Publicação: O fórum de classe numa escola pública: significados e
práticas direcionados à construção de uma coletividade
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
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Resumo
A escola constitui-se em um espaço-tempo de relações sociais. Partindo da
premissa anterior, o objetivo do presente trabalho foi conhecer e analisar práticas e
significados na construção de uma proposta coletiva de avaliação de uma escola.
Tal objetivo levou-nos a participar do cotidiano de uma escola Pública Federal de
Ensino Fundamental, em que estivemos realizando nossa pesquisa durante o ano
letivo de 2005, participando de diferentes modalidades de reuniões, que discutiam o
processo avaliativo escolar e também do dia-a-dia de uma sala de aula de 2º ano do
1º Ciclo de Formação Humana. Por meio da presente pesquisa, confirma-se, para
nós, a dinamicidade e a historicidade do cotidiano escolar, revelada na subjetividade
da escola e de seus sujeitos. Imersos na rotina da escola, pudemos perceber seus
limites e suas possibilidades para os sujeitos se reunirem, discutirem e realizarem os
Fóruns de Classe. Verificamos, na escola, a existência de um discurso que visa a
construção de um processo de avaliação qualitativa e coletiva, mas, em práticas ou
ações relativas ao Fórum de Classe, as características que prevalecem ainda são
burocracia, hierarquização, ritualização e autoritarismo. Portanto, em relação ao
período em que desenvolvemos nossa pesquisa, podemos dizer que o Fórum de
Classe na ESEBA consistiu um processo em que o discurso avança, ou seja,
apresenta-se como um momento de amplo diálogo e reflexão, porém, na prática, o
que se tem é a realização de um ritual avaliativo que tenta disciplinar o
comportamento dos alunos e que também estimula tais sujeitos a internalizar os
valores, as normas e o discurso da instituição e de seus professores, de uma
maneira especial, por intermédio de práticas grupais. Deste modo, destacamos que
a construção de uma prática avaliativa democrática e coletiva na ESEBA permanece
sendo uma meta que ainda está por ser materializada; isto implica, entre outros
desafios, estabelecer relações em que todos os sujeitos envolvidos no processo
ensino-aprendizado possam se expressar e ser ouvidos.
Abstract
School constitutes itself in social relations of time and space. Having in mind what
was just said, this dissertation aims at knowing and analyzing practices and
meanings in the collective proposal of evaluating a school. Such an aim took us to
participate of an every day life of a public elementary school (ESEBA) where we had
been carrying out our research in 2005. At this school, we had the opportunity to be
in different kinds of meetings, which allowed us to discuss the process of evaluation
as well as the daily life of a classroom of the second grade of the basic cycle of
human formation. Our research confirms the dynamicity and historicity of everyday
life in school, which could be seen in the subjects. By being part of the routine of the
school, we could realize its limits and possibilities in order to make the subjects get
united, discuss and make their classroom meetings. We could find, on the one hand,
that, at this specific school, the existence of a discourse that intends to construct a
qualitative and collective evaluation process. But, on the other hand, we could also
realize that there are practices or even actions related to the classroom meetings in
which what one can see is bureaucracy, hierarchy, ritualism and authoritarianism.
Therefore, if we can consider the time we spent in this school in order to carry out our
research, we can say that the classroom forum was a process in which a certain
emancipating discourse takes place, that is, it shows itself as wide moment of
dialogue and reflection, although in practical terms what one can really realizes is an
evaluative process which tries to discipline the behavior of students. This discourse
also stimulates students to internalize values, rules, and the discourse of the school
and teachers, especially by practices developed in groups. Thus, we have pointed
out that the construction of a democratic and collective practice of evaluation still
remains as a goal to be concretized at ESEBA. This implies, among other
challenges, that it is necessary to establish relations in which those subjects involved
in the process of teaching and learning can express themselves and be heard.
Palavras-chave
Cotidiano, Coletivo, Avaliação, Fórum de classe, School everyday life, Collectivity, Evaluation, Classroom meetings, Avaliação educacional
Citação
MUNIZ, Luciana Soares. O fórum de classe numa escola pública: significados e
práticas direcionados à construção de uma coletividade. 2006. 252 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2006.