Publicação: O dispositivo de racialidade e a necropolítica no Brasil: uma análise a partir de Sueli Carneiro
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA::OUTRAS SOCIOLOGIAS ESPECIFICAS
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Este trabalho tem como objetivo analisar os conceitos de Dispositivo de Racialidade
e Necropolítica no Brasil contemporâneo a partir de Sueli Carneiro e Achille Mbembe.
A pesquisa estabelece que o Dispositivo de Racialidade de Carneiro funciona como a
estrutura histórica e operacional da necropolítica brasileira, traçando suas raízes no
regime escravocrata do século XVI e perpetuando a marginalização e desumanização
da população negra. A partir da lente conceitual da necropolítica de Achille Mbembe,
que expõe o poder estatal de ditar quem pode viver e principalmente quem e como
deve morrer, o trabalho busca compreender como a dinâmica do racismo é articulada
a esses dois conceitos que bebem na fonte da noção do biopoder de Michel Foucault.
O objetivo central é evidenciar as manifestações contemporâneas de extermínio e
controle, analisando as práticas necropolíticas em suas múltiplas dimensões, com
ênfase na interseccionalidade de gênero. Para isso, o estudo se aprofunda no
genocídio da juventude negra masculina, interpretando a violência policial e o
encarceramento em massa como estratégias ativas de morte, conforme o conceito de
"violência como modo de subjetivação" e na dimensão de gênero da necropolítica
sobre as mulheres negras, manifestada pelo "deixar morrer" (omissão e descaso no
sistema de saúde, resultando em altas taxas de "mortes preveníveis e evitáveis"), e
pelo controle reprodutivo. Ao invés de focar nas estratégias de resistência, este estudo
se concentra em demonstrar a permanência e as formas de funcionamento dessa
máquina de morte e subalternização no cenário atual brasileiro.
Abstract
This work aims to analyze the concepts of Raciality Device and Necropolitics in
contemporary Brazil based on Sueli Carneiro and Achille Mbembe. The research
establishes that Carneiro's Raciality Device functions as the historical and operational
structure of Brazilian necropolitics, tracing its roots to the slave regime of the 16th
century and perpetuating the marginalization and dehumanization of the Black
population. Using the conceptual lens of Achille Mbembe's necropolitics, which
exposes the state power to dictate who may live and, mainly, who must die and how,
the work seeks to understand how the dynamics of racism are articulated with these
two concepts that draw upon Michel Foucault's notion of biopower. The central
objective is to highlight contemporary manifestations of extermination and control,
analyzing necropolitical practices in their multiple dimensions, with an emphasis on
gender intersectionality. To this end, the study delves into the genocide of black male
youth, interpreting police violence and mass incarceration as active strategies of death,
in accordance with the concept of "violence as a mode of subjectivation", and into the
gender dimension of necropolitics concerning black women, manifested by "letting die"
(omission and neglect in the health system, resulting in high rates of "preventable and
avoidable deaths") and by reproductive control. Instead of focusing on resistance
strategies, this study concentrates on demonstrating the permanence and functioning
forms of this machine of death and subalternization in the current Brazilian scenario.
Palavras-chave
Necropolítica, Necropolitics, Dispositivo de racialidade, Raciality device, Sueli Carneiro, Sueli Carneiro, Biopoder, Biopower, Racismo de Estado, State Racism
Citação
FERREIRA, Bruna Fernanda. O dispositivo de racialidade e a necropolítica no Brasil: uma análise a partir de
Sueli Carneiro. 2026. 52 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Sociais) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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