a Educação do campo é estratégia para os camponeses permanecerem no campo e a presença das mulheres camponesas educadoras na luta foi o fator dominante na construção dos projetos em Educação do Campo no Brasil.
Abstract
Esta investigación tiene como objetivo estudiar la trayectoria de la Educación del Campo hecha por el Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra - MST. Analizamos las propuestas pedagógicas, las perspectivas, y principalmente las contribuciones de la Educación del Campo en la formación de la conciencia campesina. A partir de la investigación de campo realizada en la Escuela Nacional Florestan Fernandes - ENFF en Guararema, en el estado de São Paulo, buscamos comprender el proceso de organización e integración de la lucha de los trabajadores rurales a la lucha por la Educación del Campo. Las entrevistas fueron con 14 participantes, entre educadores y líderes del MST, presentes en ENFF en enero de 2014. También nos centramos el origen o el nacimiento del término \"Educación del Campo\", en contraposición a la ya establecida como Educación Rural. El MST es precursor de ese nuevo concepto en la educación porque busca entre los aliados, una educación de calidad para los sujetos del campo y la valorización de los saberes y la cultura campesina. Este trabajo dialogó con las notas elaboradas por los entrevistados sobre la Educación del Campo, y también en cómo la ENFF se convirtió en un lugar de proponer y desarrollar proyectos educativos y políticos. El análisis de las investigaciones de las agencias gubernamentales como el IBGE sobre la educación en las zonas rurales fue importante para contrastar entrevistas y registros históricos sobre la educación en el campo. Analizamos las estrategias adoptadas por el MST y aliados en la búsqueda de proyectos en la lucha por una Educación del y en el Campo para la clase campesina. Analizamos la Legislación vigente sobre la Educación del Campo y sobre la existencia o no de la realización de estas normativas. La educación entró en la agenda del MST, principalmente para solucionar la falta de escuelas para los hijos de los primeros acampamentos y posteriormente, para la escolarización de todos los integrantes de este movimiento. Los trabajadores de campo luchan por la educación de y en el campo para garantizar sus derechos, como el de continuar estudiando y viviendo en el campo. La Educación del Campo es un proyecto que está en construcción y en constante disputa y cada día se agudiza más, ya que los proyectos a implementar necesitan destruir muchas barreras de los prejuicios contra los campesinos y la resistencia de ideologías entre proyectos. Los entrevistados destacaron que la ENFF y la Educación del Campo son una necesidad vital para la clase trabajadora. Por lo tanto, la educación del campo es estratégia para los campesinos permanecen en el campo y la presencia de las mujeres rurales a los educadores en la lucha fue el factor dominante en la construcción de proyectos en educación del campo en Brasil.
Palavras-chave
Educação do campo, Escolas do campo, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF, Educación rural, Escuelas de campo, Movimiento de Trabajadores Sin Tierra - MST, Escuela Nacional Florestan Fernandes - ENFF, Educação rural, Trabalhadores rurais - Educação
Citação
MOTA, Maria Eleusa da. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF: a construção da educação do campo no Brasil. 2015. 165 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2015.214