Publicação: Ciência, Filosofia e Religião: análise discursiva da constituência da doutrina espírita em seus textos fundadores
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CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::TEORIA E ANALISE LINGUISTICA
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Resumo
Na presente tese, pretendemos analisar, sob a perspectiva teórica da Análise do Discurso (AD),
sobretudo a partir das noções teóricas propostas por Dominique Maingueneau em Discurso
Literário (2006) e Cenas da Enunciação (2008a), aspectos da constituência discursiva da Doutrina
Espírita, surgida na França em meados do século XIX, sob a codificação do professor Hippolyte
Léon Denizard Rivail, de pseudônimo Allan Kardec. De modo mais específico, nossa finalidade
é verificar o funcionamento de textos fundadores da Doutrina Espírita, a partir da
operacionalização do conceito de discurso constituinte proposto por Maingueneau (2006).
Segundo o autor, os discursos constituintes se propõem como discursos de Origem, que são
validados por uma cena de enunciação que autoriza a si mesma, não reconhecendo nenhuma outra
autoridade além da própria. Assim sendo, como a Doutrina Espírita poderia congregar em si três
discursos que reivindicam autoridade exclusiva? Concomitantemente, assumindo o postulado de
Maingueneau (2006), segundo o qual a cenografia (conceito que será apropriadamente
apresentado no capítulo teórico) é um dos embreantes paratópicos (aquilo que, no texto/discurso,
o articula às suas condições de produção) dos discursos constituintes, assumimos como hipótese
para o desenvolvimento desta pesquisa o seguinte: A Doutrina Espírita encena ser, ao mesmo
tempo, ciência, filosofia e religião, constituindo, na/pela enunciação, cenografias que encenam,
não gêneros do discurso, como previsto nas teorizações de Maingueneau, mas tipos de discurso,
a saber, os tipos de discurso científico, filosófico e religioso. Como efeito, têm-se uma cenografia
difusa, que parece-nos ser a forma mais característica da paratopia criadora do codificador. A
partir dessa hipótese, objetivamos, dessa maneira, analisar, a partir da análise de textos fundadores
da Doutrina Espírita codificados por Allan Kardec, o modo de constituência dessa doutrina em
sua gênese, na França do final do século XIX. Acrescenta-se a verificação do modo de
constituição das cenografias encenadas nesses textos fundadores e a análise da relação entre a
constituição de cenografias e o modo de funcionamento da “paratopia criadora” de Kardec. O
corpus de análise da presente pesquisa, constitui-se de capítulos de três livros desse pentateuco
central, além de um outro livro, que julgados importante para o cumprimento de nossos objetivos
de pesquisa, a saber: (i) O Livro dos espíritos (1857) – “Introdução”; (ii) O que é o Espiritismo
(1859) – “Preâmbulo”; (iii) O livro dos médiuns (1861) – Capítulo III da primeira parte: “Do
método”; (iv) O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) – Introdução e Capítulo 1. Por meio do
cumprimento desses objetivos, ao longo do trabalho confirmamos a hipótese inicial da pesquisa.
Em relação ao impacto da presente tese, destacamos: a demonstração da viabilidade de conceber
a cenografia como uma encenação de tipos de discurso e não somente como uma encenação de
gêneros do discurso, como preveem as teorizações de Maingueneau; a visibilidade dada à noção
de embreagem paratópica, que, apesar de pouco mobilizada em trabalhos da Análise do Discurso,
é uma noção chave para análises discursivas, uma vez que permite evidenciar a inextrincabilidade
entre o discurso e suas condições de produção; e o destaque ao postulado, caro à AD, segundo o
qual o discurso/texto são práticas discursivas; nesse sentido, o texto é uma forma de gestão do
conceito, e a mobilização da noção de embreagem paratópica verticaliza essa concepção.
Abstract
En esta tesis, nos proponemos analizar, desde la perspectiva teórica del Análisis del Discurso
(AD), especialmente a partir de las nociones teóricas propuestas por Dominique Maingueneau en
El discurso literario (2006) y Escenas de la enunciación (2008a), aspectos de la constitución
discursiva de la Doctrina Espírita, surgida en Francia a mediados del siglo XIX, codificada por el
profesor Hippolyte Léon Denizard Rivail, bajo el seudónimo de Allan Kardec. De manera más
específica, nuestro objetivo es examinar el funcionamiento de los textos fundacionales de la
Doctrina Espírita, a partir de la operacionalización del concepto de discurso constituyente,
propuesto por Maingueneau (2006). Según el autor, los discursos constituyentes se presentan
como discursos de Origen, validados por una escena de enunciación que se autoriza a sí misma,
sin reconocer otra autoridad más allá de ella. En ese sentido, ¿cómo podría la Doctrina Espírita
reunir en sí misma tres discursos que reivindican una autoridad exclusiva? Al mismo tiempo, y
asumiendo el postulado de Maingueneau (2006), según el cual la escenografía (concepto que se
presentará apropiadamente en el capítulo teórico) es uno de los embragues paratópicos —aquello
que, en el texto/discurso, lo articula con sus condiciones de producción— de los discursos
constituyentes, proponemos como hipótesis para esta investigación lo siguiente: la Doctrina
Espírita representa ser, simultáneamente, ciencia, filosofía y religión, constituyendo, en y por la
enunciación, escenografías que encarnan no géneros discursivos, como prevé la teoría de
Maingueneau, sino tipos de discurso: científico, filosófico y religioso. El efecto es una
escenografía difusa, que nos parece ser la forma más característica de la paratopía creadora del
codificador. Partiendo de esta hipótesis, pretendemos analizar, a partir del estudio de textos
fundacionales codificados por Allan Kardec, el modo de constitución de esta doctrina en su
origen, en la Francia de finales del siglo XIX. Se suma a ello el análisis de cómo se constituyen
las escenografías en dichos textos fundacionales y la relación entre esa constitución escenográfica
y el funcionamiento de la “paratopía creadora” de Kardec. El corpus de análisis está compuesto
por capítulos de tres libros del pentateuco espírita, además de otra obra considerada pertinente
para los objetivos de esta investigación: (i) El Libro de los Espíritus (1857) – “Introducción”; (ii)
¿Qué es el Espiritismo? (1859) – “Preámbulo”; (iii) El Libro de los Médiums (1861) – Primera
parte, capítulo III: “Del método”; (iv) El Evangelio según el Espiritismo (1864) – Introducción y
capítulo 1. A lo largo de este trabajo, confirmamos la hipótesis inicial de la investigación. En
cuanto al impacto de esta tesis, destacamos: la demostración de la viabilidad de concebir la
escenografía como una puesta en escena de tipos de discurso, y no solamente de géneros
discursivos; la visibilidad otorgada a la noción de embrague paratópico —aún poco explorada en
trabajos de AD— como clave para comprender la inextricable relación entre el discurso y sus
condiciones de producción; y la reafirmación del postulado central del AD, según el cual el
texto/discurso son prácticas discursivas; en este sentido, el texto es una forma de gestión del
concepto, y la movilización de la noción de embrague paratópico profundiza esta concepción.
Palavras-chave
Análise do discurso, Discurso constituinte, Doutrina espírita, Paratopia, Cenografia
Citação
CANDIDO, Khal Rens. Ciência, Filosofia e Religião: análise discursiva da constituência da doutrina espírita em seus textos fundadores. 2025. 104 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2025.405.
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