Publicação: Homofobia de esquerda: tradição e ruptura (1960/1970)
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
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Resumo
O objetivo deste trabalho é tentar responder por que o tema do homoerotismo não pôde ser pensado pela esquerda brasileira nos anos sessenta e setenta, tendo esta rejeitado as figuras homoeróticas em favor de um tipo especial de militante, viril. Mesmo que, em determinados momentos, como na segunda metade da década de 70, ela tenha açambarcado para perto de si o nascente movimento de liberação gay, engrossando fileiras nas lutas pela redemocratização do país. Duas obras literárias foram analisadas como possibilidades de ruptura com este modelo. A primeira, de Fernando Gabeira, dentro do campo da esquerda, e a segunda, de João Silvério Trevisan, ativista de grupos de liberação gays da década de 70. A monografia se compõe de três capítulos. O primeiro reconstitui a trajetória da esquerda nos anos sessenta e setenta, em especial daqueles grupos que optaram pela luta armada a partir do ano de 1968. Estes grupos são os que mais adotaram o modelo viril de militante em suas ações. O segundo capítulo investiga, na tradição desta esquerda, possíveis leituras que rejeitassem o homoerotismo, indícios que permitissem entender as razões, no campo ideário socialista, que tenham levado à adoção do modelo ideal de militante viril e excludente. O terceiro capítulo analisa duas obras literárias, O Crepúsculo do Macho (1980), de Fernando Gabeira, e O testamento de Jônatas deixado a David (1976), de João Silvério Trevisan como indicadores da ruptura com o modelo viril de militante. Textos que promovem a crítica à opção da esquerda por rejeitar os homoeróticos ou à tentativa de adequá-los, homogeneizando seus desejos.
Abstract
Palavras-chave
Homofobia, Esquerda, 1960-1970, Brasil
Citação
SOUSA NETTO, Miguel Rodrigues de. Homofobia de esquerda: tradição e ruptura (1960/1970). 2002. 62 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2002.