Publicação: Fundamentos da biopolítica nos estudos em geopolítica: o ciberespaço e as novas estratégias de disputas e dominação
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA::GEOGRAFIA HUMANA::GEOGRAFIA POLITICA
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A tese investiga os fundamentos da biopolítica e a interseção com os estudos em geopolítica,
analisando as novas estratégias de disputa e dominação em um mundo marcado pelo
desenvolvimento do ciberespaço. O trabalho baseia-se nas contribuições teóricas de Michel
Foucault, ampliando os conceitos de biopolítica, biopoder e governamentalidade para explicar
como os mecanismos de controle se adaptam às transformações tecnológicas e à emergência de
novas formas de gestão da vida e das populações. A pesquisa destaca a transição histórica das
sociedades disciplinares para as sociedades de controle, ressaltando que dispositivos
originalmente voltados para regulação dos corpos individuais evoluíram para operar em larga
escala, por meio da captação e análise de dados. Essa expansão revela-se fundamental às
relações e projeções de poder em âmbito global. O objetivo central da tese consiste em examinar
criticamente a aplicabilidade do conceito foucaultiano de biopolítica às práticas
contemporâneas da geopolítica, considerando especialmente o domínio do ciberespaço. O
estudo investiga como Estados e corporações transnacionais utilizam a tecnologia para vigiar,
influenciar e moldar comportamentos, que, por sua vez, redefinem as noções tradicionais de
soberania e de autodeterminação dos povos. Dessa forma, a tese propõe uma análise integrada
entre a biopolítica (tecnologia de poder sobre a vida) e a geopolítica (tecnologia de poder
espacial), estabelecendo um diálogo que permite compreender as complexas relações de poder
na era do capitalismo de vigilância. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem
qualitativa, combinando análise do discurso e estudo de caso. O trabalho fundamenta-se na
revisão crítica de obras clássicas de Foucault, além de examinar documentos oficiais,
legislações, publicações acadêmicas e reportagens. Essa estratégia metodológica permite
identificar, interpretar e confrontar os discursos que articulam a gestão e o controle da vida
individual e populacional às práticas geopolíticas atuais. Os resultados demonstram que os
dispositivos e práticas biopolíticas se sofisticaram ao inserir as tecnologias da informação,
criando uma governamentalidade algorítmica que ultrapassa as barreiras territoriais e possibilita
a vigilância e modulação comportamental eficientes sobre as populações. Assim, a coleta
massiva de dados comportamentais e o uso de algoritmos emergem como instrumentos centrais
para a implementação de ações visando o controle social, influenciando na liberdade individual
e nas decisões políticas e econômicas em escala global. Desse modo, a tese argumenta a
formação de um Regime Geopolítico Algorítmico, pautado principalmente no desenvolvimento
da geopolítica do ciberespaço. Ademais, a análise revela que a integração entre a biopolítica e
a geopolítica cria uma arena de constantes disputas para a manutenção ou ampliação do poder
estatal e de corporações de tecnologia. Em conclusão, a tese afirma que o conceito de
biopolítica, tal como reformulado por Foucault, oferece uma ferramenta analítica robusta para
compreender os desafios impostos pelas novas tecnologias digitais. Por fim, a tese evidencia
que a realidade e a qualidade das relações sociais, políticas e territoriais, mesmo mediadas pela
lógica da geopolítica do ciberespaço e governamentalidade algorítmica, devem ser objeto de
debates e reformulação de políticas públicas, promovendo, assim novos paradigmas de
governança cibernética transparente e democrática e garantindo proteção à soberania e à
autodeterminação dos povos.
Abstract
The dissertation investigates the foundations of biopolitics and its intersection with studies in
geopolitics, analyzing the new strategies of contestation and domination in a world marked by
the development of cyberspace. The work is grounded in Michel Foucault’s theoretical
contributions, extending his concepts of biopolitics, biopower, and governmentality in order to
explain how control mechanisms adapt to technological transformations and the emergence of
new forms of management over life and populations. The research highlights the historical
transition from disciplinary societies to societies of control, emphasizing that devices originally
aimed at regulating individual bodies have evolved to operate on a large scale through the
collection and analysis of data, and that this expansion is fundamental to global power relations
and projections. The central objective of the dissertation is to critically examine the applicability
of Foucault’s concept of biopolitics to contemporary geopolitical practices, with a special focus
on the domain of cyberspace. The study investigates how states and transnational corporations
use technology to surveil, influence, and shape behavior, which in turn redefines traditional
notions of sovereignty and the self-determination of peoples. In doing so, the dissertation
proposes an integrated analysis between biopolitics (as a technology of power over life) and
geopolitics (as a technology of spatial power), establishing a dialogue that facilitates an
understanding of the complex power relations in the era of surveillance capitalism.
Methodologically, the research adopts a qualitative approach that combines discourse analysis
with case studies. The work is based on a critical review of Foucault’s canonical texts, in
addition to the examination of official documents, legislation, academic publications, and
media reports. This methodological strategy allows for the identification, interpretation, and
confrontation of the discourses that articulate the management and control of individual and
population life within current geopolitical practices. The findings demonstrate that biopolitical
devices and practices have evolved by incorporating information technologies, creating an
algorithmic governmentality that transcends territorial boundaries and enables efficient
surveillance and behavioral modulation of populations. Thus, the massive collection of
behavioral data and the use of algorithms emerge as central instruments in the implementation
of actions aimed at social control, influencing individual freedom and political and economic
decisions on a global scale. In this way, the dissertation argues for the formation of a New
Geopolitical Order, based primarily on the development of cyberspace geopolitics. Moreover,
the analysis reveals that the integration of biopolitics and geopolitics creates an arena of
constant struggles for the maintenance or expansion of state power and that of technology
corporations. In conclusion, the dissertation asserts that the concept of biopolitics, as
reformulated by Foucault, offers a robust analytical tool for understanding the challenges posed
by new digital technologies. Finally, the dissertation emphasizes that the reality and quality of
social, political, and territorial relations - even when mediated by the logic of cyberspace
geopolitics and algorithmic governmentality - must be subject to debates and a reformation of
public policies that promote both new paradigms of transparent and democratic cybergovernance and guarantees for the protection of the sovereignty and self-determination of
peoples.
Palavras-chave
biopolítica, geopolítica, poder, ciberespaço, biopolitics, geopolitics, power, cyberspace
Citação
SIQUEIRA, Bruno Lourenço. Fundamentos da biopolítica nos estudos em geopolítica: o ciberespaço e as novas estratégias de disputas e dominação. 2025. 203 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2025.144.