Publicação: Sobrevivência ao câncer no Brasil: o nível de escolaridade não elimina as desigualdades raciais
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA::CLINICA MEDICA::CANCEROLOGIA
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Introdução: O câncer é a principal causa de mortalidade em países desenvolvidos e tende a ocupar essa posição também nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Estima-se aumento nos casos e nas desigualdades relacionadas à doença, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Objetivo: Identificar desigualdades sociais, incluindo interseções de raça/cor da pele e sexo, entre sobreviventes de câncer no Brasil. Métodos: Este estudo transversal utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. Foram incluídos 80.386 indivíduos com 25 anos ou mais, de ambos os sexos. Os participantes foram estratificados por raça/cor da pele, nível de escolaridade, área de residência e sexo. O diagnóstico de câncer foi autorrelatado. Foram aplicadas medidas simples e complexas de desigualdade educacional, incluindo Índice de Inclinação de Desigualdade (SII) e o Índice Relativo de Desigualdade (RII). As interseções foram avaliadas combinando raça/cor da pele, local de residência e sexo. Resultados: A proporção de sobreviventes de câncer foi de 2,86%. As medidas de desigualdade mostraram uma maior probabilidade de sobrevivência ao câncer entre indivíduos com maior escolaridade (SII: 0,27; IC 95%: 0,19–0,36; RII: 1,88; IC 95%: 1,50–2,26), independentemente de raça/cor, sexo ou local de residência. No entanto, no mesmo nível de escolaridade, a sobrevivência foi maior entre indivíduos brancos do que entre indivíduos pretos e pardos (3,0% vs. 1,8%). Notavelmente, a sobrevivência entre indivíduos pretos com alta escolaridade foi semelhante à observada entre indivíduos brancos com menor escolaridade (1,8% vs. 1,7%). Padrões semelhantes foram observados para sexo e local de residência, favorecendo mulheres e residentes de áreas urbanas. Conclusão: A sobrevivência ao câncer no Brasil reflete desigualdades sociais interseccionais, indicando que a escolaridade, isoladamente, é insuficiente para superar iniquidades raciais, de gênero e geográficas.
Abstract
Introduction: Cancer is the leading cause of mortality in developed countries and is also expected to become the main cause in developing countries, such as Brazil. An increase in cancer cases and related inequalities is projected, particularly in contexts of greater social vulnerability. Objective: To identify social inequalities, including racial and sex intersections among cancer survivors in Brazil. Methods: This cross-sectional study used data from the 2019 Brazilian National Health Survey (PNS). A total of 80,386 individuals aged 25 years or older, of both sexes, were included. Participants were stratified by skin color, educational level, area of residence, and sex. Cancer diagnosis was self-reported. Simple and complex measures of educational inequality were applied, including the Slope Index of Inequality (SII) and the Relative Index of Inequality (RII). Intersections were evaluated by combining race/skin color, place of residence, and sex. Results: The proportion of cancer survivors was 2.86%. Inequality measures showed a higher likelihood of cancer survivorship among individuals with higher education (SII: 0.27; 95% CI: 0.19–0.36; RII: 1.88; 95% CI: 1.50–2.26), regardless of race/color, sex, or place of residence. However, at the same education level, survivorship was higher among White individuals than among Black and Brown individuals (3.0% vs. 1.8%). Notably, survivorship among highly educated Black individuals was similar to that observed among less educated White individuals (1.8% vs. 1.7%). Similar patterns were observed for sex and place of residence, favoring women and urban residents. Conclusion: Cancer survivorship in Brazil reflects intersecting social inequalities, indicating that education alone is insufficient to overcome racial, gender, and geographic inequities.
Palavras-chave
Desigualdades em saúde, Health Inequities, Neoplasias, Pesquisa Nacional de Saúde, Fatores socioeconômicos, Sobreviventes de Câncer, Brazil, Neoplasms, Cancer Survivors, National Health Survey, Socioeconomic Factors
Citação
SANTANA, Flaviane Gonçalves. Sobrevivência ao câncer no Brasil: o nível de escolaridade não elimina as desigualdades. 2025. 58 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.5004.
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