Publicação: Rodovias que matam: estimativas corrigidas de atropelamentos de fauna silvestre considerando detectabilidade e persistência de carcaças em um trecho do Cerrado
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Programa
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Roel, Carine Firmino Carvalho
Resumo
A expansão e intensificação da malha rodoviária brasileira têm gerado impactos ambientais significativos, especialmente sobre a fauna silvestre, sendo os atropelamentos uma das principais causas de mortalidade associadas às estradas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os impactos das rodovias GO-402 e GO-305 sobre a fauna silvestre no sudeste do estado de Goiás, por meio do levantamento, quantificação e análise dos registros de atropelamentos, além do cálculo de taxas corrigidas considerando detectabilidade e persistência das carcaças. Também foi realizada uma ação de conscientização voltada aos usuários das rodovias. O monitoramento ocorreu entre maio e dezembro de 2025, totalizando sete meses de amostragem, com 27 visitas de campo e aproximadamente 612,9 km percorridos. Foram utilizados dois métodos de monitoramento — a pé e com veículo automotor — para comparar a eficiência de detecção das carcaças e avaliar sua persistência. Ao longo do estudo foram registrados 33 indivíduos atropelados, sendo 29 pertencentes à fauna silvestre, distribuídos em 18 espécies. Os mamíferos representaram o grupo mais afetado (17 registros), seguidos por aves (8), répteis (2) e anfíbios (2). Entre as espécies mais registradas destacaram-se o tatu-peba (Euphractus sexcinctus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus). O monitoramento a pé apresentou maior eficiência na detecção de carcaças, registrando taxa de atropelamento de 0,417 vertebrados/km, enquanto o monitoramento veicular registrou 0,066 vertebrados/km, indicando subestimação de cerca de 84% quando apenas o método motorizado é utilizado. Com a aplicação de fatores de correção, estima-se que aproximadamente 4.490 animais morram atropelados por ano no trecho estudado. Os resultados evidenciam que estimativas baseadas apenas em registros brutos podem subestimar a mortalidade de fauna, destacando a importância de correções metodológicas e de ações de mitigação e educação ambiental para reduzir os impactos das rodovias sobre a biodiversidade.
Abstract
Palavras-chave
Mortalidade de vertebrados, Ecologia de estradas, Monitoramento de fauna, Impactos antrópicos, Conservação da biodiversidade
Citação
DINIZ, Alessandra Vitorino. Rodovias que matam: estimativas corrigidas de atropelamentos de fauna silvestre considerando detectabilidade e persistência de carcaças em um trecho do Cerrado. 2026. 38 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.