Publicação: A posição da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) na crise política brasileira (2015-2022)
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::CIENCIA POLITICA, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::CIENCIA POLITICA::COMPORTAMENTO POLITICO::CLASSES SOCIAIS E GRUPOS DE INTERESSE, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::CIENCIA POLITICA::COMPORTAMENTO POLITICO::ATITUDE E IDEOLOGIAS POLITICAS
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Resumo
A pesquisa visa analisar o posicionamento da Associação Brasileira do
Agronegócio (ABAG) na conjuntura brasileira de crise e instabilidade política, que se
inicia com o impeachment de Dilma Rousseff, em 2015-2016, e se estende até o término
do mandato de Jair Bolsonaro, no final de 2022. Para tanto, buscou-se utilizar como
fontes primárias: os documentos da ABAG (informativos, relatórios de atividades, anais
de congressos, notas públicas); entrevistas e postagens de dirigentes da entidade
publicadas nas mídias digitais; e matérias da mídia sobre a entidade. Além disso, a
pesquisa se valeu do estudo da bibliografia sobre a ABAG, o agronegócio no Brasil, a
política brasileira na conjuntura mais recente e a teoria das frações de classe. Em meios
jornalísticos, políticos e acadêmicos, é muito comum o agronegócio ser apresentado como
um bloco monolítico sem fissuras. Diferente de tal visão e baseando-se na teoria dos
fracionamentos de classe desenvolvida pelos estudos poulantzianos, este trabalho
procurou demonstrar que o agronegócio é atravessado por conflitos oriundos da escala de
capital, da função de capital (ou atividade econômica) e da inserção da burguesia no
sistema econômico internacional que incidem no processo político. Nesse sentido, essa
pesquisa sustenta como hipótese que a ABAG representa o grande capital internacional
ligado à produção de insumos agropecuários e à agroindústria do setor sucroalcooleiro. É
justamente a partir da vinculação da ABAG com os interesses dessas frações de classe
que podemos compreender seu posicionamento particular na conjuntura brasileira dos
últimos anos.
Abstract
This research aims to analyze the position of the Brazilian Agribusiness
Association (ABAG) in the Brazilian context of crisis and political instability, which
began with the impeachment of Dilma Rousseff in 2015-2016 and extends until the end
of Jair Bolsonaro's term in late 2022. To this end, primary sources were used: ABAG
documents (newsletters, activity reports, congress proceedings, public statements);
interviews and posts by the organization's leaders published in digital media; and media
reports about the organization. In addition, the research drew on the study of the
bibliography on ABAG, agribusiness in Brazil, Brazilian politics in the recent context,
and the theory of class fractions. Agribusiness is often presented as a monolithic bloc
without fissures in journalistic, political, and academic circles. Different from this view
and based on the theory of class fractionation developed by Poulantzian studies, this work
sought to demonstrate that agribusiness is traversed by conflicts arising from the scale of
capital, the function of capital (or economic activity), and the insertion of the bourgeoisie
in the international economic system that affect the political process. In this sense, this
research hypothesizes that ABAG represents large international capital linked to the
production of agricultural inputs and the agroindustry of the sugar-alcohol sector. It is
precisely from the connection of ABAG with the interests of these class fractions that we
can understand its particular positioning in the Brazilian context of recent years.
Palavras-chave
Agronegócio; Burguesia; Associação Brasileira do Agronegócio; Crise política; Política brasileira, Agribusiness; Bourgeoisie; Associação Brasileira do Agronegócio; Political crisis; Brazilian politics
Citação
BORGES, Maria Eduarda Vieira Lomba Walmott. A posição da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) na crise política brasileira (2015-2022). 2025. 88 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Sociais) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.