Publicação: Subjetividade e telejornalismo: análise das representações de identidade, gênero e raça materializados nos corpos de repórteres da TV Globo
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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Resumo
A presente monografia propõe uma análise crítica das representações de identidade,
gênero e raça no telejornalismo brasileiro, tomando como objeto de estudo o quadro “G1
em um minuto”, exibido pela TV Globo. A pesquisa parte do entendimento de que os
corpos dos/as repórteres televisivos não são neutros, mas carregam subjetividades que, ao
serem expostas na tela, tensionam o discurso tradicionalmente pautado na objetividade
jornalística. A partir de uma abordagem teórica ancorada nos Estudos Culturais e no
conceito de interseccionalidade, esta investigação analisa como o chamado “Padrão
Globo de Qualidade” historicamente moldou as performances dos jornalistas segundo
padrões euro centrados, cis normativos e heteronormativos. A metodologia empregada
combina a análise de conteúdo com o estudo de caso, observando episódios do quadro
entre os anos de 2015, 2019 e 2024. A pesquisa revela que, embora haja um movimento
de abertura para expressões subjetivas, como a presença de jornalistas negros/as,
LGBTQIA+ e com trajes informais, essas representações ainda estão circunscritas a
espaços marginais da grade televisiva. Conclui-se que, mais do que refletir uma inclusão
efetiva, essas mudanças podem funcionar como estratégias simbólicas de manutenção de
um sistema que ainda privilegia corpos e identidades hegemônicas.
Abstract
This monograph presents a critical analysis of the representations of identity, gender, and
race in Brazilian television journalism, focusing on the segment “G1 em um minuto” aired
by TV Globo. The research is grounded in the premise that journalists bodies on screen
are not neutral, but carry subjectivities that challenge the traditionally objective discourse
of news broadcasting. Drawing from Cultural Studies and the concept of intersectionality,
this study explores how the historical “Globo Quality Standard” has shaped journalist
performances according to Eurocentric, cisnormative, and heteronormative ideals. The
methodology combines content analysis and case study, examining episodes from 2015,
2019, and 2024. The findings show that although there has been an increase in subjective
expressions — such as the appearance of Black, LGBTQIA+ journalists and informal
attire — these representations remain mostly confined to marginal segments of the
network’s programming. The study concludes that rather than signaling genuine
inclusion, such changes may serve as symbolic strategies that sustain a system still
dominated by hegemonic bodies and identities.
Palavras-chave
telejornalismo, subjetividade, identidade, gênero, raça, TV Globo
Citação
SILVA, Alika Hortênsia. Subjetividade e telejornalismo: análise das representações de identidade, gênero e raça materializados nos corpos de repórteres da TV Globo. 2025. 73 f. Monografia (Especialização) - Curso de Jornalismo, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais, 2025.