Publicação: O subimperialismo brasileiro e o período da ditadura: o papel do Estado na consolidação da dinâmica subimperialista
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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Resumo
O presente trabalho analisa o papel do Estado brasileiro na consolidação do subimperialismo
durante a ditadura militar (1964-1985), à luz da Teoria Marxista da Dependência. Parte-se do
pressuposto de que o golpe de 1964 possibilitou a formação de um novo bloco no poder,
composto por frações do capital nacional, capital estrangeiro e elite militar, que utilizou o
Estado como instrumento central para viabilizar um novo padrão de acumulação. Sustenta-se
que o Estado assumiu funções ampliadas nas esferas econômica, política e social, atuando para
resolver problemas de realização do capital e articular elementos estruturais para alçar a
economia brasileira a um patamar subimperialista. Entre esses elementos, destacam-se a
superexploração da força de trabalho e as transferências estruturais de valor; a composição
média do capital; o esquema tripartite de realização de mercadorias; a hegemonia regional e a
cooperação antagônica com potências imperialistas. Argumenta-se, ainda, que o caráter
autoritário do regime foi fundamental, sobretudo nos anos iniciais, para conter conflitos sociais
e permitir a implementação desse modelo, com destaque para medidas repressivas como o AI
5 e o período do Milagre Econômico. Contudo, a partir da segunda metade da década de 1970,
observa-se a progressiva substituição da coerção direta por mecanismos mais sofisticados de
dominação, contribuindo para a reprodução do padrão subimperialista em contextos de maior
legitimidade democrática. Metodologicamente, o trabalho adota uma abordagem histórico
dialética, articulando dimensões econômicas, políticas e sociais para compreender a atuação do
Estado e suas implicações na dinâmica da dependência no Brasil.
Abstract
This study analyzes the role of the Brazilian State in consolidating subimperialism during the
military dictatorship (1964–1985), based on the Marxist Theory of Dependency. It assumes that
the 1964 coup enabled the formation of a new power block composed of fractions of national
capital, foreign capital, and the military elite, which used the State as a central instrument to
establish a new pattern of capital accumulation. The study argues that the State assumed
expanded roles in the economic, political, and social spheres, acting to resolve capital
realization constraints and to articulate structural elements that elevated the Brazilian economy
to a subimperialist stage. Among these elements are the super-exploitation of labor and
structural transfers of value; the average organic composition of capital; the tripartite scheme
of realization; regional hegemony; and antagonistic cooperation with imperialist powers. It is
further argued that the authoritarian nature of the regime was crucial, especially in its early
years, to suppress social conflicts and enable the implementation of this model, particularly
through repressive measures such as Institutional Act No. 5 and the period known as the
Economic Miracle. However, from the second half of the 1970s onwards, there was a gradual
replacement of direct coercion by more sophisticated mechanisms of domination, contributing
to the reproduction of the subimperialist pattern under conditions of increasing democratic
legitimacy. Methodologically, the study adopts a historical-dialectical approach, articulating
economic, political, and social dimensions to understand the role of the State and its
implications for the dynamics of dependency in Brazil.
Palavras-chave
Brasil, Subimperialismo, Dependência, Ditadura Militar, Estado, Brazil, Subimperialism, Military dictatorship, State, Dependency
Citação
CRUZ, Heitor Novelini da. O subimperialismo brasileiro e o período da ditadura: o papel do Estado na consolidação da dinâmica subimperialista. 2026. 101 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.470.