Publicação: Representações sociais entre profissionais de saúde em UTI sobre cuidados paliativos: revisão de escopo
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA SOCIAL::PAPEIS E ESTRUTURAS SOCIAIS INDIVIDUO
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Urzedo, Jane Eire
Resumo
Objetivo: Mapear e analisar as representações sociais (RS) de profissionais de saúde em
Unidades de Terapia Intensiva (UTI) sobre os cuidados paliativos (CP) na literatura científica
recente.
Métodos: Revisão de escopo baseada nas diretrizes PRISMA-ScR, com buscas nas bases
BVS, PubMed, Scopus e SciELO (2020–2024). Os 113 estudos incluídos foram submetidos à
análise temática e interpretados à luz da Teoria das Representações Sociais.
Resultados: Identificou-se uma fragilidade estrutural no Campo da Informação, onde lacunas
de conhecimento técnico são preenchidas por crenças pessoais e medos legais. A
representação social dos CP revelou-se paradoxal: ancorada no ideal ético da "boa morte",
mas objetivado na prática institucional como "fracasso terapêutico" ou "gestão de crise". Esse
conflito se manifesta através de uma linguagem defensiva (uso de eufemismos técnicos) e é
sustentado por uma fissura interprofissional, onde a representação médica (focada na decisão)
silencia a representação da enfermagem (focada no cuidado invisível). O sofrimento moral
emerge não como evento isolado, mas como sintoma de um sistema simbólico em colapso.
Conclusão: A educação formal isolada mostra-se insuficiente para transformar a prática, pois
o novo conhecimento é consistentemente neutralizado pela ancoragem cultural curativista
hegemônica da UTI. Para mitigar o sofrimento moral e qualificar a assistência, as
intervenções devem ultrapassar o ensino técnico e focar na reformulação da cultura
organizacional, na horizontalização dos processos decisórios e na ressignificação da
linguagem utilizada para abordar a morte.
Abstract
Objective: To map and analyze the social representations (SR) of healthcare professionals in
Intensive Care Units (ICU) regarding palliative care (PC) in recent scientific literature.
Methods: A scoping review based on PRISMA-ScR guidelines, conducted across the
VHL/BVS, PubMed, Scopus, and SciELO databases (2020–2024). The 113 included studies
underwent thematic analysis and were interpreted in light of Social Representations Theory.
Results: A structural fragility was identified in the Information Field, where gaps in technical
knowledge are filled by personal beliefs and legal fears. The social representation of PC
proved to be paradoxical: anchored in the ethical ideal of the "good death," but objectified in
institutional practice as "therapeutic failure" or "crisis management." This conflict manifests
through defensive language (use of technical euphemisms) and is sustained by an
interprofessional rift, where the medical representation (focused on decision-making) silences
the nursing representation (focused on invisible care). Moral distress emerges not as an
isolated event, but as a symptom of a collapsing symbolic system.
Conclusion: Isolated formal education proves insufficient to transform practice, as new
knowledge is consistently neutralized by the hegemonic curative cultural anchoring of the
ICU. To mitigate moral distress and improve care quality, interventions must go beyond
technical training and focus on reshaping organizational culture, horizontalizing
decision-making processes, and reframing the language used to address death.
Palavras-chave
Cuidados Paliativos, Representações Sociais, Unidade de Terapia Intensiva, Sofrimento Moral, Comunicação em Saúde, Palliative Care, Social Representations, Intensive Care Units, Moral Distress, Health Communication
Citação
RODRIGUES, Lucas Pereira. Representações sociais entre profissionais de saúde em UTI sobre cuidados paliativos: revisão de escopo. 2025. 40 f. Trabalho de Conclusão de Residência (Residência Multiprofissional em Saúde – Atenção ao Paciente em Estado Crítico) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.
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