Publicação: Platão e o problema do mal
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::METAFISICA
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Resumo
O presente trabalho investiga a presença e a natureza do mal na filosofia platônica,
examinando se há uma teoria consistente sobre o tema nos Diálogos. Parte-se da hipótese de
que Platão admite diferentes dimensões do mal: um mal negativo, estrutural, inerente à
condição do sensível como realidade imperfeita; e um mal positivo, originado na ignorância da
alma em relação ao Bem. A análise contempla a centralidade da Ideia de Bem como princípio
causal, sua relação com a ciência e a opinião, a analogia do sol, a distinção entre amantes do
espetáculo e do conhecimento, a função da dialética e o mito da caverna. Considera-se ainda o
mal negativo como imperfeição ontológica decorrente da desigualdade entre o inteligível e o
sensível, à luz da cosmologia do Timeu, da noção de khóra, da limitação do Demiurgo e da
cooperação entre razão e necessidade. Discute-se também o mal positivo, entendido de forma
relativa, como efeitos inevitáveis da limitação racional, e absoluta, como ações humanas
orientadas pela ignorância do Bem, sobretudo nos diálogos Leis e Timeu. Conclui-se que,
embora Platão não formule uma teoria sistemática do mal, sua filosofia oferece elementos para
compreendê-lo como fenômeno necessário à imperfeição do sensível e como resultado da
desordem da alma.
Abstract
Le présent travail enquête sur la présence et la nature du mal dans la philosophie
platonicienne, en examinant s’il existe une théorie cohérente sur le sujet dans les Dialogues. On
part de l’hypothèse que Platon admet différentes dimensions du mal : un mal négatif, structurel,
inhérent à la condition du sensible en tant que réalité imparfaite ; et un mal positif, issu de
l’ignorance de l’âme à l’égard du Bien. L’analyse envisage la centralité de l’Idée du Bien
comme principe causal, sa relation avec la science et l’opinion, l’analogie du soleil, la
distinction entre les amateurs de spectacle et ceux du savoir, la fonction de la dialectique et le
mythe de la caverne. Le mal négatif est ensuite considéré comme imperfection ontologique
découlant de l’inégalité entre l’intelligible et le sensible, à la lumière de la cosmologie du
Timée, de la notion de khóra, de la limitation du Démiurge et de la coopération entre raison et
nécessité. Le mal positif est également discuté, compris de façon relative comme effets
inévitables de la limitation rationnelle, et de façon absolue comme actions humaines orientées
par l’ignorance du Bien, notamment dans les dialogues Lois et Timée. Il est conclu que, bien
que Platon ne formule pas une théorie systématique du mal, sa philosophie offre des éléments
permettant de le comprendre à la fois comme phénomène nécessaire à l’imperfection du
sensible et comme résultat du désordre de l’âme.
Palavras-chave
Platão, Platon, problema do mal, Ideia de Bem, mal negativo, mal positivo, problème du mal, Idée du Bien, mal négatif, mal positif
Citação
MARQUES, João Vitor Almeida. Platão e o problema do mal. 2025. 42 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.