Publicação: O brincar como intervenção para o Transtorno do Espectro Autista: um diálogo entre o modelo DIR/Floortime e Winnicott
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
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Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige intervenções terapêuticas que considerem a
complexidade e a singularidade do desenvolvimento infantil. Historicamente dominada por
abordagens focadas na modificação de comportamentos observáveis, a clínica com crianças no
espectro autista tem se beneficiado progressivamente de modelos de base relacional. Neste
contexto, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar as convergências teóricas e
práticas entre o modelo de intervenção DIR/Floortime e a teoria psicanalítica do
amadurecimento de Donald W. Winnicott em uma clínica especializada em crianças com TEA.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza teórica, estruturada por meio de uma revisão
bibliográfica psicanalítica, articulada à apresentação e discussão de quatro vinhetas clínicas
extraídas da experiência de estágio da autora. A análise dos dados demonstra que o modelo
DIR/Floortime atua de forma convergente com os postulados winnicottianos no setting
terapêutico. Observou-se que o princípio de "seguir a liderança da criança" assemelha-se à
"preocupação materna primária", enquanto as estratégias de regulação sensorial e afetiva
funcionam como equivalentes clínicos do holding e do handling, essenciais para a integração
psicossomática. O brincar interativo (Floortime) configura-se como a construção deliberada de
um "espaço potencial", permitindo que a criança no espectro autista flexibilize suas defesas
contra "agonias impensáveis" (como a sensação de queda sem fim ou desintegração) para
desenvolver o engajamento emocional, a imitação e a comunicação intencional. Conclui-se que
a intersecção entre o modelo DIR/Floortime e a psicanálise winnicottiana transcende o
treinamento mecânico de habilidades, oferecendo uma práxis ética que coloca o vínculo e o
afeto como motores centrais para a constituição psíquica e para o resgate da subjetividade da
criança neurodivergente.
Abstract
Autism Spectrum Disorder (ASD) requires therapeutic interventions that consider the
complexity and singularity of child development. Historically dominated by approaches
focused on modifying observable behaviors, clinical practice with children on the autism
spectrum has progressively benefited from relational-based models. In this context, the general
objective of this study is to analyze the theoretical and practical convergences between the
DIR/Floortime intervention model and Donald W. Winnicott's psychoanalytic theory of
maturation within a specialized clinic for children with ASD. This is a qualitative, theoretical
research structured through a psychoanalytic literature review, articulated with the presentation
and discussion of four clinical vignettes drawn from the author's internship experience. Data
analysis demonstrates that the DIR/Floortime model operates convergently with Winnicottian
postulates in the therapeutic setting. It was observed that the principle of "following the child's
lead" resembles "primary maternal preoccupation," while sensory and affective regulation
strategies function as clinical equivalents of holding and handling, which are essential for
psychosomatic integration. Interactive play (Floortime) is configured as the deliberate
construction of a "potential space," allowing the child on the autism spectrum to soften their
defenses against "unthinkable agonies" to develop emotional engagement, imitation, and
intentional communication. It is concluded that the intersection between the DIR/Floortime
model and Winnicottian psychoanalysis transcends mechanical skills training, offering an
ethical praxis that places the bond and affection as central engines for psychic constitution and
for the rescue of the neurodivergent child's subjectivity.
Palavras-chave
Transtorno do Espectro Autista, Autism Espectrum Disorder, DIR/Floortime, Psicanálise Winnicottiana, Winnicottian Psychoanalysis, Desenvolvimento Infantil, Child Development, Brincar, Play
Citação
GERALDO, Ana Luísa dos Santos. O brincar como intervenção para o Transtorno do Espectro Autista: um diálogo entre o modelo DIR/Floortime e Winnicott. 2026. 38 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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