Publicação: Adesão e não adesão ao tratamento psiquiátrico para depressão
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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Resumo
Entende-se que a adesão ao tratamento medicamentoso seja de fundamental importância para
o manejo da doença depressiva e concebendo-se que a não adesão a este tratamento possa
ocorrer com uma freqüência importante, este estudo teve por objetivo compreender os
aspectos relacionados à adesão e não adesão ao tratamento psiquiátrico para depressão, na
ótica de usuários e ex-usuários de um serviço público de saúde mental da cidade de Araguari
MG. A amostra deste estudo compôs-se de 24 participantes, sendo 12 considerados aderentes
ao tratamento para depressão e12 considerados como não aderentes ao tratamento, de acordo
com o critério de assiduidade às consultas médicas psiquiátricas. Realizaram-se entrevistas
semidirigidas que foram conduzidas individualmente com cada participante pela
Pesquisadora, e a partir dos relatos transcritos procedeu-se à análise de conteúdo na
perspectiva de análise temática. Verificou-se que a adesão e a não adesão ao tratamento
medicamentoso para depressão consistem em fenômenos multifatoriais, identificando-se três
grandes aspectos ou perspectivas a serem considerados no comportamento de adesão e de não
adesão a este tipo de tratamento. Na perspectiva dos Aspectos Intrapessoais concebeu-se a
participação de fatores relacionados ao próprio paciente que podiam facilitar e também
dificultar a adesão ao tratamento, conforme sua polaridade. Desta forma, a presença de fatores
como a motivação do paciente para o tratamento/melhora, a interpretação positiva em relação
aos resultados do tratamento e o reconhecimento da depressão como uma doença, são
considerados como facilitadores da adesão. Complementarmente, a forma negativa ou
ausência, dos fatores que compuseram este mesmo aspecto prejudicam o comportamento de
adesão, de forma que, a falta de motivação do paciente para o tratamento/melhora, a
interpretação negativa em relação aos resultados do tratamento, não reconhecimento da
depressão como uma doença, acrescido à própria sintomatologia da depressão, estiveram
associados aos aspectos intrapessoais propiciadores da não adesão. O segundo aspecto
identificado para o comportamento de adesão/não adesão denominou importância aos
relacionamentos interpessoais vivenciados ou interpretados pelo paciente. Assim, o
relacionamento interpessoal positivo com a equipe e a presença de suporte familiar,
constituíram o pólo facilitador da adesão ao tratamento na perspectiva dos Aspectos
Interpessoais . Em contraponto quando essas relações são compreendidas ou vivenciadas
negativamente elas podem funcionar como barreiras à adesão ao tratamento, associado a estas
duas situações, esteve presente o preconceito social. O Contexto do Tratamento também foi
considerado como importante interferente na adesão/ não adesão à terapêutica, na medida em
que revelou a importância da acessibilidade e da não acessibilidade ao tratamento na
avaliação da adesão ao tratamento e também estimou importância ao tratamento psicológico
para facilitação da adesão à terapêutica de pacientes deprimidos. A partir dos resultados
obtidos com a realização da pesquisa, sugere-se uma reflexão acerca do papel de equipes de
saúde mental na formulação de práticas direcionadas ao incremento da adesão ao tratamento
que considerem: o indivíduo e a relação que ele faz com sua doença e tratamento; a família e
a comunidade geral e suas representações sobre depressão, doença mental, tratamento e sobre
a unidade de saúde mental; a capacitação e qualificação de profissionais que atuam na saúde
mental; e também a sensibilização para a construção de políticas em saúde mental que
amparem o paciente carente subsidiando completamente seu tratamento.
Abstract
Considering the adhesion to the medical treatment as fundamental to the handling of
depression, and stating that non-adhesion to this treatment can occur with an important
frequency, this study aimed at understanding the phenomena related to the adhesion and nonadhesion
to the psychiatric treatment for depression, under the perspective of users and former
users of a Mental Health Public Service of Araguari MG, a city in Triângulo Mineiro. The
sample consisted of 24 patients, 12 of them considered adherent to the treatment for
depression and 12 considered non-adherent to it, according to the criterion of frequency to the
medical appointment. Semi-directive interviews were conducted individually with each
participant, and content analysis on theme analysis perspective was done from the transcribed
reports. It was verified that adhesion and non-adhesion to the medical treatment for
depression consists of multifactoral phenomena. It was identified threes big aspects or
perspectives to be considered on the behavior of adhesion and non-adhesion to this type of
treatment. On the perspective of Intrapersonal Aspects , it was conceived the participation of
factors related to the patient that could facilitate and also make difficult the adhesion to the
treatment, according to its polarity. On this way, the presence of factors as patient s
motivation for the treatment, the positive interpretation in relation to the treatment results and
the acknowledgment of depression as a disease, are considered as adhesion facilitators.
Complementary, the negative form or absence of factors that composed the same aspect
prejudice the adhesion behavior, in a way that the patient s lack of motivation to the
treatment/improvement, the negative interpretation in relation to the treatment results, nonacknowledgment
of depression as a disease, plus the depression s symptomatology, were
associated to the intrapersonal aspects that favor non-adhesion. The second aspect identified
to the behavior of adhesion/ non-adhesion denominated importance to the interpersonal
relationship with the Mental Health team and the presence of familiar support constituted the
facilitator pole of adhesion to the treatment on the perspective of Interpersonal Aspects . In
opposition, when these relations are understood or lived negatively they can work as barriers
to the treatments adhesion, associated to these two situations, it was present the social
prejudice as interfering to this behavior. The Context of the Treatment was also considered
as an important interfering on the adhesion/ non-adhesion to the therapeutic, as it revealed the
importance to the accessibility and non-accessibility to the treatment on the evaluation of the
adhesion to the treatment and also estimated the importance to the psychological treatment as
a facilitator to the depressive patients adhesion to the therapeutical. The results suggest a
reflection about the role of the mental health teams on the formulation of practices directed to
the improvements of adhesion to the treatment considering: the individual and the relation that
he/she makes with his/her disease and treatment; the family and the community, and their
representations of depression, mental disease, treatment, and about the mental health unity;
the capacity and qualification of mental health professionals; and also the influence to the
construction of mental health policies that support the needy patient by subsidizing his/her
treatment completely.
Palavras-chave
Adesão ao tratamento, Não adesão ao tratamento, Depressão, Saúde mental, Psicologia, Treatment adhesion, Non-treatment adhesion, Depression, Mental health, Psychology, Depressão mental
Citação
CUNHA, Marines de Fátima. Adesão e não adesão ao tratamento psiquiátrico para depressão. 2006. 362 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2006.